Durante a 6ª Cúpula de Líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma agenda mais ambiciosa para o agrupamento. Para ele, as três nações têm potencial para utilizar sua identidade como grandes economias emergentes do Sul Global e liderar debates internacionais essenciais.
O evento, realizado à margem da Cúpula de Líderes do G20, marcou o reencontro do fórum após mais de uma década. Lula descreveu a ocasião como um passo fundamental para reativar a coordenação trilateral e fortalecer a esperança entre os países membros.
“A condição de grandes emergentes do Sul Global e de grandes democracias confere ao IBAS identidade e aptidões próprias. Compartilhamos muitas causas e temos muito a dizer para o mundo”, afirmou o presidente brasileiro, ao lado do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
Lula propôs que o IBAS avance em temas como governança de dados e Inteligência Artificial, além de ampliar diálogos sobre direitos humanos, saúde, ciência e trabalho decente.
“Temos condições de estar na vanguarda da governança global da Inteligência Artificial. Entre nós é possível dialogar abertamente sobre direitos humanos, equidade de gênero e direitos sexuais e reprodutivos. Há confiança para discutir o combate ao extremismo e a defesa da democracia”, afirmou, destacando também oportunidades de cooperação em vacinas, medicamentos, insumos e trabalho decente.
O presidente reforçou ainda que não é justo que as maiores vítimas da crise climática sejam justamente aquelas que menos contribuíram para causá-la. Ele citou propostas debatidas na COP30, em Belém, que incluem fortalecimento da proteção ambiental, apoio a pequenos produtores e garantia de vida sustentável para comunidades que vivem nas florestas, incluindo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
O Fundo IBAS, criado em 2004, foi exaltado por Lula como exemplo de cooperação Sul-Sul “simples e eficaz”. A iniciativa já financiou 51 projetos em 40 países, com foco na redução da pobreza e da insegurança alimentar. Segundo ele, o mecanismo inspirou a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta pelo Brasil e abraçada pelo G20 em 2024. Para Lula, a coordenação trilateral do IBAS pode se refletir permanentemente na ONU, no G20 e no BRICS, ampliando a influência dos países do Sul Global na governança internacional.
O que é o IBAS – Criado em 2003, o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul reúne três das grandes democracias e economias do Sul Global. O objetivo é articular uma visão comum sobre economia, desenvolvimento e temas sociais, além de defender pautas de países em desenvolvimento, como reforma da governança global, multilateralismo e fortalecimento da Cooperação Sul-Sul.
Lula no G20
No sábado, Lula participou das duas primeiras sessões do G20. Na primeira, defendeu que a desigualdade seja declarada uma “emergência global” e propôs mecanismos inovadores como troca de dívida por desenvolvimento e taxação dos super-ricos. Na segunda, destacou o papel do grupo na transição energética e no abandono progressivo dos combustíveis fósseis. Ele também se reuniu com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Neste domingo, participou de sessão dedicada à construção de um futuro mais justo e equitativo.
Criado em 1999 após a crise financeira asiática, o G20 se tornou Cúpula de Chefes de Estado em 2008 e hoje representa mais de 80% do PIB mundial, 75% do comércio internacional e 60% da população global.
A África do Sul conduz os trabalhos do G20 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades: resposta a desastres, sustentabilidade da dívida de países de baixa renda, financiamento para a transição energética justa e minerais críticos como motores de desenvolvimento.
Os países do G20 têm papel fundamental no comércio mundial: em 2005, exportaram US$ 8,2 trilhões; em 2021, US$ 17 trilhões — crescimento de 107%. Entre os produtos mais comercializados estão manufaturas, commodities energéticas e itens agrícolas. O Brasil exporta para membros do bloco aeronaves, petróleo, aço, minérios e produtos do agronegócio.







