Uma pessoa sofre queimadura a cada 32 segundos no Brasil. São cerca de 1 milhão de casos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras. Desses, 52 são graves o suficiente para exigir internação hospitalar, e três mil brasileiros morrem anualmente em decorrência dessas lesões. Junho é o mês em que essa estatística piora — e a explicação tem nome e tradição: festas juninas.
Em Santa Catarina, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMSC) acompanha o fenômeno em escala local. Em 2023, foram 31 ocorrências envolvendo fogueiras atendidas pela corporação; em 2024, 33; em 2025, o número passou para 50 — uma alta de 61% em dois anos. Os dados cobrem o ano inteiro, mas a concentração é conhecida: é entre junho e julho que a fogueira deixa de ser exceção e passa a ser rotina nos quintais, sítios e arraiás do estado.
“Os fogos de artifício costumam dominar o noticiário sobre acidentes juninos, mas a fogueira, mais doméstica e culturalmente naturalizada, produz um tipo de acidente menos espetacular e mais frequente: queimaduras de segundo grau em mãos, punhos, braços, tronco, rosto e olhos, frequentemente provocadas por estalos e estilhaços durante o acendimento, especialmente quando se usam materiais inflamáveis como papel, madeira seca ou álcool”, destaca o comandante-geral, coronel Fabiano de Souza.
A regra da altura
A pergunta certa antes de acender uma fogueira não é “está longe o suficiente?”, mas “qual é a altura dela?”. A Instrução Normativa 24 do CBMSC estabelece o critério de proporção: a fogueira deve estar afastada no mínimo uma vez e meia a sua própria altura de edificações, vias públicas, fiação elétrica, rede telefônica e qualquer material combustível.
Na prática, uma fogueira de dois metros de altura exige três metros de raio livre ao redor; uma de quatro metros requer seis metros de afastamento; e uma de um metro e meio — a mais comum em quintais — pede mais de dois metros de distância.
Três regras que quase ninguém conhece
A norma da corporação traz orientações que contradizem práticas comuns e merecem atenção especial.
A primeira: fogueira se acende pelo topo, não por baixo. Quando o fogo começa na base, a pilha de madeira desaba rapidamente, espalha brasa para os lados e o controle da chama se perde junto.
A segunda: jogar bombinha ou rojão na fogueira é proibido. A explosão dentro do fogo lança brasa em todas as direções — sobre pessoas, telhados e vegetação — e é o tipo de brincadeira que termina em pronto-socorro.
A terceira: colocar areia embaixo antes da madeira. Uma camada de areia no solo impede que o calor desça pela terra e queime raízes ou folhagem subterrânea, uma das causas mais comuns de o fogo reaparecer horas depois da festa.
Atenção: brasa apagada não é brasa fria. Antes de se afastar, é necessário jogar bastante água sobre toda a madeira queimada, mexer as cinzas com pá ou enxada, repetir o processo e só encerrar quando não houver mais fumaça, calor ou estalo.
Cuidados básicos para uma noite sem acidentes
Manter distância mínima equivalente a uma vez e meia a altura da fogueira em relação a vegetação, construções e redes elétricas; colocar areia entre o solo e a madeira antes de acender; nunca utilizar álcool, gasolina, querosene ou qualquer inflamável líquido; manter balde de água ou areia sempre por perto; evitar fogueiras em dias de vento forte; não usar roupas largas, com mangas ou de tecido sintético próximas ao fogo; manter crianças e animais afastados, sempre sob supervisão; e não acender fogueira após consumo de álcool.






