Destinos que podem ser explorados a pé estão ganhando espaço entre turistas que buscam experiências mais conectadas com a cultura e a rotina dos locais visitados. Nesse cenário, o turismo caminhável impulsiona a valorização de centros históricos, regiões culturais e áreas urbanas com infraestrutura adequada para pedestres.
A tendência está diretamente ligada à caminhabilidade, conceito utilizado no urbanismo para avaliar se uma cidade oferece condições seguras, confortáveis e acessíveis para circulação a pé. No turismo, isso representa a possibilidade de conhecer atrações, restaurantes, cafés, espaços culturais e pontos históricos sem depender constantemente de veículos ou transporte público.
Caminhar também faz parte da viagem
A relevância desse modelo também aparece em estudos sobre comportamento turístico. Pesquisas internacionais indicam que a qualidade da experiência de caminhar influencia a percepção dos visitantes sobre um destino, proporcionando uma vivência mais imersiva e uma conexão mais profunda com a identidade local.
Em muitos casos, o próprio deslocamento passa a integrar a experiência da viagem.
O movimento acompanha uma mudança no perfil dos viajantes, que passaram a priorizar experiências mais autênticas, sustentáveis e próximas do cotidiano local. Em vez de percorrer grandes distâncias em roteiros acelerados, muitos turistas preferem explorar bairros inteiros caminhando, descobrindo detalhes da arquitetura, da gastronomia e da cultura que poderiam passar despercebidos.
Em Florianópolis, o Centro Histórico reúne uma série de atrativos concentrados em poucas quadras, permitindo que moradores e visitantes conheçam diferentes experiências em um único roteiro. Mercado Público, Praça XV, museus, cafés, restaurantes e a Ponte Hercílio Luz formam um circuito urbano que vem atraindo um público interessado em conhecer a cidade além das praias.
Segundo Adriano Palma, CEO do Faial Prime Suites, a procura por esse tipo de experiência tem se tornado cada vez mais evidente entre os hóspedes. “O turista quer conhecer a essência do lugar. Caminhar pelas ruas, descobrir pequenos negócios, visitar espaços culturais e observar a dinâmica da cidade. Existe uma valorização crescente das experiências que acontecem fora dos roteiros tradicionais”, afirma.
Impactos além do turismo
Além de aprimorar a experiência dos visitantes, a caminhabilidade também gera impactos positivos para a economia local. Estudos sobre turismo urbano mostram que ambientes favoráveis aos pedestres estimulam maior permanência nos espaços públicos e ampliam a interação com o comércio de rua, beneficiando restaurantes, cafeterias, lojas independentes, feiras e atrações culturais.
A lógica é direta: quanto mais agradável é caminhar, maior tende a ser o tempo de permanência e o consumo no entorno.
Para Palma, o conceito também transforma o papel da hospedagem. “Hoje o hotel faz parte de uma experiência muito mais ampla. A localização, a conexão com o entorno e a facilidade de explorar a cidade se tornaram fatores decisivos na escolha do destino e da hospedagem”, destaca.
A valorização das cidades caminháveis acompanha uma tendência global de desenvolvimento urbano voltada à mobilidade humana, à sustentabilidade e à ocupação dos espaços públicos. Rankings internacionais de turismo e mobilidade passaram a considerar a caminhabilidade entre os critérios analisados na avaliação dos destinos.
No setor de turismo, esse movimento reforça o potencial dos centros históricos e regiões culturais como protagonistas de uma nova forma de viajar: mais lenta, consciente e conectada à identidade local.






