O Governo do Brasil lançou na última segunda-feira, 17 de novembro, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA), o Empreender Clima, plataforma inédita criada para apoiar micro e pequenos empreendedores na transição para uma economia verde e de baixo carbono. A ferramenta digital reúne informações, conteúdos de capacitação e condições facilitadas de crédito verde com juros reduzidos, impulsionando o empreendedorismo climático no Brasil.
O Empreender Clima chega como uma entrega concreta de crédito acessível: para os pequenos negócios, as taxas começam em 4,4% ao ano, com financiamento de até 100% para projetos sustentáveis. Pela plataforma, o empreendedor cria o perfil do negócio, acessa cursos e conteúdos personalizados e gera, em menos de dez minutos e sem custos, um pré-enquadramento no Fundo Clima, principal mecanismo federal de financiamento climático.
Para o ministro Márcio França (Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte – Memp), a iniciativa marca uma nova etapa da política de crédito produtivo no país. Ele destacou que, por muitos anos, o crédito verde esteve distante da realidade dos pequenos negócios, mas agora surge como alternativa com juros acessíveis, prazos ajustados e suporte técnico para quem deseja investir em soluções sustentáveis.
Condições flexíveis — Os financiamentos do Fundo Clima oferecem prazos longos e condições facilitadas, variando conforme o tipo de projeto. Iniciativas de transporte coletivo e mobilidade verde podem ter até 25 anos de prazo, com carência de até 5 anos. Projetos de florestas nativas e recursos hídricos também contam com 25 anos de prazo, com carência de até 8 anos.
O Empreender Clima é uma parceria entre o Memp, a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), o Sebrae e o BNDES, que se unem para ampliar o acesso ao crédito climático, fortalecer a capacitação e difundir tecnologias sustentáveis.
Prazos — Nos setores de transição energética e indústria verde, os prazos variam conforme o foco da iniciativa. Projetos de energia eólica podem chegar a 24 anos, com 6 anos de carência. Outras ações de transição energética têm prazos de até 16 anos, com carência de até 6 anos. Já iniciativas voltadas ao desenvolvimento urbano resiliente e sustentável contam com até 16 anos de prazo e até 5 anos de carência.
Acesso — O chefe da Assessoria Especial do Memp, Renato Ferreira, explicou que atividades como coleta seletiva, gestão de resíduos, projetos ligados a florestas e uso sustentável do solo, preservação da biodiversidade, soluções para cidades resilientes e investimentos em energia limpa já eram financiáveis pelo Fundo Clima. Na prática, porém, pequenos empreendedores enfrentavam dificuldades técnicas para estruturar seus projetos — justamente o tipo de obstáculo que o Empreender Clima busca superar.
A plataforma permite que o empreendedor desenvolva projetos conforme as exigências do Fundo Clima, sem custos, de forma ágil e com acesso a capacitações. A proposta é democratizar o crédito climático, garantindo que pequenos negócios também possam investir em inovação sustentável.
Ambiente digital — O Empreender Clima reúne, em um único ambiente, cursos de formação em empreendedorismo climático, mapa do ecossistema de negócios verdes no Brasil, catálogo de instrumentos financeiros e serviço de pré-enquadramento no Fundo Clima. A plataforma contempla oito setores estratégicos, como energia, agricultura, logística, construção civil e gestão de resíduos, estruturados em quatro etapas: mapeamento de oportunidades, capacitação em tecnologias limpas, conexão a instrumentos de crédito verde e apoio técnico a projetos financiáveis.
Crédito climático para a base produtiva — Com a ferramenta, micro e pequenos empresários poderão desenvolver pré-projetos alinhados às exigências do Fundo Clima, reduzindo barreiras históricas e ampliando o acesso ao financiamento sustentável no país.
Memp na COP30 — Além do Empreender Clima, o Memp participa da COP30 com uma agenda voltada à valorização das economias sustentáveis e regionais. No Espaço da Biodiversidade – Produtos Sustentáveis do Brasil, na Green Zone, a pasta apresenta produtos de cooperativas femininas e de artesanato, em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), destacando iniciativas de inclusão produtiva e preservação ambiental.
O ministério também integra painéis e encontros técnicos sobre bioeconomia, financiamento climático e transição verde de micro e pequenas empresas, promovidos em parceria com a OEI, a OCDE e o Sistema OCB.







