O conceito de turismo caminhável vem ganhando espaço em Florianópolis e impulsionando a redescoberta do Centro Histórico da capital catarinense, especialmente durante o feriado de Corpus Christi. A tendência valoriza experiências urbanas feitas a pé, com foco em cultura, gastronomia, arquitetura e conexão com o cotidiano local.
A chamada caminhabilidade — termo utilizado no urbanismo para definir regiões planejadas para deslocamentos seguros, acessíveis e confortáveis para pedestres — passou a influenciar diretamente a escolha dos destinos turísticos no Brasil e no exterior.
Na capital de Santa Catarina, o movimento se fortalece em períodos de feriados prolongados, quando cresce a procura por viagens curtas e experiências mais autênticas e sustentáveis.
O Centro Histórico de Florianópolis concentra diversos atrativos culturais e turísticos em percursos acessíveis a pé. Entre os principais pontos visitados estão a Praça XV de Novembro, a Catedral Metropolitana de Florianópolis, o Palácio Cruz e Sousa, o Museu Victor Meirelles, o Mercado Público de Florianópolis e o Largo da Alfândega.
A poucos minutos de caminhada, turistas também encontram o Parque da Luz, a Beira-Mar Norte e a Ponte Hercílio Luz, um dos principais símbolos históricos e arquitetônicos do estado.
Reaberta para pedestres e ciclistas após revitalização, a estrutura se consolidou como um dos principais cenários do turismo urbano caminhável na capital, conectando patrimônio histórico, lazer ao ar livre e paisagem urbana.
Segundo Adriano Palma, CEO do Faial Prime Suites, a valorização da região central está diretamente ligada à busca por experiências mais imersivas.
“O visitante quer viver a cidade. Caminhar, descobrir cafés, visitar espaços culturais, contemplar a paisagem e sentir o ritmo urbano de Florianópolis. O Centro Histórico entrega exatamente essa experiência”, afirma.
Além de transformar a experiência do visitante, a caminhabilidade também gera impactos econômicos positivos. Estudos ligados ao turismo urbano indicam que turistas hospedados em regiões caminháveis permanecem mais tempo explorando o entorno, o que amplia o consumo em restaurantes, cafeterias, bares, museus, feiras culturais e no comércio local.
Segundo Palma, o comportamento já é percebido entre os visitantes hospedados na região central da cidade.
“Muitos turistas deixam o carro de lado e passam boa parte do dia explorando a cidade a pé. Isso gera uma conexão maior com o destino e fortalece o consumo de cultura, gastronomia e experiências locais”, destaca.
Outro reflexo observado em áreas urbanas voltadas aos pedestres é o aumento no faturamento do comércio e do setor de alimentação. Dados do segmento apontam que ruas mais acessíveis e espaços caminháveis podem elevar em até 30% o consumo por impulso em bares, restaurantes e estabelecimentos próximos.
Para o setor de hotelaria, o movimento reforça a importância da integração entre hospedagem e experiência urbana.
“Hoje o hotel não é apenas um espaço de hospedagem. O turista busca conveniência, conexão com o entorno e experiências que começam já na porta do empreendimento. Quando a cidade é caminhável, todos ganham: hóspedes, comércio local, gastronomia e o próprio destino turístico”, avalia Adriano Palma.
A Ponte Hercílio Luz também se consolidou como símbolo dessa transformação urbana. Integrada ao Parque da Luz e ao Centro Histórico, ela permite que moradores e turistas explorem diferentes atrações em poucas horas, sem necessidade de grandes deslocamentos.
Com patrimônio histórico, experiências culturais e paisagens urbanas concentradas em poucas quadras, o Centro Histórico de Florianópolis vem se fortalecendo como um dos principais polos de turismo caminhável da capital catarinense, tendência que ganha força especialmente fora da alta temporada de verão.






