O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quinta-feira (28), a presidenta da República do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons. A visita oficial marcou um novo avanço nas relações diplomáticas entre os dois países, que celebram 50 anos de parceria bilateral e ampliam a cooperação em áreas estratégicas.
Durante o encontro, os governos assinaram acordos em temas como infraestrutura, defesa, segurança pública, ciência e tecnologia, políticas sociais, segurança cibernética e desenvolvimento sustentável. A agenda também incluiu reuniões técnicas entre ministros e representantes dos dois países.
Em declaração conjunta à imprensa, Lula destacou a importância da aproximação regional e afirmou que o Brasil acompanha com entusiasmo o novo ciclo de crescimento do Suriname. Segundo o presidente, os dois países compartilham mais de 600 quilômetros de fronteira e mantêm uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical do planeta.
“Somos democracias sul-americanas que acreditam na cooperação, no multilateralismo e na integração regional como caminhos para a paz e o desenvolvimento”, afirmou o presidente.
A presidenta Jennifer Geerlings-Simons ressaltou o interesse do Suriname em fortalecer políticas públicas voltadas à segurança alimentar, assistência social, habitação e agricultura, utilizando programas brasileiros como referência. Ela também destacou o compromisso conjunto com a democracia e a integração regional.
A agenda da visita inclui intercâmbio de experiências em programas sociais brasileiros. Nesta sexta-feira (29), a líder surinamesa visitará uma unidade do CRAS, um empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida e a Embrapa Cerrados.
Entre os acordos firmados estão iniciativas de cooperação técnica em saúde pública, combate ao tráfico de pessoas, proteção da Amazônia, manejo integrado do fogo, defesa digital e operações coordenadas de segurança na faixa de fronteira amazônica.
Os dois países também avançaram em tratativas para ampliar o comércio bilateral. Atualmente, o fluxo comercial entre Brasil e Suriname é considerado reduzido, somando cerca de 55 milhões de dólares em 2025. A expectativa é ampliar acordos comerciais e facilitar novos negócios nos setores de energia, logística, agropecuária e mineração sustentável.
Lula destacou ainda a parceria entre a Petrobras e a estatal surinamesa Staatsolie para cooperação em petróleo, energias renováveis e segurança nas atividades de exploração de hidrocarbonetos. O Suriname vive um momento de crescimento econômico impulsionado pela descoberta de reservas de petróleo e gás natural.
Outro tema abordado foi a integração regional por meio do projeto “Anel das Guianas”, que busca ampliar a conexão entre o Norte do Brasil, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, fortalecendo a infraestrutura logística e o acesso aos mercados caribenhos.
Na área de segurança pública, os países reforçaram a cooperação policial e o combate a crimes transnacionais, incluindo narcotráfico, tráfico de pessoas, garimpo ilegal e crimes ambientais. O Suriname também foi convidado a participar do programa “Ouro-Alvo”, da Polícia Federal, voltado ao rastreamento da origem de minérios.
O encontro também marcou a atualização do acordo de cooperação em defesa entre os dois países. Segundo Lula, mais de 450 militares surinameses já foram formados em instituições brasileiras, fortalecendo a integração regional na área militar.
Durante a visita, o governo brasileiro também enviou ajuda humanitária ao Suriname, incluindo vacinas pneumocócicas, testes de Covid-19 e medicamentos para tratamento da tuberculose, utilizando aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB).
A visita da presidenta Jennifer Geerlings-Simons reforça a estratégia brasileira de ampliar a cooperação com países do Caribe e fortalecer os mecanismos de integração sul-americana diante dos desafios econômicos, ambientais e geopolíticos da região.






