O Seminário Regional de Autismo do Oeste de Santa Catarina reuniu especialistas, familiares, educadores e pessoas autistas em Maravilha para discutir inclusão, ciência, direitos e políticas públicas voltadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O encontro foi marcado por histórias de superação e conscientização, como a trajetória de Felipe Antônio, de Pinhalzinho, que encontrou nos desenhos e nas histórias em quadrinhos uma forma de expressão e comunicação sobre o autismo.
Ao lado da irmã Sofia Helena, ele participou da criação de uma revista em quadrinhos inspirada em experiências familiares, com o objetivo de aproximar a sociedade da realidade das pessoas autistas e promover informação, empatia e inclusão.
A programação do seminário destacou a importância da capacitação de profissionais da educação, saúde e áreas ligadas ao atendimento das pessoas com autismo. O evento abordou práticas inclusivas, manejo comportamental e políticas públicas.
O deputado Mauro De Nadal (MDB), propositor da iniciativa, destacou que o objetivo é ampliar o conhecimento sobre a causa e oferecer ferramentas para profissionais que atuam diretamente com pessoas autistas.
Segundo ele, o conhecimento contribui para a construção de ambientes mais acolhedores, preparados e inclusivos.
Ciência e inclusão
A programação contou com especialistas na área do autismo e da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), com debates sobre estratégias de acolhimento, desenvolvimento e redução de preconceitos.
A psicóloga Adriana Rubio destacou que a falta de informação ainda gera interpretações equivocadas sobre comportamentos de pessoas autistas, causando dificuldades para famílias e crianças.
A especialista reforçou que a capacitação de professores é uma ferramenta essencial para melhorar o acolhimento nas escolas e fortalecer o desenvolvimento dos alunos.
Também participou do evento a pedagoga e ativista Andréia Rigotti, que compartilhou sua experiência como mãe de uma pessoa autista e destacou a importância da ciência e do acesso a intervenções adequadas.
Para ela, o apoio às famílias ajuda a transformar o diagnóstico em novas possibilidades de desenvolvimento e qualidade de vida.
Relatos de famílias e pessoas autistas
Famílias participantes destacaram desafios como acesso a terapias, profissionais preparados e políticas públicas voltadas ao autismo.
Adileide Paiva Silva, mãe de uma criança autista, ressaltou a importância de iniciativas que aproximem informação e suporte das famílias.
Um dos momentos mais marcantes foi o relato de Roseli Claro, de 55 anos, pessoa autista que compartilhou sua história de exclusão, preconceito e superação.
Diagnosticada na infância, em uma época com pouco conhecimento sobre o tema, ela ouviu que não seria alfabetizada, mas conseguiu estudar, conquistar autonomia e hoje atua na defesa da inclusão.
A participante deixou uma reflexão sobre a importância de garantir oportunidades para crianças autistas dentro das escolas e da sociedade.
“Sou mulher, sou autista e sou muito feliz. Tenho orgulho de quem sou, mas não deveria ter passado por tudo o que passei. Eu poderia ter sido incluída.”






