Uma importante etapa do processo de construção das Fragatas Classe Tamandaré em Itajaí foi realizada nesta terça-feira (21). A Marinha do Brasil e a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis, responsável pela construção de quatro navios de guerra no município, apresentaram a seção de uma das praças de máquinas de uma futura fragata.
O modelo apresentado, chamado de mockup, reproduz em dimensões reais parte da estrutura do navio e poderá ser utilizado para testes. O próximo passo previsto era o início da fabricação das embarcações, programado para setembro daquele ano.
O Programa Fragatas Classe Tamandaré foi iniciado em 2017 e previa a fabricação de quatro navios de alta complexidade tecnológica em Santa Catarina. O contrato de construção foi assinado em 5 de março de 2020 entre a EMGEPRON, empresa estatal vinculada ao Ministério da Defesa por meio do Comando da Marinha, e a SPE Águas Azuis.
A SPE é formada pela thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa e Segurança e Atech. Na época, os investimentos previstos giravam em torno de R$ 9,1 bilhões, com previsão de entrega das embarcações a partir de 2025.
“Esta apresentação representa um importante passo para o início da fabricação de quatro navios de guerra da Marinha em Itajaí. Um projeto que trará significativos investimentos para a cidade, além da geração de milhares empregos diretos e indiretos, transferência de tecnologia e atração de novas empresas. Será um novo período de prosperidade para o Município, que realizará investimentos para qualificar ainda mais a infraestrutura da cidade”, afirmou o então prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni.
Navios de alta complexidade tecnológica
As Fragatas Classe Tamandaré foram projetadas como escoltas versáteis e modernas, com capacidade de combate, vigilância e reação. As embarcações podem atuar na proteção de áreas marítimas brasileiras e ampliar as operações de busca e salvamento.
Também estão previstas atividades relacionadas ao monitoramento e combate de ações de poluição, pirataria, pesca ilegal e outras ameaças. A construção integra o processo de modernização da Força Naval e de renovação da esquadra brasileira.
As fragatas fabricadas em Itajaí possuem 107 metros de comprimento, 16 metros de largura máxima e 3.380 toneladas de deslocamento. As embarcações podem receber uma tripulação de até 130 militares e atingir velocidade máxima de 25,5 nós, equivalente a 47,2 km/h.
A autonomia é de 5.000 milhas náuticas, aproximadamente 9.260 quilômetros, em velocidade de cruzeiro.
Geração de empregos e transferência de tecnologia
O Programa Fragatas Classe Tamandaré previa a geração de milhares de empregos qualificados a partir da transferência de tecnologia e da utilização de conteúdo local.
Para o primeiro navio, a previsão de conteúdo local era superior a 30%, enquanto as demais embarcações deveriam alcançar índice acima de 40%.
O projeto também previa a contratação de cerca de 2 mil trabalhadores diretos, que receberiam capacitação em projeto e construção de navios de guerra. A estimativa era de geração de outros 6 mil empregos indiretos em Itajaí.






