Mais de 5 milhões de brasileiros podem ter a apneia do sono: doença é grave e pode gerar infarto e até AVC

19/02/2020
Matheus Godoy mudou a vida aos 36 anos de idade: fez uma cirurgia que alterou seu rosto e pôs fim a uma apneia grave; cirurgia é recomendada também para casos estéticos

Compartilhe este artigo:

Cerca de 5% dos adultos do país podem ter a chamada Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono, doença grave que gera problemas no coração, no pulmão, nos vasos do corpo e pode até gerar um AVC. A doença é reconhecida como causa isolada de infarto miocárdico pela Associação Brasileira do Sono.

O Matheus Godoy, de 36 anos de idade, é um deles. Desde pequeno, ele sabia que tinha algum problema: sua mãe sempre o via parando de respirar ao dormir. “Ela achava que era uma parada respiratória mas, de repente, eu soltava o ar”, relembra ele, que só foi atrás de uma solução para o problema já na vida adulta. “Nunca tinha feito nenhum exame, mas percebi nos últimos anos que estava cada vez mais indisposto e com dor de cabeça. No começo desse ano, fiz uma polissonografia que constatou que tinha 36 apneias por hora – algumas com pausa de 15 a 20 segundos – e foi quando tive o diagnóstico do meu problema comecei a pensar em um tratamento”.

Foi no Hospital IPO, em Curitiba, que Godoy encontrou Gabriel Zorron, especialista na cirurgia crâniomaxilofacial. Ele, de prontidão, considerou o caso dele grave e sugeriu o uso de equipamentos como o CPAP, que auxilia no sono. Como a adaptação ao equipamento foi difícil, passou a ser considerada uma cirurgia garganta e uma cirurgia ortognática – que movimenta os esqueletos da face. Com a cirurgia esquelética, a chance de cura é muito maior.

O CPAP não deu muito certo para ele, inclusive, como acontece com alguns pacientes que não se adaptam. “Incomodava e machucava meu nariz, doendo bastante”, relata. “Pelo relatório do aparelho, ele melhorava as apneias mas minha disposição era pior ainda. Então desde o início eu já estava inclinado a fazer a cirurgia”.

“O objetivo primordial é a correção da oclusão, que é a forma como os dentes se encostam e os de baixo encaixam-se nos de cima”, detalha Gabriel Zarron, cirurgião do Hospital IPO. “Pacientes que mordem de forma incorreta têm dificuldade na fala, dor nas articulações da face e dificuldade de mastigar o alimento”.

O procedimento realizado foi a cirurgia ortognática para apneia do sono: trata-se de um avanço mandibular e maxilar, com o objetivo de maximizar as vias aéreas e impedir que fiquem obstruídas durante o sono. No pré-operatório, fez também aplicação de botox, por conta de um bruxismo. “Para o pós-operatório, fiz 20 sessões de fisioterapia – fora a mímica facial, que é o movimento de abrir a boca”.

Godoy não sentiu nenhum tipo de dor, mas o cuidado com a limpeza – e secreções – se tornou uma tarefa árdua de cuidar nos 20 dias que sucederam a cirurgia. “Não entrarei em detalhes, mas é uma recuperação trabalhosa por se tratar de vias respiratórias, onde comumente passa ar, secreções e, por conta do procedimento, sangue”.

Mas tudo valeu a pena. “Não estou dormindo 100%, ainda – talvez seja um fator psicológico – mas me sinto mais disposto, animado e ativo na minha vida de modo geral. Ainda sinto meu lábio inferior diferente, como se estivesse contraído, mas, por outro lado, meu rosto mudou e eu gostei. Estou me achando bonito: amigos e amigas estão comentando que meu rosto ficou mais harmonioso e estou com mais presença, chamando mais atenção. Então fiquei bastante satisfeito”, anima-se Godoy. “Como queria qualidade de vida, era melhor lidar com a aparência do que ter uma qualidade de sono ruim. De qualquer forma, não tenho do que reclamar”.

Compartilhe: