O Morro do Mocotó, em Florianópolis, Santa Catarina, ganhou novas cores e significados com a conclusão da Galeria de Arte do Mocotó, iniciativa do Instituto Cidades Invisíveis que transformou muros da comunidade em um circuito de arte urbana e expressão cultural. O projeto foi finalizado no último fim de semana, com intervenções realizadas nos dias 7 e 8 de março.
Ao todo, a comunidade passou a reunir 60 murais produzidos por artistas de diferentes regiões do Brasil, consolidando um novo espaço de cultura, arte pública e valorização do território na capital catarinense.
A iniciativa foi construída em três etapas de criação coletiva. A primeira ocorreu em outubro de 2025 e a segunda em dezembro do mesmo ano. Com a conclusão da última fase, o Morro do Mocotó passa a integrar um circuito de arte urbana inserido no cotidiano da comunidade.
Mais do que um conjunto de pinturas, a Galeria de Arte do Mocotó foi pensada como um encontro entre arte, território e identidade cultural. A proposta do Instituto Cidades Invisíveis foi levar artistas para dentro da comunidade e transformar os muros em espaços de memória, pertencimento e expressão social, criando obras que dialogassem diretamente com a realidade e as histórias de quem vive no local.

Artistas de diferentes regiões participaram das intervenções
Na etapa final do projeto, 20 artistas participaram das intervenções artísticas no Morro do Mocotó. Entre os nomes envolvidos estão Alice Regina de Oliveira (Ruth), Valéria Spagnol Vanin (Brisa da Noite), Bruna Mina, Tadeu Roberto Fernandes Lima Júnior (Carão), Daniel Corrêa (Ignoreporfavor), Tiago Daniel Marques dos Santos (Dequete), Eduardo Braga Guimarães (Vaso), Huggo Rocha, Jonathan Melo (John), Kenia Kuriki, Lady Brown, Lanna Batista (Flô), Maju Esteves, Malu Vibe, Eder (Oberdam), Rellyson de Matos Souza (Rellyson 27), Rodrigo Pasmo, Sharon de Castro (Shar), Aline Ribeiro (Tuka) e João Carlos Pacheco Junior (Vejam).
Para a artista Kenia Kuriki, a experiência reforçou a relação entre arte, ancestralidade e transformação social.
“Essa experiência despertou em mim uma conexão muito forte com minha ancestralidade e com aquilo que sinto como missão: voltar aos lugares de onde muitas histórias foram apagadas e usar a arte como ferramenta de transformação, memória e acolhimento”, afirmou.
Já Aline Ribeiro, conhecida como Tuka, destacou a importância da vivência artística no território.
“Participar do projeto foi uma experiência muito potente. Estar na favela, vivenciar de perto a realidade das pessoas e levar um pouco de cor e arte para aquele espaço tem um significado muito forte para mim.”
Circuito cultural fortalece arte urbana em Florianópolis
Com a conclusão da Galeria de Arte do Mocotó, o Morro do Mocotó passa a integrar um novo circuito de arte urbana em Florianópolis, ampliando a presença da cultura urbana e valorizando as expressões artísticas presentes nas comunidades da cidade.
Segundo Tuane, coordenadora e curadora do projeto, a iniciativa também buscou resgatar histórias e talentos locais.
“Conduzir a Galeria de Arte do Mocotó foi uma experiência muito significativa. Cresci em uma comunidade periférica e não tive acesso à arte na infância, por isso levar essas referências ao território tem um valor especial. Recebemos criadores de várias partes do Brasil e promovemos encontros com talentos locais, como no resgate da artista Valda Costa, moradora do morro pouco conhecida pela própria comunidade. A galeria se tornou mais do que murais: um espaço de encontro, memória e valorização da arte no território”, destacou.
Realização do projeto
A Galeria de Arte do Mocotó é uma realização do Instituto Cidades Invisíveis em parceria com a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e da Fundação Franklin Cascaes, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LIC).
Sobre o Instituto Cidades Invisíveis
Criado em 2012, em Florianópolis, o Instituto Cidades Invisíveis é uma organização social dedicada à transformação social, à redução da desigualdade e ao fortalecimento de comunidades por meio de projetos culturais e sociais.
A iniciativa atua em diversas cidades do Brasil, desenvolvendo projetos em parceria com artistas locais e nacionais e revertendo parte da renda arrecadada para ações de impacto social em comunidades de Florianópolis, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, São Sebastião e Canela.
Ao longo de mais de treze anos de atuação, o Instituto Cidades Invisíveis já destinou mais de R$ 8 milhões a projetos sociais, impactando mais de 142 mil pessoas. A organização atua alinhada à Agenda 2030 da ONU e é signatária do Movimento Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de Santa Catarina (ODS/SC).






