O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (7), a criação da Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes, iniciativa que prevê investimento total de R$ 4,8 bilhões para ampliar o acesso ágil e especializado no Sistema Único de Saúde (SUS), com uso de Inteligência Artificial, telemedicina e alta conectividade. Durante a cerimônia, realizada em Brasília, Lula destacou a necessidade de fortalecer as políticas públicas de saúde para a população mais vulnerável. “Precisamos garantir que o povo mais humilde não seja invisível”, afirmou.
Dentro do programa, foi assinado contrato de US$ 320 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do BRICS, para a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que integrará o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). O ITMI será o primeiro hospital inteligente público do SUS, voltado para urgência e emergência, e servirá como modelo nacional e internacional de assistência totalmente digital.
O investimento total no ITMI será de R$ 1,9 bilhão, somando recursos do Governo Federal (R$ 110 milhões) e do Governo de São Paulo (R$ 55 milhões). Com previsão de inauguração em 2029, o hospital contará com 800 leitos, sendo 250 de emergência, 350 de UTI e 200 de enfermaria, além de 25 salas cirúrgicas, com capacidade para cerca de 190 mil internações e 27 mil cirurgias por ano.
Segundo Lula, os hospitais inteligentes vão ampliar e qualificar os serviços do SUS. “Significa que a gente vai ter hospitais com ambulâncias e UTIs preparadas, usando tecnologia para salvar vidas”, afirmou, destacando ainda o papel do SUS durante a pandemia da Covid-19, que reforçou a credibilidade do sistema público de saúde.
A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, ressaltou que o projeto insere o Brasil na vanguarda tecnológica da saúde. “Desenvolvimento hoje significa acesso à tecnologia. É mais do que um hospital, é garantir ao país acesso ao que há de mais moderno no mundo”, disse.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a iniciativa marca a entrada definitiva do SUS na nova fronteira tecnológica. Segundo ele, os hospitais inteligentes utilizarão IA, conectividade avançada e integração de equipamentos, permitindo diagnósticos mais rápidos, monitoramento remoto e atendimentos à distância.
Já o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, enfatizou que a tecnologia vai fortalecer princípios fundamentais do SUS, como universalidade, equidade e atenção humanizada, ampliando o acesso à medicina de ponta inclusive nas regiões mais distantes do país.
Rede de UTIs inteligentes
A Rede Nacional Agora Tem Especialistas será implantada em três eixos. O primeiro prevê a criação de 14 UTIs inteligentes, interligadas e com foco em cardiologia e neurologia, distribuídas em 13 estados: Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). Os primeiros serviços devem entrar em operação no primeiro semestre de 2026.
O segundo eixo envolve a implantação do hospital inteligente (ITMI), com expectativa de reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em urgência e emergência. Já o terceiro eixo prevê a modernização de hospitais de excelência do SUS e a criação de novos serviços inovadores em diferentes regiões do país.
Para especialistas da área, como a médica Ludhmila Abrahão Hajjar, professora da Faculdade de Medicina da USP, o projeto representa uma transformação estrutural no cuidado com a população. “Não estamos falando apenas de um hospital, mas de uma nova forma de entregar saúde pública com justiça social e igualdade de acesso”, afirmou.






