Baggio e Schiavon celebram quatro décadas de história no MON

04/03/2022
Exposição e lançamento do livro 40 + 40 contam a trajetória do escritório de arquitetura a partir de plano preliminar de urbanismo

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Uma trajetória construída no mundo da iniciativa privada, a partir da compreensão de necessidades e desejos de clientes, compatibilizando interesses e soluções, porém sempre mirando a elegância e a atemporalidade das formas. A Baggio Schiavon Arquitetura, escritório dos sócios Manuel Baggio e Flávio Schiavon, ultrapassou recentemente a marca de mil obras com empreendimentos que compõem a paisagem de muitas regiões de Curitiba, Paraná, além de outros estados, sempre apostando no trabalho de excelência, na capacidade de revitalizar vizinhanças e em harmonia com premissas urbanísticas.

Em função de sua significativa produção na verticalização da capital paranaense e na consolidação de Curitiba como metrópole de um Estado economicamente importante, a história de um dos mais renomados escritórios de arquitetura do Brasil conquistou uma sala de exposição no Museu Oscar Niemeyer (MON), espaço que evidencia as Artes Visuais, Arquitetura, Urbanismo e Design, além de um robusto livro intitulado 40 + 40 Baggio + Schiavon Quarenta Anos de Arquitetura (347 páginas - bilingue, em português e inglês), que registra Curitiba a partir do plano preliminar de urbanismo de Jorge Wilheim, além de todos os demais envolvidos em seu desenvolvimento. Nesse direcionamento, o livro da BSA, escrito por Schiavon, Baggio, Consuelo Cornelsen e Salvador Gnoato, com grande parte das fotos de Leonardo Finotti, reúne uma galeria a céu aberto com a assinatura invisível de sofisticação humanizada de quem trata cada projeto como uma manifestação do sentir a vida em seu tempo e dentro de um espaço compartilhado.

A exposição que abrirá no próximo dia 22/2/22, “múltiplos e submúltiplos de 40”, optou por trazer uma linha cronológica do trabalho do escritório BSA justamente para mostrar toda a complexidade dos desafios arquitetônicos e de outras áreas. “Adotamos a cronologia de forma a demonstrar toda a profundidade de nossa trajetória. Teremos uma linha do tempo com 30 datas, que começa em 1965 e vai até 2021. Encaro como uma prestação de serviços à comunidade ao dividir 40 renomados edifícios que vão inspirar os projetos que virão amanhã”, explica Flavio Schiavon.

Segundo Manuel Baggio, a capacidade de aprender ao longo da vida profissional potencializou a criatividade da dupla. “Gostamos muito do que fazemos e lapidamos nossa atuação para lidar com todas as condicionantes físicas de um terreno, condições impostas por legislações e normas técnicas”, avalia.

Exposição com emoção

Com projeto de Consuelo Cornelsen, que realiza sua 13ª exposição no MON (sendo a mais recente para os irmãos Campana), o trabalho da dupla Baggio e Schiavon será apresentado por uma lente humana. “O que me impressiona na obra da BSA são as gentilezas urbanas. A forma como eles enxergam o ser humano dentro da cidade”. Para a produtora artística e também arquiteta, beleza é fundamental e ousadia e emoção farão parte deste contexto. “Queria tornar a exposição curiosa para o público e para isso lancei mão de alguns artifícios, como a criação de um painel de interatividade que se propõe a ajudar o escritório a pensar o futuro, que reside na contribuição. Os visitantes terão a oportunidade de, literalmente, entrar e viver na cidade. Fazer uma imersão”, declara.

A Exposição 40 + 40 foi organizada dentro da sequência Fibonacci e do número de ouro. “Não será uma apresentação estática. Queremos incitar surpresa através da exposição de vídeos, divididos em totens de alturas diferentes, sincronizados com trilha sonora futurista (Souvenir of China, de Jean Michel Jarre). Teremos uma cidade em ebulição, sem legendas. A interpretação é individual. Dedicaremos espaço ao que foi realizado, mas, sobretudo, pensaremos no futuro, em uma Curitiba ainda melhor”, avalia Cornelsen.

Nova geração de empreendimentos imobiliários e desafio social

Novos espaços e novos edifícios que estão vindos aí são extremamente interessantes do ponto de vista de Schiavon. “São projetos que querem atender os anseios de uma população que não quer mais do mesmo. Tanto em edifícios corporativos, quanto residenciais”, avalia. Uma das tendências apontadas é “colocar as vísceras do edifício para fora, com salas de reunião na varanda, dando qualidade de vida para os profissionais”.

Aptidão técnica e visão de futuro

A Baggio Schiavon Arquitetura foi literalmente responsável por modernizar a moldura de um castelo, em case relatado pelo empreendimento DOC Batel. “O Castelo foi um processo de engenharia de legislação, articulou inúmeras frentes jurídicas para viabilizar uma obra para estar tudo em conformidade. Não foi um projeto só de arquitetura. Foi um trabalho hercúleo do ponto de vista jurídico. Reuniu abrangência e relevância em preservar um patrimônio cultural e histórico”, constata Schiavon.

Equipe

Outro grande ensinamento que a exposição e o livro tornam evidente é o trabalho em equipe que é imperativo no escritório da BSA. Para Schiavon, a melhor figura é um barco a remo de competição olímpica. “Aí reside uma grande virtude, formar uma equipe que sinta prazer por aquilo que está fazendo, fazer uma arquitetura autoral em que não se diz o nome do autor. Esse 40 + 40 não somos somente nós dois. Temos talentos muito grandes conosco”, conclui.

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