Com 1.028 empresas ligadas ao setor náutico, Santa Catarina se consolida como um dos principais polos da economia do mar no Brasil. Segundo levantamento do Sebrae/SC, divulgado no primeiro trimestre de 2026, o estado possui o terceiro maior contingente de empresas náuticas do país e lidera a produção nacional de barcos de esporte e lazer.
O estado concentra atualmente 65% da fabricação brasileira de embarcações de lazer e responde por cerca de 90% das exportações nacionais do segmento, conforme dados da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar).
A atividade econômica está fortemente concentrada no litoral catarinense, especialmente em Itajaí, que lidera o ranking estadual com 165 empresas. Na região da Grande Florianópolis, formada por Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, o setor reúne 285 empresas, o equivalente a cerca de 30% de toda a cadeia náutica catarinense.
O crescimento do segmento acompanha novos investimentos em infraestrutura voltados ao lazer e ao turismo náutico. Entre os projetos em andamento está a implantação de um Parque Urbano e Marina na Beira-Mar da capital catarinense, empreendimento estimado em R$ 350 milhões e com previsão de 600 vagas para embarcações.
Além do turismo e lazer, a cadeia náutica catarinense movimenta setores como manutenção, reparação naval, fabricação industrial, tecnologia e serviços especializados. O avanço também impulsiona a geração de empregos qualificados e a demanda por mão de obra técnica.
Na região de São José, o Grupo Armatti & Fishing, responsável pelas marcas Armatti Yachts e Fishing Raptor, registrou faturamento de R$ 60 milhões em 2025 e ampliou em 30% o número de funcionários. Atualmente, a empresa mantém mais de 100 profissionais empregados em sua fábrica.
Segundo o CEO do grupo, Fernando Assinato, o crescimento do setor reflete diretamente na indústria, no turismo e no comércio exterior catarinense.
“O crescimento da náutica em Santa Catarina mostra que a economia do mar já tem efeito direto sobre indústria, emprego, turismo e comércio exterior. A cadeia ficou mais técnica, mais exigente e passou a demandar mão de obra especializada, fornecedores qualificados e embarcações com maior valor agregado”, afirmou.
A marca Fishing Raptor atua com embarcações de 26 a 51 pés voltadas ao desempenho esportivo e à navegação de alta performance. Entre os diferenciais técnicos estão o casco insubmergível e o casco em V, projetado para ampliar estabilidade e segurança em diferentes condições de navegação.
Já a Armatti Yachts atua no segmento premium, com embarcações de 30 a 52 pés inspiradas em modelos europeus de luxo e tecnologias voltadas à experiência de navegação e manobrabilidade.
A produção das embarcações permanece artesanal em etapas como casco, estofados, elétrica, hidráulica e movelaria, permitindo alto nível de personalização. De acordo com a Acobar, a indústria náutica brasileira gera cerca de 150 mil empregos no país.
O fortalecimento da economia do mar reforça o protagonismo de Santa Catarina no cenário nacional da indústria náutica e amplia a relevância do estado como destino estratégico para investimentos, turismo e inovação no setor marítimo.






