Construção civil denuncia abusos no aumento de preços de materiais

21/09/2020
Associados do SINDUSCON Joinville participaram de pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que já encaminhou evidências da situação ao governo federal

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Preocupada com os abusos no aumento de preços dos materiais de construção durante a pandemia, a indústria da construção civil no Brasil vem se movimentando para denunciar a prática e buscar alternativas. Nos últimos meses, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou duas pesquisas para confirmar as causas e consequências dos reajustes.

O levantamento contou com a participação de associados do SINDUSCON Joinville, que informaram a variação dos preços, o percentual e a data dos reajustes de materiais como cimento, bloco cerâmico, areia, brita, esquadrias, louças sanitárias, tintas, tubos e conexões, revestimentos cerâmicos, cabos elétricos, blocos de concretos entre outros itens.

Com base nas informações apuradas em todo o país, a CBIC entregou neste mês à Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia um documento que comprova o incremento excessivo nos preços durante a pandemia e apresenta propostas para mitigar os efeitos na economia nacional.

Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, o reajuste é resultado da falta de oferta de produtos em quantidade suficiente para atender o mercado, uma vez que foi criado um desequilíbrio artificial por parte das empresas. “Com a insegurança inicial causada pela pandemia, em março, foi gerado um falso desabastecimento, que foi sendo aproveitado pelos fornecedores para recuperar preços. Se não houver um choque de oferta urgente, a memória inflacionária irá criar um caminho sem volta”, avalia.

De acordo com o presidente do SINDUSCON Joinville, Bruno Cauduro, é inadmissível que em um momento tão importante para a retomada da economia o setor esteja vivendo uma situação como essa. “Justamente quando se espera que o mercado tenha ética e união para garantir emprego e renda, nos deparamos com práticas abusivas com efeitos negativos para toda a sociedade. O relatório da CBIC mostra as sérias consequências à economia”, comenta.

Os impactos a que Cauduro se refere incluem, segundo a Câmara Brasileira, o risco de desemprego, aumento no custo das obras públicas, dificuldades para viabilizar programas criados para impulsionar obras de infraestrutura e redução de lançamentos no último trimestre do ano. Outro reflexo deve ser o aumento do custo dos imóveis populares no país.

Para o vice-presidente da CBIC para a Região Sul, Marco Antonio Corsini, o posicionamento nacional do setor junto ao governo federal será fundamental para evitar que a escalada de preços continue da forma que tem sido vista.

“O setor da construção civil mostrou sua capacidade de enfrentamento da crise e sua resiliência diante da pandemia, com saldo positivo de empregos superior a 8,7 mil novas vagas de janeiro a julho deste ano no país, sendo cerca de 2 mil em Santa Catarina no mesmo período. Temos reunido esforços para reduzir os impactos da crise, mas essa questão do aumento excessivo dos materiais terá reflexos na geração de empregos e no ritmo das obras. Não podemos permitir esse revés”, analisa.

*Assessoria de imprensa SINDUSCON Joinville com informações da Agência CBIC

Fonte: Graziela Lindner

Foto: Divulgação

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