Dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) apontam avanço da segurança alimentar e nutricional na Região Sul entre 2022 e 2024. No período, o percentual de domicílios em situação de segurança alimentar passou de 51,8% para 86,4%, enquanto os registros de insegurança alimentar grave caíram de 9,9% para 1,7%.
Em números absolutos, cerca de 2,5 milhões de pessoas deixaram de enfrentar situação de fome na região, enquanto aproximadamente 10,9 milhões passaram a viver em condição de acesso regular à alimentação, segundo levantamento que compara dados da Rede Penssan e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Os resultados são associados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) ao fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), retomado em 2023 e que completa 20 anos em 2026.
De acordo com a pasta, a integração entre políticas públicas contribuiu para ampliar o acesso à alimentação adequada e reduzir os níveis de vulnerabilidade social.
Os dados mostram ainda redução da insegurança alimentar leve, que caiu de 26,5% para 9,7% dos domicílios no Sul. Já a insegurança alimentar moderada passou de 11,8% para 2,1% no mesmo intervalo.
Segundo a metodologia da EBIA, a insegurança leve representa preocupação com a falta de alimentos no futuro; a moderada indica redução na qualidade da alimentação; e a grave corresponde à situação de fome.
A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do ministério, Valéria Burity, destacou que os indicadores refletem a integração de políticas públicas para garantir o direito à alimentação adequada.
Segundo ela, o sistema reúne ações intersetoriais com participação dos diferentes níveis de governo e da sociedade civil para ampliar o alcance das iniciativas de combate à fome.
Expansão do sistema
A reestruturação do modelo também ampliou a adesão municipal em todo o país. O número de municípios participantes passou de 536, ao fim de 2022, para 2.297 em junho de 2026.
Na Região Sul, o número de adesões mais que dobrou, passando de 239 para 489 municípios no período. Todos os estados brasileiros e o Distrito Federal já aderiram ao sistema.
Entre os instrumentos integrados ao modelo estão o Plano Brasil Sem Fome, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan), além de programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa Cisternas.
Indicadores na região
Dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram ampliação das políticas públicas ligadas ao tema no Sul.
Em 2024, 57% dos municípios possuíam Conselhos Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional, 34% contavam com Câmaras Intersetoriais e 40% já tinham legislação específica sobre o tema.
Além disso, 68% dos municípios desenvolviam ações de promoção da alimentação adequada, 76% operavam benefícios eventuais para famílias vulneráveis, 43% participavam do PAA e 83% adquiriam alimentos da agricultura familiar para alimentação escolar.
A região também contabilizou 68 restaurantes populares, 68 cozinhas comunitárias, 54 bancos de alimentos e 88 centrais de recebimento da agricultura familiar.






