Potência têxtil impulsiona ascensão do activewear com marcas como a Bee Gracie

Potência têxtil impulsiona ascensão do activewear com marcas como a Bee Gracie

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Santa Catarina não é apenas um dos grandes polos industriais da moda brasileira. É também um território onde tradição e inovação vêm se encontrando para criar novos códigos de vestir. Se durante décadas o Estado ganhou reconhecimento pela força da indústria têxtil e da confecção, agora uma nova geração de marcas catarinenses ajuda a projetar para o mercado um conceito que vem conquistando espaço no guarda-roupa feminino: a moda que une conforto, funcionalidade, sofisticação e personalidade.

Dados divulgados pelo Sebrae/SC em 2026 mostram a dimensão desse mercado: o Estado reúne mais de 107 mil empresas da indústria e do comércio ligadas ao setor da moda e responde por mais de 26% da produção nacional de vestuário. A unidade federativa também concentra 23,3% dos postos de trabalho diretos da cadeia, quase o dobro da média brasileira.

É nesse cenário que conceitos como comfy, activewear e athleisure deixam de ser apenas tendências passageiras para representar uma transformação no comportamento de consumo. A roupa esportiva já não está restrita à academia, assim como o conforto deixou de ser associado exclusivamente ao ambiente doméstico. A mulher contemporânea quer uma peça capaz de acompanhá-la em diferentes momentos do dia, sem precisar escolher entre beleza e bem-estar.

É justamente nessa fronteira entre performance e estilo que se posiciona a catarinense Bee Gracie, marca criada por Lyra Gracie e desenvolvida em Florianópolis. A empresa nasceu em 2024 e foi oficialmente lançada em 2025 com a proposta de elevar o conceito de activewear, combinando tecidos de alta performance, modelagens femininas, estampas autorais e uma estética que ultrapassa os limites do treino.

O movimento já apresenta resultados expressivos. Segundo levantamento publicado pelo Informe Floripa em julho de 2026, a marca registrou crescimento superior a 700% desde o início da operação, ultrapassou 700 clientes e comercializa, em média, 300 peças por mês. A grife já atende consumidoras de diferentes estados brasileiros e iniciou envios para os Estados Unidos. A expectativa é dobrar o faturamento ao longo de 2026.

A estratégia também passa pela exclusividade. A marca trabalha com coleções menores e estampas próprias — atualmente são 16 estampas exclusivas —, em uma proposta que se distancia da lógica da produção massificada.

É dentro dessa evolução que chega agora Tsuru Noir, uma das novidades da grife para este inverno. A coleção nasce de uma das estampas mais marcantes da história recente da marca: a Tsuru. O sucesso da padronagem entre as clientes levou a uma decisão inédita — pela primeira vez, uma estampa é relançada sobre um novo fundo.

Mais intenso, sofisticado e atemporal, o novo fundo transforma completamente a percepção da estampa original e aproxima a peça de uma estética de inverno, marcada por tons mais sóbrios e terrosos. A proposta, entretanto, vai além da mudança cromática.

Para apresentar a nova coleção, a marca mergulha em uma atmosfera inspirada no universo country, tendo os cavalos como protagonistas da narrativa visual. O animal aparece como símbolo de liberdade, força, coragem, movimento e conexão — elementos que dialogam diretamente com a mulher que a empresa deseja representar.

A estratégia acompanha uma mudança importante no próprio conceito de activewear. Para a companhia, a roupa esportiva não precisa terminar quando o treino acaba. A calça pode seguir para o almoço, o macacão pode transitar por diferentes compromissos e o moletom pode ganhar protagonismo em uma produção casual.

A trajetória da Bee Gracie ajuda a ilustrar um movimento maior da moda catarinense: a capacidade de uma indústria tradicional se reinventar a partir de novos comportamentos de consumo.

O Estado já ocupa posição estratégica na cadeia nacional. Segundo a entidade, Santa Catarina é o quinto estado brasileiro em valor adicionado à indústria de transformação e o segundo em participação da indústria de transformação no PIB. O segmento de vestuário está entre os que mais empregam na região, ao lado da indústria de alimentos.

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