Controladores de javalis, autoridades e representantes da agropecuária participaram de uma audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) para discutir medidas de enfrentamento à superpopulação da espécie invasora e os impactos causados no setor produtivo em Santa Catarina.
O encontro foi realizado pela Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Assembleia, na tarde de quinta-feira (9), no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, reunindo deputados, vereadores, dirigentes de entidades ligadas ao setor agropecuário e controladores de diversas regiões do estado.
A audiência debateu soluções para conter o avanço do javali (Sus scrofa), espécie exótica considerada invasora, que, segundo os participantes, vem causando prejuízos à produção rural, ao meio ambiente e à sanidade animal.
Controladores defendem desburocratização
O presidente da Associação Brasileira de Caçadores “Aqui tem Javali”, Rafael Salerno, apresentou as principais reivindicações dos controladores. Entre elas, estão a redução da carga tributária sobre a compra de armas, a transferência da responsabilidade pelo controle da espécie da União para os estados e a simplificação dos procedimentos para autorização do manejo.
“Um dos maiores problemas nossos é enfrentar a burocracia e o Estado brasileiro, que nos atrapalha diariamente para fazer esse controle”, afirmou Salerno.
Segundo ele, o trabalho é realizado de forma voluntária e com recursos próprios para proteger a agricultura e o meio ambiente.
O representante também criticou a cobrança de 25% de ICMS sobre a compra de armas, os prazos exigidos pelos órgãos federais para emissão da documentação necessária e a necessidade de obter uma autorização específica para cada município onde ocorre o controle dos animais.
Preocupação com riscos sanitários
Marcos Daniel Valadares, da União dos Caçadores da Serra, alertou para os riscos sanitários provocados pela expansão dos javalis, especialmente para a suinocultura catarinense.
Ele também criticou autuações aplicadas a controladores quando os cães utilizados nas operações entram no Parque Nacional de São Joaquim, onde o manejo da espécie não é permitido.
O presidente da Câmara de Vereadores de Bom Jardim da Serra, Gilmar Nunes Oliveira, também reclamou das penalidades.
“Quando soltamos o cão, ele vai andar vários quilômetros, entrar em outras propriedades e em locais onde não há autorização”, afirmou.
Ibama apresenta dados do manejo no estado
O superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo da Costa Filho, informou que, entre 2019 e 2026, o Sistema de Informação de Manejo da Fauna (Simaf) registrou 268 mil solicitações de autorização para o abate de javalis no estado, com 224 mil animais abatidos em quase 90% dos municípios catarinenses.
Segundo o representante do órgão, ainda existe subnotificação desses números. Ele afirmou, porém, que menos de 1% dos pedidos de autorização são negados, indicando que o processo de emissão não apresenta elevada taxa de indeferimento.
Estado amplia ações de controle
A coordenadora do Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras (PEEEI), Elaine Zuchiwschi, apresentou um balanço das ações desenvolvidas pelo Plano de Manejo e Controle do Javali, iniciado em 2023.
De acordo com ela, as iniciativas incluem capacitação de agricultores e controladores, disponibilização de armadilhas para captura dos animais e eliminação de focos de javalis mantidos em cativeiro.
Durante a audiência, também foi lançado o Censo Catarinense do Controlador de Javali, iniciativa que pretende mapear os controladores em atuação no estado para subsidiar a elaboração de políticas públicas, ações e legislações voltadas ao controle da espécie invasora.






