CONFUSÃO A BORDO
Desde a última segunda-feira, (14), passageiros sem bom senso e que costumam bradar desde o balcão de check in até dentro da aeronave, envolvidos em episódios graves de indisciplina, finalmente poderão ser impedidos de voar por até um ano em todas as companhias aéreas que operam no mercado doméstico brasileiro. A medida está prevista na Resolução nº 800 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), publicada em março deste ano e retificada em agosto, e cria novas responsabilidades também para empresas que utilizam o transporte aéreo em suas operações. A regulamentação da Anac estabelece diferentes níveis para as condutas consideradas indisciplinadas e determina períodos de suspensão para os casos classificados como gravíssimos. A penalidade será de seis meses para situações como violência física ou agressões contra a dignidade de tripulantes ou passageiros. Já comportamentos como porte de arma ou explosivo a bordo e atos que impeçam a operação do voo podem resultar em suspensão de 12 meses. Nos casos graves e gravíssimos, o passageiro também poderá ser multado em até R$ 17,5 mil, após apuração em processo administrativo da própria Anac.

ABRANGÊNCIA DA MEDIDA

Mais do que elevar as punições, porém, a resolução muda a abrangência da medida. A companhia aérea responsável pela suspensão deverá compartilhar simultaneamente os dados de identificação do passageiro com as demais empresas. Durante o período determinado, as transportadoras ficam obrigadas a impedir a emissão de bilhetes, bloquear o check-in e impedir o embarque daquele viajante. Na prática, nasce uma lista de suspensão válida para o sistema aéreo doméstico inteiro. A mudança ganha relevância diante do aumento dos episódios registrados no país. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apontam que foram contabilizados 1.764 casos de passageiros indisciplinados em 2025, ante 1.059 no ano anterior, crescimento de 66%. Entre as ocorrências consideradas graves, o número passou de 222 para 288 no mesmo intervalo. O pleito pela regra foi feito abertamente pelo setor. Em agosto de 2025, no palco do Travel Connect, evento promovido pela Voll, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier.

VIAGENS CORPORATIVAS

Embora a discussão sobre passageiros indisciplinados esteja tradicionalmente associada à relação entre viajante e companhia aérea, a nova regra amplia o alcance do problema para dentro das empresas. Isso porque uma suspensão que vale para todo o transporte aéreo doméstico pode comprometer diretamente a rotina de profissionais que dependem de deslocamentos frequentes. Dessa forma, o tema passa a envolver áreas como recursos humanos, jurídico, compliance e gestão de viagens. Um funcionário que seja incluído na lista não ficará impedido apenas de realizar uma viagem específica: dependendo da penalidade aplicada, poderá ficar até um ano sem utilizar o transporte aéreo doméstico. Um colaborador suspenso não perde um voo, perde todos os voos, por até um ano. Se a função dele depende de viajar, isso deixou de ser um incidente de viagem e virou um tema de gestão de pessoas, com desdobramento em contrato de trabalho, código de conduta e continuidade de operação. A maioria das políticas internas que conheço foi escrita para um mundo em que esse risco não existia. Para empresas com equipes comerciais, executivos ou profissionais que realizam deslocamentos constantes, a consequência pode ultrapassar o custo de uma passagem perdida. A impossibilidade de embarcar pode afetar agendas, reuniões presenciais, visitas a clientes, eventos e outras atividades que dependem da mobilidade aérea.

MECANISMOS DE DEFESA
A resolução também prevê mecanismos de defesa para o passageiro. A companhia deverá responder, em até cinco dias, a eventuais reclamações relacionadas à inclusão na lista de suspensão. Além disso, os demais voos já contratados para o período em que a penalidade estiver vigente deverão ser reembolsados integralmente. Outro ponto que merece atenção das empresas está nos dados de contato utilizados para a comunicação com o passageiro. As notificações relacionadas a atos de indisciplina e eventuais suspensões serão consideradas válidas quando encaminhadas aos contatos informados pelo próprio viajante. No ambiente corporativo, isso pode exigir uma revisão dos cadastros mantidos por empresas, agências de viagens e plataformas de gestão. O cuidado é especialmente relevante quando as reservas são realizadas por terceiros, como assistentes, departamentos administrativos ou agências especializadas. Se a notificação de uma suspensão for enviada a um e-mail que o colaborador não acessa, o prazo para a defesa corre do mesmo jeito. A recomendação imediata para as empresas é simples e barata: revisar quais dados de contato constam nos perfis de viajante antes de 14 de setembro. A orientação, portanto, é que as empresas verifiquem se os dados de contato dos funcionários estão atualizados nos sistemas utilizados para reservas e gestão de viagens e avaliem se seus códigos de conduta e políticas internas contemplam as possíveis consequências de um episódio de indisciplina a bordo.

MODELO NACIONAL
A abrangência da regulamentação brasileira também é apontada como um diferencial em relação ao modelo adotado nos Estados Unidos. As companhias aéreas norte-americanas mantêm suas próprias listas de passageiros indisciplinados, sem uma obrigação equivalente de compartilhamento entre todas as empresas. No Brasil, a determinação prevê justamente a comunicação dos dados entre as transportadoras. Com isso, a suspensão aplicada por uma companhia passa a produzir efeitos sobre o acesso ao transporte aéreo doméstico como um todo. A medida acompanha uma tendência internacional de endurecimento contra comportamentos que colocam em risco a segurança dos voos. Nos Estados Unidos, a Federal Aviation Administration (FAA) adotou uma política de tolerância zero para passageiros indisciplinados em 2021, em resposta ao aumento de ocorrências durante a pandemia. O tema continua sendo acompanhado globalmente pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que considera os passageiros indisciplinados um desafio para a segurança e a operação da aviação.

TECNOLOGIA, TALENTO & FOCO

Tecnologia, talento e um foco inabalável no cliente serão cruciais para manter a competitividade à medida que o setor de viagens entra em sua próxima fase de crescimento, de acordo com líderes seniores do setor presentes no Arabian Travel Market (ATM) 2026. As informações foram reveladas durante a mesa-redonda executiva “Da Recuperação à Prontidão: Moldando o Futuro do Ecossistema de Viagens”, apresentada pela FUTURE& no ATM Experience Hub. A sessão reuniu tomadores de decisão de alto nível dos setores de destinos, hotelaria, tecnologia, viagens digitais e pagamentos para examinar como as organizações podem fortalecer sua preparação para o futuro. As mudanças nas expectativas dos viajantes estiveram entre os principais temas da pauta, com os participantes destacando a crescente demanda por planejamento simplificado, maior personalização e experiências mais integradas ao longo de toda a jornada do cliente.

IA E TECNOLOGIAS EMERGENTES

Embora se espere que a IA e as tecnologias emergentes desempenhem um papel cada vez mais significativo em todo o setor, os participantes também enfatizaram a importância das pessoas na oferta de experiências de viagem memoráveis. Maha Nizam, Chefe de Marketing da Visa para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), disse: “Viajar é uma experiência muito humana e pessoal. A tecnologia pode nos ajudar a oferecer experiências mais personalizadas, mas, em última análise, deve elevar o que as pessoas podem fazer dentro de uma organização. A IA e a tecnologia continuarão a atrair investimentos, mas são as nossas pessoas, os nossos funcionários e os nossos consumidores que refletem a jornada, o que uma empresa representa e como podemos servir melhor os viajantes.” A centralidade no cliente também foi identificada como uma consideração fundamental para as empresas que buscam equilibrar prioridades comerciais e operacionais concorrentes. Liam Findlay, CEO da Miral Destinations, afirmou: “Todas as nossas conversas, sejam sobre receita ou desenvolvimento de produtos, sempre voltam ao cliente em primeiro lugar. O que o cliente deseja e como ele reagirá? As prioridades sempre serão diferentes em nosso setor, mas para nós é simples: o cliente é sempre o número um. Tudo o que fazemos como organização na Miral é guiado por essa prioridade, desde a alta administração até os níveis operacionais.”

PREPARAÇÃO PARA O FUTURO

À medida que o setor de viagens entra em sua próxima fase de crescimento, a preparação para o futuro emerge como uma prioridade competitiva para empresas de todo o setor. Com a evolução das expectativas dos viajantes e a aceleração das mudanças tecnológicas, os líderes do setor estão direcionando sua atenção da recuperação de curto prazo para as capacidades, parcerias e decisões de investimento necessárias para impulsionar o crescimento a longo prazo e manter a vantagem competitiva. Danielle Curtis, Diretora Regional de Portfólio – Emirados Árabes Unidos, RX Global, disse: “A preparação para o futuro consiste em transformar a mudança em vantagem competitiva. As decisões que as empresas tomam hoje em relação à tecnologia, talentos e experiência do cliente determinarão a eficácia com que poderão responder às oportunidades futuras.” Realizada sob o tema “Viagens 2040: Impulsionando Novas Fronteiras por meio da Inovação e da Tecnologia”, a ATM 2026 examina como a inteligência artificial, a transformação digital, a mobilidade inteligente e as expectativas em constante evolução dos viajantes estão influenciando o futuro do turismo. O programa de mesas-redondas do Experience Hub complementa a agenda mais ampla da conferência ATM com discussões focadas entre profissionais do setor, reunindo especialistas para trocar experiências práticas, compartilhar realidades comerciais e insights operacionais.

MOLDANDO O FUTURO

Na cerimônia de gala do World Travel Awards Middle East, os troféus contaram uma história: a de uma região que opera em um nível cada vez mais sofisticado de viagens e hospitalidade. Para os líderes reunidos na sala, o futuro das viagens está sendo definido pelo que acontece quando um passageiro chega: a rapidez com que suas necessidades são compreendidas, a fluidez com que a tecnologia apoia a jornada e a consistência com que uma promessa é cumprida. “O cliente está no centro de tudo o que fazemos”, disse Jenefer Jackson, Vice-Presidente Sênior de Produtos de Bordo e Planejamento de Hospitalidade da Emirates. “Investimos na experiência do cliente. É o nosso foco principal.” Essa filosofia de priorizar o cliente foi talvez o tema mais recorrente da noite. De companhias aéreas e salas VIP de aeroportos a hotéis de luxo, atrações turísticas e empresas de gestão de destinos, os vencedores dos prêmios reiteraram o mesmo princípio: o sucesso é, em última análise, medido pela experiência do viajante. Para a Emirates, isso significa usar a inovação para antecipar o que os clientes desejarão no futuro, com Jackson revelando importantes desenvolvimentos planejados para os próximos três a cinco anos. No Fairmont, a ênfase é semelhante: antecipar expectativas e elevar continuamente os padrões.

SALAS “VIPS” NO BRASIL
Falando em salas vips, aqui no Brasil, a impressão que tenho é que um cozinheiro faz a mesma comidas para todas as salas. Uma gororoba. Tudo tem o mesmo gosto, são sempre as mesmas coisas e, se bobear, você ainda é roubado ou teu cartão clonado, a exemplo do meu, em uma das salas vips de Guarulhos. No meu caso, quando tenho tempo entre uma conexão e outro, procuro um restaurante conveniado com o cartão, você será muito melhor atendido e com ótimas opções.

HOSPEDES EM PRIMEIRO LUGAR

Para o Fraser Suites Diplomatic Area, que conquistou seu sexto prêmio World Travel Award consecutivo, a fórmula é mais direta. “Coloque sempre os hóspedes em primeiro lugar em todas as decisões operacionais”, disse Chris Fraser. A ênfase na consistência foi marcante. Vencer uma vez traz reconhecimento; vencer repetidamente sugere uma cultura capaz de sustentar o desempenho. O Plaza Premium Lounge, celebrando mais um ano de sucesso, apontou a consistência como fundamental. A organização está em expansão, enquanto suas equipes permanecem focadas em oferecer o mesmo nível de serviço aos passageiros e às companhias aéreas parceiras. Na The Ascott Limited, Shashi Shetty descreveu uma expansão impressionante na região, de três propriedades há uma década para 42 no Oriente Médio, África e Turquia, mantendo o foco na experiência do hóspede, na confiança dos proprietários e no trabalho em equipe. Seu portfólio atende cada vez mais viajantes de longa duração, corporativos, de lazer e de curta duração. A implicação é significativa: a escala não diminui a importância do atendimento personalizado. Ela aumenta o desafio de oferecê-lo de forma consistente.

DESTINOS & PAIXÕES

Uma das ideias mais fortes que emergiu das discussões mais amplas sobre o turismo é a ascensão do que vem sendo descrito como “turismo de paixão”: viagens organizadas em torno de coisas que realmente interessam às pessoas, em vez de seguir uma lista convencional de destinos. O conceito subverte o modelo tradicional de destinos turísticos. Em vez de perguntar como persuadir alguém a visitar um determinado lugar, os destinos podem cada vez mais perguntar quais são as paixões dos viajantes e, então, criar experiências em torno desses interesses. Essa linha de pensamento já se mostra evidente nas conversas com os vencedores do World Travel Awards. Patricia, CEO do Hotel Butique Quinta Três Marias, em Paracuru/CE, por exemplo, está desenvolvendo experiências em torno do que descreve como uma autêntica vivência, combinando hospitalidade com entretenimento, cultura, bem-estar, aventura, natureza e muita tranquilidade. Trata-se de uma mudança sutil, porém importante, na forma como o setor entende a demanda. O destino continua sendo importante, mas torna-se cada vez mais o cenário para algo mais pessoal.

A tecnologia está acelerando essa mudança. A inteligência artificial consegue conectar os interesses de um viajante com destinos, operadores e itinerários, enquanto dados de clientes cada vez mais sofisticados permitem que hotéis, companhias aéreas e atrações personalizem a experiência assim que o viajante chega. A oportunidade para a cadeia do turismo é particularmente significativa, mas a próxima etapa pode ser menos sobre convencer as pessoas a visitá-la e mais sobre dar-lhes uma razão pessoal convincente para fazê-lo. Antes de tudo é preciso conectividade e segurança. Nesse sentido, a paixão pode se tornar uma das formas mais poderosas de marketing de destinos: um viajante não quer simplesmente ver um lugar novo. Ele quer vivenciar algo que lhe seja importante – e os melhores destinos estão aprendendo a encontrá-lo nesse sentido.

EXPERIÊNCIA & DESTINO

Outro tema importante é a ascensão das viagens focadas em experiências. Não se trata apenas do destino, mas de como se trata os hóspedes desde o começo. A mesma filosofia se reflete nas atrações e resorts. O Boqueirão Hotel Fazenda & Resort de Campo se concentra no desenvolvimento contínuo de suas experiências, desde o upgrade em todas as suas instalações até a atenção na experiência do hóspede como sua “prioridade número um”. Entretenimento, instalações diferenciadas e experiências marcantes se combinam com hospitalidade para criar motivos para que os hóspedes retornem. As viagens em família também estão se tornando cada vez mais sofisticadas. No Boqueirão, a proposta vai além das instalações infantis, abrangendo bem-estar, recreação, gastronomia e experiências pensadas também para pais e adultos. O resort se posiciona para acomodar famílias, casais, viajantes individuais, hóspedes corporativos e grupos.

Enquanto isso, o luxo caminha em direção à autenticidade e à profundidade da experiência. O Rio do Rastro Eco Resort, desenvolve programas em torno da “autêntica experiência serrana”, inclusive nas noites de sábado com seu “Galpão Crioulo”, baseando-se em uma combinação fundamental de paisagem, cultura e hospitalidade, natureza, conforto, gastronomia, lazer. Segundo o CEO do Resort, Ivan Cascaes, o apelo duradouro do nosso destino reside em seu “calor humano, natureza vibrante que muda a cada momento e com a hospitalidade transformando esses recursos naturais em uma experiência completa para o visitante”.

TECNOLOGIA & PROPÓSITO HUMANO

A inteligência artificial e a transformação digital estão se infiltrando cada vez mais no setor de viagens, como um facilitador de um serviço melhor. No Castelo Saint Andrews, a ideia é sempre antecipar-se as necessidades dos hóspedes. O objetivo é a antecipação: identificar o que um viajante pode precisar e atender à sua necessidade antes que se torne um problema. A tecnologia, portanto, torna-se uma infraestrutura que apoia a hospitalidade, em vez de um substituto para ela. mas sem dúvida, a mudança mais significativa em relação aos anos anteriores foi a ênfase na resiliência, residindo justamente no fato de suas equipes terem mantido os padrões de qualidade em meio à incerteza. O clima sempre foi de determinação após a pandemia, reconhecendo o impacto no turismo, mas expressando confiança na resiliência inerente, uma vez que a resiliência deve abranger a capacidade de antecipar choques, mitigar seus efeitos, gerenciá-los quando ocorrerem e se recuperar com rapidez suficiente para continuar crescendo. O Castelo possui uma capacidade estratégica, e não apenas uma resposta a interrupções, refletindo uma evolução mais ampla na gestão de destinos. Por conta disso, o sucesso cria seu próprio próximo desafio. Sem dúvidas, o sucesso nunca é completo. No momento em que um objetivo é alcançado, a atenção se volta para o próximo.

BELLA DA SEMANA – JU LOPES

Da contabilidade ao êxtase: descubra como a geminiana Ju Lopes planejou cada detalhe para tirar o seu fôlego nesta quarta (16/09). Nesta última quarta-feira, o Bella da Semana apresentou a maranhense que vai redefinir seus conceitos de tentação: Ju Lopes. Com um rosto de anjo que esconde intenções. É nessa transformação de “menininha” em “mulherão” que o perigo mora. Ela é intensa, animada e vive o “8 ou 80” com uma entrega que você sentirá em cada clique, em cada olhar provocante. O Ensaio já está no ar.

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