Julho Dourado reforça prevenção de zoonoses e adoção responsável de animais em Santa Catarina

Julho Dourado reforça prevenção de zoonoses e adoção responsável de animais em Santa Catarina

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A campanha Julho Dourado tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre as zoonoses, doenças transmitidas entre animais e seres humanos, e reforçar a importância da adoção responsável de cães e gatos em situação de abandono.

A iniciativa foi instituída pela Lei Estadual 18.764/2023 e fortalecida pela Lei Federal 15.322/2026, ampliando as ações de informação e prevenção voltadas à saúde pública e ao bem-estar animal.

Especialistas e protetores de animais destacam que informação, prevenção e guarda responsável são as medidas mais eficazes para reduzir a transmissão de doenças e garantir melhores condições de vida para animais e pessoas.

Como prevenir zoonoses e proteger animais e pessoas

O que são zoonoses?

São doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas.

Entre as enfermidades mais conhecidas estão raiva, leptospirose, toxoplasmose, leishmaniose e esporotricose.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão pode ocorrer por diferentes formas:

  • mordidas e arranhões de animais infectados;

  • contato com fezes, urina ou secreções;

  • alimentos ou água contaminados;

  • picadas de mosquitos, pulgas e carrapatos.

Proteção dos animais

A prevenção começa com os próprios animais domésticos.

  • manter a vacinação em dia;

  • realizar vermifugação e controle de pulgas e carrapatos;

  • levar cães e gatos regularmente ao médico-veterinário.

Higiene e cuidados com o ambiente

Medidas simples ajudam a reduzir o risco de transmissão:

  • lavar as mãos após contato com animais;

  • recolher corretamente as fezes dos pets;

  • manter o ambiente limpo;

  • eliminar água parada e descartar o lixo de forma adequada.

Atendimento precoce

Feridas, lesões na pele, alterações de comportamento ou outros sintomas em animais devem ser avaliados rapidamente por um médico-veterinário.

Em caso de suspeita de infecção após contato com um animal, a orientação é procurar atendimento em uma unidade de saúde.

Guarda responsável contribui para a saúde pública

Animais bem cuidados apresentam menor risco de adoecer e transmitir enfermidades.

Alimentação adequada, vacinação, castração, acompanhamento veterinário e adoção responsável ajudam a proteger os animais, as pessoas e toda a comunidade.

Esporotricose preocupa autoridades sanitárias

Entre as zoonoses de maior relevância estão a leishmaniose, a raiva, a febre amarela, a leptospirose e, de forma crescente, a esporotricose, que vem apresentando um cenário de alerta epidemiológico em Santa Catarina.

Somente em Florianópolis, entre 2021 e 2025, foram registrados 75 casos da doença, frequentemente associados a felinos.

Em seres humanos, a esporotricose é transmitida principalmente por arranhões, mordidas ou contato de feridas abertas com animais infectados, solo ou vegetação.

A infecção costuma surgir inicialmente como um pequeno nódulo sem dor intensa ou coceira, semelhante a uma picada de inseto, geralmente em áreas expostas como mãos, braços e rosto.

Com a evolução do quadro, a lesão pode se transformar em uma úlcera e dar origem a novos nódulos ao longo dos vasos linfáticos.

Embora muitos pacientes demorem a buscar atendimento por causa da baixa intensidade da dor, o diagnóstico precoce é fundamental. Em casos raros, especialmente em pessoas imunocomprometidas, a doença pode atingir pulmões, ossos e articulações.

Mateus Ribeiro Gomes, integrante da Diretoria do Bem-Estar Animal da Prefeitura de Florianópolis e agente de combate a endemias, reforça a necessidade de atendimento imediato diante de qualquer suspeita da doença.

“A qualquer sinal de uma ferida que apareça entre os pelos dos animais, é necessário procurar atendimento imediatamente, tanto no hospital veterinário quanto diretamente com a Dibea”, afirmou.

Na capital catarinense, o combate à esporotricose também conta com a atuação de entidades da sociedade civil e de protetores independentes.

Rosa Elisa Villanueva, protetora de animais no município, afirma que o fungo Sporothrix spp. ocorre naturalmente no solo, mas que o aumento da população de gatos vivendo nas ruas tem agravado a disseminação da doença.

Segundo ela, é necessário ampliar as ações de castração e adoção de animais.

Adoção responsável é um dos focos da campanha

Outro eixo central do Julho Dourado é a adoção responsável.

Em Florianópolis, o trabalho é realizado pela Diretoria do Bem-Estar Animal, que resgata cães e gatos abandonados e busca novos lares para os animais.

Felipe Vieira, diretor de Bem-Estar Animal do município, explica que todos os animais acolhidos passam por avaliação veterinária e recebem tratamento quando necessário.

Os animais adotados também passam a contar com assistência veterinária gratuita oferecida pelo hospital veterinário municipal.

Segundo ele, os interessados em adotar passam por um processo de avaliação.

“É elaborado um prontuário com o perfil do tutor e do animal para verificar a compatibilidade. Também solicitamos imagens da residência. Cães são destinados apenas a casas com muros, enquanto gatos precisam de casas ou apartamentos com telas de proteção para evitar fugas e acidentes”, explicou.

Ao final, o diretor destacou a importância da participação da comunidade.

“A população pode colaborar diretamente por meio da adoção responsável, oferecendo afeto, cuidado e acolhimento. O abrigo deve ser apenas uma etapa temporária, pois a recuperação dos animais se completa quando eles passam a integrar uma família.”

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