Eleições 2026 ampliam acessibilidade nas urnas eletrônicas em Santa Catarina

Eleições 2026 ampliam acessibilidade nas urnas eletrônicas em Santa Catarina

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Nas Eleições 2026, a Justiça Eleitoral amplia os recursos de acessibilidade das urnas eletrônicas para tornar a votação mais simples, segura e autônoma para pessoas com deficiência.

Em Santa Catarina, 49.177 pessoas com deficiência estão aptas a votar nas Eleições 2026, segundo dados das Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, 34.556 são eleitores com voto obrigatório e 14.621 têm voto facultativo.

49.177 pessoas com deficiência estão aptas a votar em Santa Catarina nas Eleições 2026.

Em todo o país, o Brasil possui cerca de 15 milhões de pessoas com deficiência, de acordo com dados preliminares do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números reforçam a importância de garantir que o processo eleitoral seja acessível e permita que cada cidadão exerça seu direito de escolha com independência.

Dia da festa da democracia

Professor, músico e ativista da causa da pessoa com deficiência, João Batista de Paula, conhecido como João de Paula, é cego desde o nascimento. Apesar dessa condição, ele nunca deixou de votar. Para João, o dia de votar representa uma festa da democracia.

“É o dia em que a gente pode trazer para as nossas mãos a possibilidade de que aconteçam as mudanças que sonhamos”, afirmou.

Ao longo de sua trajetória, ele acompanhou de perto as transformações no processo eleitoral brasileiro e destaca a acessibilidade proporcionada pela urna eletrônica como uma conquista fundamental para a autonomia das pessoas com deficiência visual.

“Foram avanços fundamentais para o protagonismo da pessoa com deficiência”, observou.

Uma urna mais acessível

Símbolo do processo democrático brasileiro, a urna eletrônica passou por mudanças para as eleições deste ano. As adaptações foram desenvolvidas a partir da identificação de dificuldades encontradas pelos eleitores durante a votação, com o objetivo de aprimorar a experiência no momento de exercer um dos direitos fundamentais da cidadania.

Entre as novidades está a adoção de uma nova fonte tipográfica, com características que favorecem a legibilidade, além de telas de votação redesenhadas e uma barra de progresso, que permite acompanhar em tempo real as etapas da votação.

A informação é da coordenadora de Desenvolvimento de Saúde e de Acessibilidade e Inclusão, Simone dos Santos de Bernardo Martins, que destacou que a instituição vem ampliando os recursos de acessibilidade para garantir a participação das pessoas com deficiência nas Eleições 2026.

Ela também destaca que o eleitor deve informar sua condição ao cartório eleitoral. Mesmo após o prazo para atualização do cadastro, encerrado em 20 de agosto, a necessidade de atendimento especial pode ser comunicada ao mesário no dia da votação.

As urnas eletrônicas mantêm recursos como teclado em braile, áudio para pessoas com deficiência visual e Libras para eleitores com deficiência auditiva. Nesta eleição, também foi aprimorada a fonte utilizada no equipamento, facilitando a leitura por pessoas com baixa visão. O recurso de áudio é disponibilizado com fone de ouvido e permite ao eleitor acompanhar as teclas digitadas durante a votação.

Eleições 2026: acessibilidade nas urnas eletrônicas

Os recursos auxiliam eleitores com deficiência durante as diferentes etapas da votação.

Áudio
Orientações sonoras auxiliam o eleitor durante a votação.

Braile
O teclado possui identificação em braile para auxiliar a votação.

Libras
O recurso de Libras está presente nas interações da urna com o eleitor.

Novidade em 2026: nova fonte

A tipografia utilizada na urna foi atualizada para melhorar a legibilidade para pessoas com baixa visão.

Novidade em 2026: barra de progresso

O recurso permite acompanhar visualmente o avanço pelas etapas da votação.

A instituição também realiza vistorias nos locais de votação para identificar e corrigir barreiras de acessibilidade.

Outra iniciativa destacada por Simone é o programa Seu Voto Importa, que prevê a articulação de alternativas de transporte para eleitores que necessitem desse apoio, mediante solicitação à zona eleitoral ou à Ouvidoria.

Para ela, garantir acessibilidade significa também romper barreiras e ampliar a participação política das pessoas com deficiência.

A experiência pessoal, por ter um filho com deficiência e ser mãe atípica, reforçou seu compromisso com a área e com a defesa de condições que permitam a esse público exercer plenamente o direito ao voto.

Simone defende que a sociedade precisa compreender que, em muitos casos, são necessários recursos específicos para garantir igualdade de participação.

No caso das eleições, isso significa assegurar que essas pessoas tenham condições de exercer o direito de escolher seus representantes.

“Quanto mais governantes tivermos com mentes mais abertas para isso, mais poderemos ter políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência.”

Simone dos Santos de Bernardo Martins
Coordenadora de Desenvolvimento de Saúde e de Acessibilidade e Inclusão

Para ela, a acessibilidade é fundamental para que mais eleitores possam participar das eleições com autonomia e exercer plenamente seu direito ao voto.

Recursos para pessoas cegas e com baixa visão

As urnas eletrônicas contam com diferentes mecanismos de acessibilidade. Entre eles estão o teclado com identificação em braile, a marca de identificação da tecla 5, o sistema de áudio e as telas reorganizadas para facilitar a leitura e a compreensão das informações.

“As mudanças beneficiam especialmente pessoas cegas ou com baixa visão”, destaca.

O sistema de áudio oferece orientações sonoras durante as etapas da votação, permitindo que a pessoa acompanhe o procedimento com maior independência.

Também houve ampliação do uso de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em diferentes momentos de interação com a urna eletrônica, ampliando as possibilidades de comunicação e acesso ao processo eleitoral.

Áudio pode ser ativado no local de votação

Orientação ao eleitor

O volume e a velocidade das orientações sonoras podem ser ajustados diretamente pelo teclado da urna.

3 — Aumentar o volume
Eleva o volume da orientação sonora.

9 — Diminuir o volume
Reduz o volume da orientação sonora.

6 — Fala mais rápida
Aumenta a velocidade da orientação.

4 — Fala mais lenta
Reduz a velocidade da orientação.

5 — Referência no teclado
A marcação da tecla 5 auxilia na localização das demais teclas durante a votação.

Fone de ouvido
O equipamento é fornecido pela Justiça Eleitoral e conectado à urna pela mesária ou pelo mesário. Não é permitido utilizar fone próprio.

Não solicitou antes?

Mesmo sem informar previamente a necessidade, o eleitor pode solicitar a ativação do recurso no local de votação. A presidência da mesa poderá habilitar o sistema antes da liberação para votar.

Tecnologia a serviço da cidadania

As mudanças implementadas para 2026 mostram que a evolução da urna eletrônica não está apenas relacionada à tecnologia, mas também à capacidade de ouvir o eleitor e adaptar o processo eleitoral às diferentes necessidades da população.

Ao tornar as informações mais legíveis, oferecer orientação sonora, ampliar recursos em Libras e facilitar o acompanhamento das etapas da votação, a Justiça Eleitoral fortalece um princípio essencial da democracia: o direito de cada cidadão participar das eleições com autonomia, segurança e dignidade.

Mais do que um equipamento utilizado no dia da eleição, a urna eletrônica representa uma ferramenta de participação democrática. Quando seus recursos são aprimorados para atender também às pessoas com deficiência, a tecnologia passa a cumprir um papel ainda maior: ajudar a garantir que nenhuma barreira física, visual, auditiva ou de comunicação impeça o exercício do voto.

Nas Eleições 2026, a acessibilidade eleitoral ganha espaço dentro da própria urna.

“É a tecnologia contribuindo para uma democracia mais inclusiva, na qual cada voto importa e cada eleitor precisa ter condições de fazer sua escolha”, definiu.

João de Paula: “Votar é sinônimo de cidadania, participação e protagonismo”

João Batista de Paula vota desde 1986 e lembra que, no início de sua participação eleitoral, o processo era muito diferente. Alfabetizado em Braille, ele utilizava uma folha adaptada com os nomes e números dos candidatos sobreposta à cédula de votação. A escolha era feita por meio de um pequeno furo no papel, que indicava o candidato escolhido.

Apesar da adaptação, o procedimento não garantia independência ao eleitor com deficiência visual.

“Era um processo bem precário e a gente precisava de outra pessoa. Então, as pessoas sabiam o nosso voto. Não era secreto para nós, porque precisávamos de ajuda”, recorda.

A chegada da urna eletrônica representou, para João, uma mudança radical. Com o recurso de áudio, o eleitor com deficiência visual consegue acompanhar a votação e confirmar os números digitados sem depender de outra pessoa.

“Com a urna eletrônica ficou toda a vida. Hoje a gente consegue votar com autonomia. A gente entra na cabine de votação, ouve o número que teclou e consegue votar sem nenhuma possibilidade de dependência. É cidadania plena”, afirma.

Para João, a importância do voto vai muito além do ato de escolher candidatos. Em uma democracia representativa, segundo ele, votar significa escolher quem irá representar as demandas da população nas diferentes esferas do poder.

Autonomia e participação

“Para mim, votar é sinônimo de cidadania, é sinônimo de participação, é sinônimo de protagonismo.”

João de Paula
Professor, músico e ativista da causa da pessoa com deficiência

Voto como instrumento de transformação

Ativista da causa da pessoa com deficiência, João também vê o voto como uma ferramenta para reivindicar uma sociedade mais acessível. Para ele, sair de casa para votar representa também cobrar dos poderes públicos medidas que garantam melhores condições de vida e participação social.

“Quando a gente sai de casa para votar, solicita dos poderes constituídos outras providências: uma cidade mais acessível, calçadas mais acessíveis, que favoreçam a nossa caminhabilidade, e todos os recursos disponíveis que façam com que a nossa deficiência seja menos gravosa”, explica.

Na avaliação de João, muitas das dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência não estão necessariamente na deficiência em si, mas nas barreiras criadas pela própria sociedade.

“As barreiras sociais contribuem para que a gente seja mais e mais deficiente.”

João de Paula
Professor, músico e ativista da causa da pessoa com deficiência

Por isso, ele defende que o exercício do voto seja também compreendido como uma forma de participação ativa na construção de uma sociedade mais inclusiva.

“O ato de votar traz uma simbologia sensacional nesse sentido. A gente dialoga com toda a sociedade para que cada um faça a sua parte, para que o mundo seja mais acessível, um mundo que seja, de fato, de todo mundo.”

Uma conquista que acompanha a evolução dos direitos

Apesar dos avanços, João avalia que ainda há um longo caminho a percorrer para que a inclusão seja plenamente alcançada. Ele considera, porém, que as conquistas obtidas ao longo das últimas décadas mostram que a luta das pessoas com deficiência está avançando.

“Eu acho que a gente precisa caminhar bastante, porém, o meu entendimento é de que nós estamos no caminho certo. A luta das pessoas com deficiência está no caminho certo”, avalia.

Para ele, a possibilidade de votar de maneira autônoma representa muito mais do que uma inovação tecnológica.

“É também um reconhecimento da cidadania da pessoa com deficiência. Acho que, quando a gente ouve, no caso da deficiência visual, o som do nosso voto, alguém dizendo em quem a gente votou e a gente pode teclar de uma maneira tranquila, é um grande passo.”

João lembra que a própria forma como a sociedade se referiu às pessoas com deficiência também mudou ao longo do tempo. Termos como “inválido”, “excepcional”, “portador” e “PNE” deram lugar à expressão “pessoa com deficiência”, reforçando uma mudança de perspectiva sobre direitos, autonomia e participação.

“Nós somos chamados de pessoas há pouco tempo. A gente era chamado de inválido, depois excepcional, depois portador, depois PNE. E ‘pessoa’ é recente.”

Nesse contexto, para João, a acessibilidade eleitoral simboliza justamente essa transformação: o reconhecimento de que, antes de qualquer deficiência, existe uma pessoa com direito de participar plenamente da sociedade.

“Quando nos dão a possibilidade de votar com qualidade, com cidadania, é esse reconhecimento. Ali tem uma pessoa que precisa exercer a sua cidadania.”

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