O curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) reuniu aproximadamente 700 pessoas em Itajaí, nesta segunda e terça-feira, 28 e 29 de setembro, para celebrar seus 35 anos de trajetória. Estudantes, egressos, professores, ex-professores, profissionais da imprensa e parceiros participaram de uma programação que recuperou momentos da história do curso, homenageou pessoas que contribuíram para sua formação e colocou em discussão questões presentes no jornalismo contemporâneo, como apuração, novas linguagens e inteligência artificial.
A cerimônia de abertura, na segunda-feira, coincidiu com o Dia Mundial do Jornalismo e reuniu pessoas que passaram pelo curso em diferentes momentos de sua trajetória. Um curta-metragem recuperou parte dessa história a partir de depoimentos de egressos, enquanto uma exposição apresentou câmeras fotográficas, filmadoras, máquinas de escrever e lentes utilizadas em coberturas de partidas de futebol. Os equipamentos aproximaram estudantes e visitantes de diferentes períodos da produção jornalística e das transformações pelas quais passou a profissão.
A relação com o mercado de trabalho ganhou espaço no evento em uma feira de negócios que reuniu empresas e veículos da região ligados à área da comunicação. NSC TV, Rádio Atlântida, Visor Notícias, NDTV, Rádio Menina, Jovem Pan News, Univali TV, Univali FM, Desapego Nikon, Café Maestro e Rock Set Produções disponibilizaram fichas para cadastro de interessados em oportunidades de estágio, aproximando os estudantes de novas experiências profissionais.
Muitos dos profissionais que representaram essas organizações são egressos do curso e hoje atuam no mercado, o que fez do encontro também um momento de reencontro com professores, colegas e estudantes.
“A formação de profissionais qualificados para atuar na comunicação tem impacto direto na cidade. Muitos jornalistas formados pela Univali hoje estão em redações, empresas e também na comunicação pública de Itajaí. Para o município, apoiar uma celebração como essa significa reconhecer a trajetória de quem ajuda a contar a nossa história e, ao mesmo tempo, incentivar os estudantes que estão se preparando para ingressar no mercado”, afirmou o secretário de Comunicação de Itajaí, Theo Cevey, em sua fala durante o evento.
Entre os exemplos dessa trajetória está a própria Secretaria de Comunicação de Itajaí, que apresentou um vídeo com depoimentos de egressos sobre diferentes momentos de suas carreiras, desde o estágio até a chegada a cargos de liderança.
Mais de 1.500 jornalistas já se formaram pelo curso desde sua criação. Ao longo desses 35 anos, esses profissionais seguiram diferentes caminhos na imprensa e em outras áreas da comunicação, em redações, emissoras de televisão e rádio, assessorias, agências, produtoras, empresas e veículos digitais.
Seus nomes estavam registrados em cartazes espalhados pelo hall do teatro, compondo a memória visual da trajetória do curso e fazendo daquele espaço um ponto de encontro entre antigos colegas.
“Cada tijolinho da Univali esconde uma história, uma pauta, e coube a nós, que nos apaixonamos pelo jornalismo, sair mundo afora para contar belas histórias. Mas vivenciar a história que construímos com os colegas e nossos mestres, com certeza, foi a produção mais feliz e prazerosa de nossa jornada. Cada um de nós se lembra muito bem do primeiro dia de aula, do barulho das máquinas de escrever para preencher uma lauda, do cheiro do revelador para descobrir nossas primeiras fotos, que saíram tremidas, das borboletas no estômago e pernas bambas, da primeira vez que seguramos um microfone e o cinegrafista falava: ‘gravando’. São tantas histórias. Foi emocionante relembrar e reencontrar tantos amigos queridos”, registrou a jornalista Christiane Pinheiro, egressa da turma de 1999 e repórter da SCC.
“É sempre bom e enriquecedor retornar à Univali. Porque universidade também é lugar para se fazer boas amizades”, enfatizou.
Memória e reconhecimento
A cerimônia também foi marcada por homenagens a ex-coordenadores, ex-professores e ex-alunos que fizeram parte da história do curso. Primeiro coordenador do Jornalismo, Magru Floriano participou do encontro e recebeu certificado em reconhecimento à sua contribuição.
Ao relembrar a criação da graduação, destacou a ética no jornalismo como um dos princípios que orientaram a formação ao longo dessa trajetória.
“Quando começamos a construir o curso de Jornalismo, havia uma convicção de que a formação precisava estar sustentada pela ética. As ferramentas mudaram, os meios mudaram e o modo de fazer jornalismo mudou, mas a responsabilidade diante da informação, das fontes e da sociedade continua sendo a mesma. É isso que precisa permanecer no centro da formação”, afirmou.
A mudança tecnológica também chegou ao palco. Egresso do curso e produtor do Fantástico, James Alberti compartilhou aspectos do trabalho de apuração de suas reportagens e levou à discussão o uso da inteligência artificial na comunicação.
A abordagem tratou a tecnologia a partir de critérios de resultado, responsabilidade e pensamento crítico, colocando em questão como novas ferramentas podem ser incorporadas à rotina profissional sem deslocar a responsabilidade de quem produz e publica informação.
A programação contou ainda com a participação da Associação Atlética de Jornalismo, da Liga Acadêmica Antonieta de Barros e dos projetos de extensão Proa Mídia Lab e Oxigênio, ampliando a participação dos estudantes nas atividades comemorativas.
“A celebração reuniu diferentes gerações do curso e mostrou como essa história continua sendo construída por quem ensina, aprende e faz jornalismo”, afirmou o coordenador do curso de Jornalismo, professor Robson Freire.
Investigação, redes e inteligência artificial
O segundo dia da programação, na terça-feira, 29, levou ao debate experiências atuais do exercício profissional. A primeira conversa foi dedicada ao jornalismo investigativo, com participação de Juan Todescatt, repórter da NSC TV com 20 anos de atuação; Fábio Bispo, repórter investigativo da Agência Sumaúma, especializado em jornalismo de dados e cobertura da Amazônia; e Talita Catiê, repórter da NSC Total e finalista do Prêmio Vladimir Herzog.
A conversa abordou experiências de reportagem e apuração, checagem de informações e desafios envolvidos na produção de conteúdos jornalísticos investigativos.
Na sequência, o painel “Jornalismo nas redes sociais” reuniu Bruna Bertoletti, assessora, gestora de influenciadores digitais e cofundadora da Rizo Agência; Thamiriz Garcia, criadora de conteúdo sobre rotina, família e lifestyle; e Joel Minusculli, gestor de mídias digitais da Oficina das Palavras e especialista em inteligência artificial generativa aplicada à comunicação.
Os convidados discutiram novas linguagens, produção de conteúdo, influência digital e as transformações provocadas pelas redes sociais e pela tecnologia no trabalho dos profissionais da comunicação.
Criado em 1991 como bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, o curso teve sua primeira turma formada em 1995. Em 2012, passou a ser estruturado como bacharelado em Jornalismo, formato implantado a partir de 2013.






