*Príncipes do Samba conquista o 14º título do carnaval de Joinville com desfile que empolgou o público *

*Príncipes do Samba conquista o 14º título do carnaval de Joinville com desfile que empolgou o público *

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*Príncipes do Samba conquista o 14º título do carnaval de Joinville com desfile que empolgou o público *

A Príncipes do Samba entrou na avenida domingo pela manhã, embalando o público presente com seu potente samba enredo, e cogita desfilar na capital catarinense em 2027.

Uma das escolas mais tradicionais e antigas de Joinville, norte catarinense, Príncipes do Samba, conquistou seu 14º título do carnaval 2026.

Com 40 anos de atividades, a escola foi a segunda a desfilar, no domingo (8), após 10 anos sem competição oficial na cidade.

No A escola entrou na Av Beira Rio, com 522 integrantes, em 34 alas, decidida a conquistar o título, para isso, homenageou as raízes afro-brasileiras, ancestralidade e identidade.

Seu enredo nota 10, “Baobá, a Árvore Sagrada: Morada do tempo, saberes, memórias e resistência”, composta por Conrado Laurindo e Vinny Machado, empolgou o público presente, que acompanhou o percurso da escola que faz parte de um dos clubes negros mais antigos do sul do Brasil: o Kênia Clube, com 65 anos de história.

 

No carro abre alas, o leão símbolo da escola, em destaque tia Luiza, com 92 anos, uma das representantes mais antigas da agremiação.

Baobá, a árvore é um dos símbolos fundamentais das culturas africanas tradicionais.

Os velhos baobás africanos, de troncos enormes, suscitam a impressão de serem testemunhas dos tempos imemoriais.

Os mitos e o pensamento mágico-religioso yorubá têm na simbologia da árvore um de seus temas recorrentes.

Na sua cosmogonia, a árvore baobá surge como o princípio da conexão entre o mundo sobrenatural e o mundo material.

Em seus frutos, mora a fertilidade e força das mulheres, que pulsa no ventre do mundo, a coragem das mães que sustentam o tempo, das parteiras que guiam o nascer profundo, das benzedeiras com mãos que curam e das mulheres guerreiras que carregam a terra no peito e nos olhos, a chama que nunca se finda, e isso foi representado no segundo carro alegórico.

Como a árvore da vida, se enraízam na luta, firmes, mesmo sob tempestade, oferecem ao mundo sua imensa verdade. Dão sombra, vida e proteção, como o Baobá, cada mulher abriga uma força ancestral.

O Baobá, escola viva e ancestral, guarda os saberes, as tradições do povo preto, cada história é uma lição que perpassa de geração em geração.

As crianças com olhos brilhantes, sementes do Baobá, circulam em mundos que só a infância alcança, brincam sob seus galhos, constrói conexão nos traços do céu, viajam com suas pipas coloridas, entre planetas distantes, assim como na história do “O Pequeno Príncipe Preto”, do autor Rodrigo França, que voa entre estrelas e sonhos, levando mensagens de amor como caminho, a paz como bandeira e a esperança como pequena lanterna para o mundo.

Segundo a historiadora e pesquisadora da escola, Alessandra Bernadino, a sinopse do samba enredo, partiu de literaturas primárias para identificar primeiramente a origem do Baobá, o significado do baobá para a cultura africana e o país, ou os países em que o Baobá se faz presente e de que forma essas pessoas ou essas culturas, pensam sobre a árvore.

No Senegal e Madagascar, Baobá é considerada uma árvore sagrada, que é uma criação dos orixás, e que tem uma conexão com o Orum e Ayê. Ayê é o mundo físico, a terra, enquanto o Orum é o mundo espiritual, o céu.

Também tem uma ligação muito forte com o passado, o presente e o futuro, que nós identificamos na história africana e afrobrasileira, como a ancestralidade.

Para Alessandra, o principal objetivo também é a de reforçar a ideia da escola ser uma árvore sagrada, a morada do tempo, que segue gerando frutos, com as novas gerações em respeito aos que vieram antes, solidificando e abrindo caminhos para os que virão depois.

Para a presidenta da escola Ana Paula Nunes Chaves, esse título representa a força que a união tem.

Essa vitória foi construída por muitas mãos, muitos dias mal dormidos, por muita ansiedade, mas acima de tudo por muito amor.

O Carnaval é isso, é coletivo e esse título volta pra casa que sempre acreditou nisso.

Lucas Machado mestre de bateria da escola, que é formado em bateria popular pelo conservatório de música de Itajaí, e baterista em importantes projetos na cidade de Joinville, conta que passou um filme na cabeça desde o primeiro dia de oficina, que aconteceram no final do mês de maio, na qual grande parte dos integrantes, fizeram parte do desfile oficial.

Foram 8 meses de trabalho ao todo de preparação para o carnaval de Joinville 2026, o título coroou a nota máxima no quesito. Bateria é o único seguimento que desfila os 50/60 minutos.

Não foi fácil desfilar embaixo do sol, e por toda essa superação, este título valeu muito.

E valeu principalmente pela entrega de toda comunidade e seguimentos da escola.

Da construção das fantasias aos inúmeros ensaios. A Príncipes apresentou um grande desfile e merecidamente foi campeã do carnaval de Joinville.

Com o tão almejado 14º título, a escola já se prepara para as pesquisas em busca do samba enredo 2027, os trabalhos se iniciam a partir de agora, afirma o diretor de carnaval Deivison Garcia, que vai além, e sonha alto, com o carnaval 2027 de Florianópolis, e para isso se concretizar, um ofício foi entregue em mãos, ao governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, com o pedido oficial, e também houve uma conversa com o presidente da Liga das Escolas de Samba de Florianópolis (LIESF), Joel Costa Júnior.

Para Deivison, conquistar o campeonato do Carnaval de Joinville é a confirmação de um trabalho coletivo, construído com comunidade, ancestralidade e busca pela qualidade.

Em 2026, quando a Príncipes do Samba completa 40 anos de história, esse resultado ganha ainda mais significado.

Nascida em Joinville, a escola dialoga com o samba de Santa Catarina como um todo. Manifestar nossa intenção de desfilar em Florianópolis, na Passarela Nego Quirido, já que o carnaval em Joinville, oficialmente começa uma semana antes do resto do estado, é afirmar que o samba produzido fora da Grande Florianópolis também é potência, tem qualidade e está preparado para encarar novos desafios, isso sempre com muita humildade.

Mais informações

Escola Príncipes do Samba
Endereço: Rua Botafogo, 255 – Floresta, Joinville
Telefone: (47) 99957-5446
Para adquirir fantasias: 47 97400 – 2946
Para ser coordenador de ala: 47 99232 – 1513
Instagram: @principesdosambaoficial
Facebook: https://www.facebook.com/principesdosamba

 

Foto: Elton Costa

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