FIT BUENOS AIRES
Circulando pelos corredores aqui da FIT Buenos Aires, a maior feira de turismo da América Latina, percebe-se claramente que tecnologia, talento e um foco inabalável no cliente serão cruciais para manter a competitividade à medida que o setor de viagens entra em sua próxima fase de crescimento. Conversando com tomadores de decisão de alto nível dos setores de destinos, hotelaria, tecnologia, viagens digitais e pagamentos para examinar como as organizações podem fortalecer sua preparação para o futuro, fica claro perceber que as mudanças nas expectativas dos viajantes estão entre os principais temas da pauta da feira, com os participantes destacando a crescente demanda por planejamento simplificado, maior personalização e experiências mais integradas ao longo de toda a jornada do cliente. De fato, os viajantes desejam planejamento descomplicado, experiências mais personalizadas e maior integração. As distinções entre as experiências em cada destino estão cada vez mais tênues, e os consumidores agora esperam tudo ao mesmo tempo. A boa notícia é que a tecnologia está disponível para apoiar as partes interessadas em todo o ecossistema a atender a essas expectativas, desde o planejamento e a execução até o engajamento pós-viagem.

Segundo Aroldo Schultz, CEO Schultz Operadora e Wikitravel.ai, a IA pode ajudar o setor a atender muitas dessas expectativas mais elevadas. Embora se espere que a IA e as tecnologias emergentes desempenhem um papel cada vez mais significativo em todo o setor, os participantes também enfatizaram a importância das pessoas na oferta de experiências de viagem memoráveis. Para Aroldo, “Viajar é uma experiência muito humana e pessoal. A tecnologia pode nos ajudar a oferecer experiências mais personalizadas, mas, em última análise, deve elevar o que as pessoas podem fazer dentro de uma organização. A IA e a tecnologia continuarão a atrair investimentos, mas são as nossas pessoas, os nossos funcionários e os nossos consumidores que refletem a jornada, o que uma empresa representa e como podemos servir melhor os viajantes.”

PRIORIDADES COMERCIAIS

A centralidade no cliente também foi identificada como uma consideração fundamental para as empresas que buscam equilibrar prioridades comerciais e operacionais concorrentes. Percebo aqui na FIT, que todas as conversas, sejam sobre receita ou desenvolvimento de produtos, sempre voltam ao cliente em primeiro lugar. O que o cliente deseja e como ele reagirá? As prioridades sempre serão diferentes no setor, mas para o trade é simples: o cliente é sempre o número um. Tudo o que se faz como organização é guiado por essa prioridade, desde a alta administração até os níveis operacionais. À medida que o setor de viagens entra em sua próxima fase de crescimento, a preparação para o futuro emerge como uma prioridade competitiva para empresas de todo o setor. Com a evolução das expectativas dos viajantes e a aceleração das mudanças tecnológicas, os líderes do setor estão direcionando sua atenção da recuperação de curto prazo para as capacidades, parcerias e decisões de investimento necessárias para impulsionar o crescimento a longo prazo e manter a vantagem competitiva.

VANTAGEM COMPETITIVA

Fica claro entender que a preparação para o futuro consiste em transformar a mudança em vantagem competitiva. As decisões que as empresas tomam hoje em relação à tecnologia, talentos e experiência do cliente determinarão a eficácia com que poderão responder às oportunidades futuras. A FIT Buenos Aires, com o tema “Inspirando o futuro do turismo” e, celebrando também a edição comemorativa de 30 anos de história da feira, celebrando também a edição comemorativa de 30 anos de história da feira, examina como a inteligência artificial, a transformação digital, a mobilidade inteligente e as expectativas em constante evolução dos viajantes estão influenciando o futuro do turismo, reunindo especialistas para trocar experiências práticas, compartilhar realidades comerciais e insights operacionais.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS

De acordo om a IAAPA, a indústria de atrações movimentou US$ 9,2 bilhões no Brasil em 2024 e os destinos brasileiros estão incorporando atrações à oferta turística, enquanto operadores de parques e entretenimento ampliam atuação em hospedagem, gastronomia e serviços. A tendência é apontada pela Associação Global para a Indústria de Atrações no contexto do Dia Mundial do Turismo. Só não sei onde estão os dados de 2025 já que estamos no final de 2026. Entretanto, a entidade identifica dois movimentos simultâneos: destinos usam atrações para ampliar sua oferta, enquanto operadores desenvolvem estruturas que vão além do entretenimento, o que não é novidade nenhuma, uma vez que a relação entre turismo e atrações é cada vez mais bidirecional. Alguns destinos incorporam atrações para fortalecer sua oferta, enquanto os operadores desenvolvem hotéis, gastronomia e novas experiências para proporcionar viagens mais completas.

IMPACTO ECONÔMICO

Segundo o mais recente Estudo de Impacto Econômico da entidade, a indústria de atrações movimentou US$ 9,2 bilhões no Brasil em 2024, recebeu cerca de 120 milhões de visitas e gerou mais de 212 mil empregos diretos e indiretos. O país respondeu por aproximadamente 30% das visitas registradas pelo setor na região. Uma atração pode ser muito mais do que um lugar para visitar, pode se tornar um motivo para viajar. Exemplo disso e Foz do Iguaçu (PR), cuja oferta reúne Cataratas do Iguaçu, Parque das Aves, Itaipu e Marco das Três Fronteiras. A Interparques opera rodas-gigantes panorâmicas em Balneário Camboriú (SC), São Paulo (SP), Canela (RS) e Maceió (AL). Já em Olímpia (SP), parques aquáticos e resorts integram a oferta de entretenimento, águas termais e hospedagem. O movimento também ocorre no sentido inverso, quando operadores incorporam serviços turísticos à atividade principal. No Ceará, o Beach Park expandiu sua operação para quatro resorts, além de gastronomia, entretenimento e serviços.

VIAGENS CORPORATIVAS
O faturamento das agências de viagens corporativas associadas à Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) atingiu R$ 1,31 bilhão em agosto, alta de 7,9% sobre o mesmo mês de 2025. O avanço ocorreu apesar da redução de 1,4% no número de transações, que somaram 1,62 milhão no mês. Os dados fazem parte do levantamento mensal da Abracorp, que acompanha a movimentação das empresas associadas em 11 segmentos de viagens e serviços. “O resultado reflete, em parte, a elevação do valor médio das operações: o ticket médio do setor passou de R$ 738,05 para R$ 807,77, crescimento de 9,45%”, avalia Douglas Fernandes de Camargo, diretor executivo da Abracorp. O executivo está otimista com o desempenho em 2026 e espera novo recorde no faturamento, acima de R$ 15 bilhões, ante R$ 13,7 bilhões em 2025. Aéreo continua sendo o principal componente da receita. As vendas de alcançaram R$ 798,4 milhões em agosto, crescimento de 10,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

TRANSAÇÕES HOTELEIRAS

A categoria respondeu por 61% do faturamento total. O número de transações aéreas cresceu 4,5%, para 430,2 mil, enquanto o tíquete médio avançou 5,8%, para R$ 1.856,06. Hotelaria aparece na segunda posição, com R$ 386,2 milhões em faturamento, alta de 4,8%. O segmento, porém, apresentou comportamento diferente do Aéreo: o número de transações caiu 3,3%, para 928,3 mil, enquanto o tíquete médio subiu 8,3%, chegando a R$ 416,03. Seguro Viagem apresentou uma das maiores taxas de crescimento da receita, de 22,8%, para R$ 3,1 milhões. O avanço foi acompanhado por aumento de 2,1% no número de transações e de 20,2% no tíquete médio. Também houve crescimento de dois dígitos em Transfer, cuja receita aumentou 15,1%, para R$ 5,9 milhões, e no segmento Rodoviário, com alta de 14,2%, para R$ 6,2 milhões. No Rodoviário, o número de transações subiu 5,8% e o tíquete médio, 7,9%.

VIAGENS & LAZER

A locação de Veículos foi uma das categorias que registraram retração. O faturamento caiu 1,7%, para R$ 29,5 milhões, em um cenário de redução de 7,3% no número de transações. O tíquete médio, entretanto, aumentou 6%, para R$ 166,48. O resultado também mostra movimentos distintos entre receita e volume em outras categorias. Em Pacotes de Viagens/Lazer, por exemplo, o faturamento cresceu 3,4%, enquanto as transações avançaram 6,8% e o tíquete médio recuou 3,2%. Em Demais Serviços, a receita ficou praticamente estável, com alta de 0,8%, enquanto o volume de transações cresceu 4,8%. O setor de viagens corporativas registrou um faturamento de R$ 9,u bilhões de janeiro a agosto de 2026, o que representa uma alta de 8,21% em comparação aos R$ 9 bilhões obtidos no mesmo período de 2025. O resultado foi influenciado pelo desempenho do segmento de Serviços Aéreos e Hotéis.

86ª FESTAS DAS FLORES
A Festa das Flores de Joinville é a mais antiga do gênero, no Brasil. Todos os anos, no mês de novembro, recebe milhares de visitantes, entre orquidófilos, produtores, colecionadores, turistas e visitantes vindos de todas as regiões do Brasil e também do exterior. A grande atração da Festa das Flores é sua exposição. Com cerca de 3,6 mil metros quadrados, o cenário reúne milhares de orquídeas, flores e plantas ornamentais das mais variadas espécies formas, cores e tamanhos. Entre todas as plantas, a soberana é a Laelia purpurata, orquídea nativa da Mata Atlântica e que tem o auge da sua floração no mês de novembro. Além de ser a planta símbolo da Festa das Flores, a Laelia purpurata é a flor símbolo de Joinville e do Estado de Santa Catarina. Por sua representatividade histórica e cultural, a Festa das Flores é reconhecida como Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Estado de Santa Catarina, por meio da Lei Estadual número 14.697, de 21 de maio de 2009, é a Festa Oficial do Município de Joinville, instituída pela Lei Municipal 6.728, de 19 de julho de 2010, e, também, Patrimônio Cultural e Imaterial de Joinville. A Festa das Flores é realizada pela AJAO – Agremiação Joinvilense de Amadores de Orquídeas, com o apoio da Prefeitura de Joinville, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult).

FALTA DE COMBUSTÍVEL NA EUROPA

A crise é grande ! De acordo com a projeção da consultoria Energy Aspects, divulgada pela Reuters, a Europa poderá entrar no quarto trimestre de 2026 diante de um déficit de 510 mil barris por dia de combustível de aviação, em um cenário marcado pela maior pressão sobre as cadeias globais de abastecimento de energia e pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo a análise, o mercado europeu permanece particularmente vulnerável a novas interrupções no fornecimento de jet fuel. Embora o continente tenha ampliado a busca por fornecedores alternativos nos últimos meses, a estratégia ainda não seria suficiente para eliminar os riscos associados às restrições de oferta. “A Europa permanece altamente exposta ao risco de novas interrupções no fornecimento à medida que as tensões no Médio Oriente aumentam”, aponta a Energy Aspects. Dessa forma, a necessidade de diversificação já vem alterando a origem do combustível consumido na Europa. Países como Nigéria, Estados Unidos e Canadá passaram a fornecer volumes maiores, enquanto compradores europeus também recorrem a mercados mais distantes para garantir o abastecimento.

COMPENSAR LIMITAÇÕES
Um dos principais movimentos ocorre com a Coreia do Sul. As exportações sul-coreanas de combustível de aviação para a Europa devem alcançar, em setembro, o maior patamar dos últimos quatro anos. Até o mês, os embarques somavam 129 mil barris por dia, o maior volume desde outubro de 2022. A expectativa da consultoria é de que esse fluxo continue crescendo nos próximos meses, em uma tentativa do mercado europeu de compensar as limitações de oferta e reduzir a exposição às rotas mais afetadas pelas tensões geopolíticas. A perspectiva para a Europa se diferencia significativamente da esperada para outros grandes mercados consumidores de combustível de aviação. Para o quarto trimestre, a Energy Aspects estima um déficit europeu de 510 mil barris por dia. Nos Estados Unidos, a projeção é de um superávit de 18 mil barris por dia. Já a região Ásia-Pacífico deverá apresentar excedente de 419 mil barris por dia. Essa diferença evidencia o desequilíbrio regional que pode se formar no mercado de jet fuel nos últimos meses do ano. Enquanto algumas regiões terão disponibilidade superior às suas necessidades, a Europa poderá depender de volumes adicionais vindos de fornecedores externos para atender à demanda.

CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Nesse contexto, a capacidade de deslocar cargas entre diferentes mercados ganha importância para o abastecimento europeu. O aumento das compras de países como a Coreia do Sul mostra justamente esse movimento: diante de uma oferta mais restrita, os compradores precisam ampliar o raio de busca por combustível. O risco para o mercado europeu está relacionado aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre uma das principais rotas de circulação de petróleo e derivados no mundo. O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do fornecimento mundial de petróleo, foi paralisado em meio ao conflito. A interrupção afetou o fluxo internacional de energia e contribuiu para a escassez de combustíveis e para a elevação dos preços. Os efeitos também chegaram ao setor de aviação. O combustível utilizado pelas aeronaves está entre os derivados impactados pela menor disponibilidade, enquanto as dificuldades logísticas aumentam a complexidade para redistribuir cargas entre regiões produtoras e consumidoras. Para a Europa, o problema ganha dimensão adicional porque o continente já depende de importações para complementar sua oferta. A ampliação da participação de fornecedores de diferentes origens reduz a concentração do abastecimento, mas não elimina a exposição a choques no mercado internacional.

PERDA DE COMPETITIVIDADE
A propósito, além da crise do combustível, o World Travel & Tourism Council (WTTC) alerta que a criação de taxas turísticas sem limite nacional no Reino Unido pode encarecer o destino e afetar a demanda internacional. A preocupação ganhou força após o governo britânico autorizar autoridades locais da Inglaterra a cobrarem taxas sobre hospedagens, incluindo hotéis, casas de temporada e outros meios de curta duração. Pesquisa realizada pelo WTTC aponta que 29% dos viajantes dos Estados Unidos, França e Alemanha considerariam escolher outro destino ou desistir da viagem caso fosse aplicada uma taxa turística de € 10. Entre os próprios britânicos, 39% disseram que poderiam optar por outro destino ou não viajar pelo país diante de uma cobrança de £ 10. Segundo a entidade, uma eventual redução na demanda poderia provocar uma queda de até £ 14,4 bilhões nos gastos de visitantes internacionais em 2027. O alerta interessa também ao mercado brasileiro, especialmente diante da disputa global por turistas de longa distância. Para o viajante brasileiro, que já enfrenta custos elevados com câmbio, hospedagem e transporte internacional, novas taxas podem pesar ainda mais na comparação entre destinos.

Para o WTTC, o problema não está apenas no valor cobrado, mas no efeito acumulado de tornar a viagem ao Reino Unido mais cara e fragmentada, já que diferentes cidades e regiões poderão estabelecer suas próprias taxas. “O Reino Unido deveria facilitar as viagens, não torná-las mais caras”, afirmou Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC. Segundo ela, os turistas têm alternativas e podem direcionar seus gastos para outros destinos caso o país perca competitividade. A entidade defende que governos e autoridades locais considerem, além da receita gerada pela cobrança, o impacto sobre hotéis, restaurantes, comércio, empregos e investimentos ligados ao turismo. O debate britânico reforça uma questão relevante para o turismo brasileiro: taxas cobradas do visitante precisam ser avaliadas também pelo efeito sobre a demanda. Em um mercado internacional cada vez mais competitivo, o custo total da viagem pode influenciar diretamente a decisão de compra, sobretudo em destinos de longa distância. Para o WTTC, eventuais taxas devem ser proporcionais, previsíveis e compatíveis com a competitividade internacional do destino.

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