Empresários de Santa Catarina debatem internacionalização, tributação e oportunidades de negócios no Paraguai durante encontro do CEJESC

Empresários de Santa Catarina debatem internacionalização, tributação e oportunidades de negócios no Paraguai durante encontro do CEJESC

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O ambiente de negócios do Paraguai, os processos de internacionalização empresarial e as oportunidades de expansão para empresas brasileiras dentro do Mercosul estiveram entre os principais temas debatidos durante a Assembleia Geral Ordinária do Conselho Estadual de Jovens Empreendedores de Santa Catarina, realizada em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina. O encontro reuniu mais de 200 empresários de diferentes regiões do estado.

O presidente da CN Mercosul, Jonathan Roger Linzmeyer, participou da programação com a palestra “Paraguai: A nova fronteira estratégica para o empresário brasileiro”. Durante a apresentação, ele destacou fatores que vêm impulsionando a migração de empresas brasileiras para o país vizinho, especialmente em busca de menor carga tributária, redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos empresariais.

Segundo o especialista, o Paraguai deixou de ser apenas uma alternativa pontual para se consolidar como uma plataforma estratégica de expansão internacional para empresas de diferentes segmentos. A abordagem também incluiu prestadores de serviço e profissionais liberais, demonstrando que o movimento de internacionalização pode representar oportunidades para áreas técnicas, consultivas, criativas e especializadas.

Ele ressaltou ainda que as palestras e missões empresariais promovidas pela entidade buscam ampliar a compreensão dos empresários brasileiros sobre a realidade econômica e cultural do país vizinho.

“Compreender a cultura local é essencial para empresas que pretendem iniciar operações internacionais com mais segurança e planejamento”, afirmou.

Sistema tributário e incentivos

Entre os principais atrativos apresentados está o sistema “Triple 10”, modelo tributário paraguaio que estabelece alíquotas de 10% para imposto de renda empresarial, 10% para imposto de renda pessoa física e 10% para imposto sobre valor agregado.

Na comparação apresentada durante a palestra, a carga tributária empresarial no Brasil pode chegar a 34%, tornando o modelo paraguaio um dos principais pontos de atenção para empresários que buscam competitividade e redução de custos.

Outro destaque foi a nova Lei de Maquila, aprovada em 2025, que modernizou o regime de exportações do Paraguai. Pelo modelo, empresas estrangeiras podem instalar operações no país, importar insumos com isenção fiscal e exportar a produção com tributação única de 1% sobre o valor agregado nacional.

Segundo os dados apresentados, as exportações via maquila atingiram US$ 1,3 bilhão em 2025, sendo 65% destinadas ao Brasil. A legislação também passou a contemplar a chamada “Maquila de Serviços”, incluindo segmentos ligados à tecnologia, comunicação e serviços digitais.

Custos operacionais e vantagens competitivas

Durante a apresentação, também foram exibidos comparativos relacionados aos custos operacionais, como o valor da energia elétrica — impulsionado pela produção das usinas de Itaipu e Yacyretá — além dos encargos trabalhistas.

Segundo os dados compartilhados, os encargos no Paraguai estão em torno de 16,5%, enquanto no Brasil podem chegar a aproximadamente 70%.

“Uma empresa com 100 funcionários pode economizar mais de R$ 500 mil por ano em encargos trabalhistas ao operar no Paraguai”, destacou Jonathan Linzmeyer.

Interesse empresarial cresce no estado

Para o presidente do CEJESC, Guilherme Henrique Figueiredo, a palestra despertou forte interesse dos participantes pelas possibilidades de negócios internacionais.

“A palestra foi muito rica em conteúdo, específica e clara. Foi alvo de elogios de vários coordenadores e participantes presentes na Assembleia. Muitos se interessaram por missões empresariais para o Paraguai, para conhecer melhor essa realidade”, ressaltou.

Segundo ele, os exemplos apresentados ajudaram os empresários a compreender tanto os desafios quanto as oportunidades relacionadas ao processo de expansão internacional.

A participação em eventos voltados ao empreendedorismo, gestão estratégica e leitura de mercado tem aproximado empresários catarinenses de novas possibilidades de crescimento e inserção competitiva no mercado internacional.

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