A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), por meio do campus de Balneário Camboriú, realizou no último sábado, 7 de março, uma visita à comunidade quilombola Morro do Boi, localizada no bairro Nova Esperança, em Balneário Camboriú, no estado de Santa Catarina. A iniciativa foi conduzida por representantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) e do Projeto Mancala, com o objetivo de fortalecer o diálogo, a troca de experiências e a construção de parcerias com o território.
A comunidade está situada a cerca de quatro quilômetros do campus universitário e tem se tornado um espaço estratégico para o desenvolvimento de ações de extensão universitária, educação e valorização cultural, aproximando a universidade das comunidades tradicionais da região.

Quilombo Morro do Boi
A comunidade quilombola Morro do Boi teve seu reconhecimento oficial consolidado em novembro de 2023 por meio de portaria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). O processo de reconhecimento teve como base a certificação concedida em 2009 pela Fundação Cultural Palmares, além de estudos antropológicos que confirmaram a descendência de pessoas escravizadas entre moradores da localidade.
De acordo com a diretora de Extensão, Cultura e Comunidade da UDESC Balneário Camboriú, Debora Esteves, a visita teve como foco ampliar o diálogo institucional e fortalecer os vínculos entre a universidade e a comunidade quilombola.
“Nos orgulhamos de ser um centro altamente engajado nas causas antirracistas, com um NEAB atuante, uma biblioteca de referência que destaca em seu acervo autores negros e um projeto de extensão universitária inovador que promove a cultura afro por meio de jogos tradicionais de tabuleiro, o Projeto Mancala”, destacou.
Projeto Mancala
Um dos momentos centrais da visita foi a apresentação do Projeto Mancala, coordenado pelo professor Damianni Sebrão. A iniciativa utiliza jogos tradicionais africanos como ferramenta de educação, valorização cultural e aprendizado.
Segundo o professor, o projeto está fundamentado nos princípios da decolonialidade, conceito que busca libertar a produção de conhecimento, a cultura e as relações sociais da influência eurocêntrica imposta pela colonização.
“O projeto resgata e valoriza saberes ancestrais, estimulando novas formas de pensar, aprender e conviver. A iniciativa envolve a produção de materiais didáticos, a realização de oficinas em escolas públicas e a formação de estudantes que atuam como mediadores das atividades. Com essas ações, buscamos fortalecer o diálogo entre universidade e comunidade, ampliar o reconhecimento das matrizes culturais africanas na educação básica e oferecer experiências de aprendizagem lúdicas, críticas e inclusivas”, explicou.
Após a apresentação, Debora Esteves também ressaltou o potencial do projeto para contribuir com o desenvolvimento da comunidade. Segundo ela, há previsão de que o Morro do Boi possa se tornar um Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura (MinC), o que abre espaço para novas iniciativas de empreendedorismo cultural e geração de renda sustentável.
“Acreditamos que os jogos abordados pelo projeto podem agregar valor histórico e cultural, contribuindo inclusive para a economia comunitária e o fortalecimento da identidade cultural da comunidade”, afirmou.
A visita reforça o compromisso da UDESC Balneário Camboriú com ações de extensão universitária voltadas ao território onde está inserida, promovendo iniciativas que valorizam a diversidade cultural, a justiça social e o reconhecimento das comunidades tradicionais em Santa Catarina.






