Pesquisadores confirmaram o uso da Inteligência Artificial como ferramenta eficaz na medicina reprodutiva, com impacto direto na otimização de tratamentos de fertilização in vitro (FIV). O avanço tecnológico contribui para tornar os processos mais rápidos, precisos e personalizados, ampliando as chances de sucesso para pacientes que desejam engravidar.
Um estudo brasileiro, publicado na revista científica internacional F&S Science, ligada à Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, analisou milhares de dados para avaliar o desempenho da tecnologia. Os algoritmos foram treinados para examinar imagens de óvulos e identificar aqueles com maior potencial de desenvolvimento em embriões saudáveis.
Ao todo, foram avaliadas 14.602 imagens de óvulos em 2.156 ciclos de FIV realizados entre 2020 e 2024. Os resultados indicaram que os óvulos com melhores classificações atribuídas pela IA apresentaram maior probabilidade de fertilização e evolução até o estágio ideal para transferência ao útero.
Segundo especialistas envolvidos na pesquisa, o uso da tecnologia reduz a subjetividade nas análises clínicas, ao permitir a leitura de padrões que não são perceptíveis ao olho humano. O diretor científico do Fertgroup destacou que a IA atua como suporte à decisão médica, ampliando a precisão e contribuindo para planejamento mais assertivo dos tratamentos.
Além da seleção de óvulos, a tecnologia também tem sido aplicada na comparação de protocolos hormonais, possibilitando a definição de abordagens terapêuticas conforme o perfil de cada paciente. Em alguns casos, a utilização da IA permitiu a substituição de injeções por medicamentos orais, mantendo a eficácia e reduzindo desconfortos.
Outro avanço relevante está na estimativa da quantidade ideal de óvulos a serem congelados. Com base na análise de dados clínicos e na qualidade das células reprodutivas, a IA oferece projeções mais precisas sobre as chances de gestação futura, o que pode orientar decisões médicas e evitar ciclos adicionais desnecessários.
Ao aumentar a precisão na triagem, a tecnologia também contribui para a redução do número de ciclos de FIV, impactando diretamente os custos financeiros e o tempo de tratamento. Esse cenário favorece o bem-estar das pacientes, ao diminuir a carga emocional associada ao processo.






