Blumenau avançou seis posições no Global Startup Ecosystem Index Report 2026, alcançando a 606ª colocação entre as mil principais cidades do mundo em ecossistema de startups. O desempenho acompanha o crescimento da inovação no Brasil, que registrou alta de 17,7% no índice — ritmo quatro vezes superior à média mundial, de 10,3% — e ampliou de 28 para 32 o número de cidades brasileiras presentes no ranking global. O cenário reforça o fortalecimento de polos regionais de inovação além das capitais tradicionais.
O posicionamento da cidade no cenário internacional reflete a maturidade de um ecossistema que reúne empresas especializadas em cloud computing, inteligência artificial e fintechs B2B, segmentos de alta complexidade técnica que atendem mercados de dezenas de bilhões de reais em âmbito nacional e internacional.
Para o presidente da ACATE, Diego Ramos, o avanço da tecnologia em diferentes regiões do estado representa um ativo estratégico para Santa Catarina.
“A descentralização permite que os ecossistemas locais se especializem, criem soluções próprias e atraiam talentos. O resultado é um setor mais resiliente, menos dependente de uma única região e capaz de gerar impacto econômico em escala regional.”
Empresas de Blumenau impulsionam inovação e crescimento
A Premiersoft, empresa de tecnologia fundada em Blumenau há mais de 15 anos, atende grandes corporações nacionais e internacionais com soluções de modernização de sistemas legados, consultoria e inteligência artificial. Com mais de 250 colaboradores, a companhia dobrou sua base de clientes em 2025 e anunciou, em março deste ano, Breno Masi, ex-executivo de iFood e Movile, como novo sócio-investidor, reforçando seu plano de expansão.
Segundo o CEO Rodrigo Hülsenbeck, a cidade oferece um ambiente favorável para a formação de equipes altamente qualificadas.
“O ecossistema de Blumenau permite construir equipes técnicas estáveis, com qualidade de vida, custo competitivo e proximidade entre empresas de tecnologia. Essa base é fundamental para atender clientes de grande porte.”
Outra empresa que demonstra a força do ecossistema é a Dati, consultoria especializada em cloud e inteligência artificial com foco em Amazon Web Services (AWS). A empresa cresceu de cinco para mais de 90 colaboradores, atende mais de 250 clientes e acumula mais de 180 certificações técnicas. Em 2025, foi reconhecida pela AWS como Parceira Revelação do Ano em Serviços de Consultoria na América Latina.
Para o fundador Diego Alexandre, o avanço da cidade no ranking internacional evidencia um ambiente consolidado para formação de profissionais especializados.
“Conseguimos construir uma equipe altamente qualificada operando a partir de Blumenau. O crescimento da cidade reflete um ecossistema capaz de desenvolver conhecimento técnico consistente e sustentável.”
A Vertrau Tecnologia, especializada em infraestrutura tecnológica para o mercado de crédito estruturado, também representa a evolução do setor. A fintech atua em um segmento que movimentou R$ 741,1 bilhões em 2025, segundo dados da ANBIMA, e projeta crescimento de 400% em 2026, elevando seu faturamento de R$ 1,5 milhão para R$ 8,1 milhões.
A solução desenvolvida pela empresa reduz processos de estruturação de FIDCs de até nove meses para apenas 45 dias, integrando cerca de 65% das administradoras de investimentos e os principais fundos desse mercado.
Segundo o fundador Dionathan Henchel, a evolução do município reflete a capacidade de gerar empresas competitivas em mercados altamente especializados.
“Blumenau forma empresas capazes de resolver problemas complexos. O avanço no ranking global demonstra a maturidade de um ecossistema que gera conhecimento, atrai talentos e cria negócios competitivos muito além das fronteiras regionais.”
Indicadores econômicos reforçam crescimento do setor
O fortalecimento do ecossistema tecnológico também aparece nos indicadores econômicos. Entre 2023 e 2024, a arrecadação de ISS sobre atividades de tecnologia em Blumenau cresceu 12%, passando de R$ 52,3 milhões para R$ 58,7 milhões, conforme dados do Observatório ACATE. O resultado evidencia a consolidação de uma base diversificada de empresas, somada à chegada de grandes companhias de tecnologia ao município.
Outro tema destacado é a reforma tributária, que entra em vigor a partir de 2026 e substituirá o ISS e o ICMS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), alterando o modelo de arrecadação dos municípios.
Para César Griebeler, presidente da Blusoft e vice-presidente de Integração da ACATE, a mudança traz desafios, mas também oportunidades para o setor.
“A reforma muda a lógica de concentração das receitas e pode gerar impactos distintos entre os municípios. Ao mesmo tempo, cria um ambiente de maior simplificação e previsibilidade. Para as empresas de tecnologia, abre espaço para ampliar mercados e fortalecer a atuação internacional durante esse período de transição.”






