Uma nova ameaça de paralisação nacional dos caminhoneiros voltou a preocupar transportadoras, embarcadores e consumidores em todo o país. O motivo é o impasse no Senado Federal em torno da Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, que pode perder a validade nesta quinta-feira (16) caso não seja votada dentro do prazo.
A categoria pressiona o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para incluir a proposta na pauta antes do encerramento do prazo. Entidades representativas afirmam que uma greve nacional poderá ser convocada caso o texto perca a validade sem análise dos senadores.
O que é a MP do Frete e por que ela pode perder validade?
A MP 1.343/2026 foi editada pelo governo federal em março com o objetivo de reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário de cargas.
Entre os principais pontos, a medida estabelece a obrigatoriedade do registro das operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) e cria mecanismos de punição para empresas que contratarem serviços abaixo dos valores mínimos definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas está sem votação no plenário do Senado há cerca de três semanas. Como se trata de uma medida provisória, existe um prazo constitucional para análise pelo Congresso. Caso não seja votada até quinta-feira, a norma perde eficácia e suas regras deixam de valer.
Por que os caminhoneiros ameaçam paralisação?
Lideranças da categoria, incluindo o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, atribuem a demora na votação ao comando do Senado.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Landim afirmou que o presidente da Casa será responsabilizado caso a medida provisória expire sem apreciação.
Em outro lado do debate, representantes ligados ao agronegócio, à indústria e aos embarcadores questionam o aumento das regras de fiscalização previstas no texto. Segundo essas entidades, as mudanças podem elevar os custos logísticos do transporte de cargas no país.
Quando a paralisação pode começar?
Até o momento, não existe uma data oficial de greve definida por todas as entidades que representam os caminhoneiros.
Parte das lideranças chegou a mencionar a possibilidade de mobilização imediata caso a matéria não fosse incluída na pauta do Senado, mas o movimento ainda não reúne consenso entre todos os grupos.
A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos informou que uma eventual paralisação depende de decisões tomadas em assembleias organizadas pelos sindicatos de base.
Possíveis impactos em Santa Catarina
Paralisações anteriores da categoria já provocaram impactos em rodovias de Santa Catarina, incluindo a BR-470 e a BR-101, importantes corredores para o transporte de mercadorias no Vale do Itajaí e para o acesso aos portos de Itajaí e Navegantes.
Em mobilizações anteriores, o Estado registrou filas em postos de combustíveis e alterações nos preços dos produtos, mesmo sem bloqueios permanentes nas estradas.
Caso uma nova paralisação seja confirmada, setores ligados ao abastecimento, transporte e logística podem enfrentar novos reflexos.
Senado ainda não incluiu proposta na pauta
Até o fechamento desta reportagem, a Presidência do Senado Federal ainda não havia incluído a MP do Frete na pauta do plenário.
O acompanhamento da votação segue em atualização conforme novas informações forem divulgadas.






