O Carnaval de 2026 deve gerar um impacto expressivo na economia brasileira, com projeções que indicam uma movimentação entre R$ 14 bilhões e R$ 18,6 bilhões em todo o país. Na capital catarinense, o cenário é especialmente promissor. Florianópolis vive uma temporada de verão de alta intensidade, e dados oficiais do município estimam mais de 3 milhões de turistas ao longo da temporada 2025/2026. Esse volume inclui o período do Carnaval, tradicionalmente marcado por forte presença de visitantes nacionais e estrangeiros.
Especificamente durante os dias de folia, os números também impressionam. Levantamentos do setor turístico indicam que a ocupação hoteleira já supera 90%, enquanto a expectativa é de que cerca de 1 milhão de turistas passem pela cidade no período — um dos maiores picos de público do ano. O desempenho é atribuído ao acesso do fluxo de visitantes, à diversificação de eventos e à ampliação da oferta de serviços ligados ao turismo e à economia criativa.
Com a intensificação das atividades no Carnaval, empreendedores do setor veem aumento na demanda por hospedagem, alimentação, transporte e serviços culturais. No entanto, especialistas apontam que o desempenho durante a alta temporada não garante equilíbrio financeiro ao longo do ano. A organização das finanças passa a ser considerada um fator central para a continuidade dos negócios após o período de maior movimento.
Líder da XP em Santa Catarina, Marcelo Pedroso avalia que o momento de maior faturamento deve ser utilizado para estruturar o capital de giro das empresas. Segundo ele, o planejamento financeiro deve considerar tanto o período de alta quanto os meses de menor demanda. A orientação é que os empreendedores façam o levantamento de receitas e despesas atuais e projetem entradas e saídas durante a baixa temporada, com base em dados anteriores, quando disponíveis.
O acompanhamento do fluxo de caixa também é apontado como necessário. O controle mensal das receitas e dos custos permite identificar variações, despesas fixas e eventuais desequilíbrios financeiros. Ferramentas digitais e sistemas de gestão podem auxiliar nesse acompanhamento e na tomada de decisões.
Outro ponto destacado é a criação de reservas financeiras para períodos de menor movimento. De acordo com Marcelo, a definição de metas e a separação de recursos ajudam a reduzir a dependência de crédito em momentos de queda de faturamento. “O acesso a produtos financeiros adequados ao perfil de cada negócio pode contribuir para a preservação dos recursos”, acrescenta.
O líder da XP também ressalta a importância da articulação entre empreendedores, fornecedores e agentes do setor turístico. Parcerias podem facilitar negociações e reduzir custos operacionais. Além disso, a avaliação criteriosa de linhas de crédito disponíveis no mercado é apontada como necessária, considerando taxas, prazos e impacto no caixa das empresas.
Segundo o especialista, o planejamento financeiro depende do acesso a informações consistentes, da análise do momento do negócio e da definição de objetivos para o médio e longo prazo, fatores que influenciam a permanência das atividades após o período do Carnaval.






