Governo do Brasil investe R$ 122 milhões na Fiocruz para terapia gênica contra AME e inicia estudo clínico inédito

Governo do Brasil investe R$ 122 milhões na Fiocruz para terapia gênica contra AME e inicia estudo clínico inédito

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Governo do Brasil investimento saúde,Fiocruz terapia gênica,tratamento AME Brasil,Atrofia Muscular Espinhal Tipo 1,estudo clínico AME Brasil,medicina de precisão América Latina,SUS terapia inovadora,Ministério da Saúde doenças raras,Anvisa estudo clínico,Conitec incorporação tecnologia,Gemma Biotherapeutics transferência de tecnologia,Bio-Manguinhos Fiocruz,investimento federal saúde 122 milhões,produção nacional medicamentos raros,PDP medicamentos doenças raras,Embrapii terapias inovadoras,PDIL teste de exoma completo,política pública saúde Brasil

O Governo do Brasil anunciou investimento de R$ 122 milhões na Fiocruz para o desenvolvimento de terapia gênica voltada ao tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME) Tipo 1, marcando o início histórico do primeiro estudo clínico com seres humanos dessa tecnologia no país. A iniciativa posiciona o Brasil como referência em medicina de precisão na América Latina e amplia a perspectiva de qualidade e expectativa de vida para pacientes com a doença rara.

O estudo do medicamento experimental GB221 integra uma plataforma produtiva de plasmídeos e vetores virais, utilizados na fabricação de terapias avançadas para doenças raras. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde, com a presença do ministro Alexandre Padilha, e pelo presidente da Fiocruz, Mário Moreira.

Segundo o ministro, a oferta de terapias inovadoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma mudança estrutural no enfrentamento da doença. “Quando o SUS oferece uma terapia inovadora, estamos mudando o curso da doença e o destino dessas crianças. É a medicina mais avançada do mundo sendo ofertada gratuitamente à população brasileira”, afirmou.

A AME é uma doença genética rara que se manifesta nos primeiros meses de vida, causada por alteração no gene SMN1, responsável pela produção de proteína essencial ao funcionamento dos neurônios motores. A ausência dessa proteína provoca perda progressiva de força muscular e pode comprometer a sobrevivência nos primeiros anos de vida.

Avanço científico e regulação

A primeira infusão do medicamento foi realizada após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo encontra-se na fase 1, que avalia segurança e tolerabilidade, e seguirá para a fase 2, destinada à análise de eficácia. A incorporação ao SUS dependerá de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa norte-americana Gemma Biotherapeutics, Inc. (GEMMABio) e terá transferência de tecnologia para Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz responsável pelo desenvolvimento de terapias gênicas no país. A iniciativa também abre caminho para novas soluções terapêuticas voltadas a outras doenças raras, como Atrofia Muscular Esquelética, Atrofia Muscular Espinhal e Bulbar, Leucodistrofia Metacromática, Doença de Krabbe e Gangliosidose GM1.

Critérios de participação no estudo

Podem participar crianças sintomáticas com diagnóstico genético confirmado de AME Tipo 1, com mutações no gene SMN1 e até três cópias do SMN2, com idade entre duas semanas e 12 meses. Também podem ser incluídos pacientes pré-sintomáticos com risco confirmado da doença, respeitando critérios genéticos específicos.

A inclusão de novos participantes ocorrerá de forma gradual.

Investimentos em doenças raras e produção nacional

Além do aporte de R$ 122 milhões, o Governo do Brasil, por meio do Ministério da Saúde, destina R$ 214 milhões a pesquisas em novas tecnologias para diagnóstico, medicamentos e sequenciamento genético. Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), estão sendo investidos R$ 40,5 milhões no desenvolvimento de terapias inovadoras, incluindo síntese de nusinersena e estratégias baseadas em anticorpos.

O governo também firmou oito Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) voltadas à produção nacional de medicamentos para doenças raras, mobilizando R$ 2 bilhões para aquisição de fármacos pelo SUS, como cladribina, natalizumabe, ivacaftor e sirolimo.

Por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), serão investidos R$ 2,8 milhões em testes de exoma completo, com capacitação de especialistas do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo, fortalecendo o diagnóstico de precisão no país.

A estratégia integra uma política de fortalecimento da produção nacional, redução da dependência externa e ampliação do acesso a tratamentos de alta complexidade no sistema público de saúde.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Relacionados