Lula assina Pacto Nacional contra o Feminicídio e afirma que combate à violência deve envolver toda a sociedade

Lula assina Pacto Nacional contra o Feminicídio e afirma que combate à violência deve envolver toda a sociedade

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pacto Nacional contra o Feminicídio,Lula feminicídio,combate à violência contra a mulher,violência de gênero no Brasil,feminicídio dados Brasil,Governo do Brasil pacto feminicídio,STF feminicídio,Congresso Nacional violência contra a mulher,políticas públicas para mulheres,direitos das mulheres Brasil,enfrentamento ao feminicídio,medidas protetivas mulheres,segurança das mulheres,violência doméstica Brasil,pacto Três Poderes feminicídio

Em uma iniciativa inédita de enfrentamento ao feminicídio, os líderes dos Três Poderes se reuniram nesta quarta-feira (4) para o lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o combate à violência contra as mulheres exige o engajamento de toda a sociedade, com papel central dos homens.

Segundo Lula, enfrentar o feminicídio e todas as formas de violência de gênero não é apenas uma responsabilidade do Estado, mas um dever coletivo. O pacto surge como resposta à escalada da violência no país, onde, em média, quatro mulheres são vítimas de feminicídio a cada 24 horas.

O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio reúne esforços do Governo do Brasil, do Congresso Nacional e do Poder Judiciário, com foco na aceleração do cumprimento de medidas protetivas, fortalecimento das redes de enfrentamento à violência, ampliação de ações educativas e responsabilização dos agressores.

Durante o evento, Lula ressaltou que, apesar do avanço de instrumentos legais como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a violência persiste em níveis alarmantes. Para ele, a segurança de meninas e mulheres é condição essencial para o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento social.

Para garantir a efetividade das ações, o pacto institui uma estrutura formal de governança, com a criação de um Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado contará com representantes dos três Poderes, além da participação permanente de Ministérios Públicos e Defensorias Públicas, assegurando articulação federativa, monitoramento contínuo e transparência.

Ao reforçar o chamado à mobilização social, o presidente alertou para o papel da omissão coletiva na perpetuação da violência. Segundo ele, sinais de agressão ignorados no cotidiano representam riscos concretos de feminicídio e não podem mais ser tolerados.

A primeira-dama Janja Lula da Silva, que também discursou no evento, afirmou que a banalização da violência contra mulheres se tornou inaceitável e defendeu o envolvimento ativo dos homens no enfrentamento ao problema. Para ela, o pacto representa um compromisso com a vida, o respeito e a liberdade das mulheres brasileiras.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou a assinatura do pacto como um marco histórico e destacou que a violência contra meninas e mulheres não pode ser naturalizada. Já o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que a Justiça atuará de forma cada vez mais célere nos casos de feminicídio, ressaltando que a prática representa grave violação de direitos humanos.

Dados do sistema de Justiça reforçam a urgência da iniciativa. Em 2025, foram julgados mais de 15 mil casos de feminicídio no país, além da concessão de centenas de milhares de medidas protetivas. O volume de denúncias registradas por canais oficiais também evidencia a dimensão do problema.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, classificou os números como inadmissíveis e defendeu respostas mais firmes do Estado. Já o presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, afirmou que o feminicídio deve ser tratado como um problema de Estado, com atuação permanente das instituições.

Ao unir Executivo, Legislativo e Judiciário em uma atuação coordenada, o pacto estabelece uma estratégia contínua de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores, além de envolver estados, municípios e a sociedade civil no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.

Como parte da mobilização, foi lançada a estratégia de comunicação nacional “Todos juntos por todas”, que busca ampliar o engajamento social, especialmente dos homens, no combate ao feminicídio. A iniciativa inclui ações simbólicas, campanhas educativas e o lançamento de uma plataforma digital com informações, orientações e canais de denúncia.

Relacionados