O Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, reforça a importância do debate sobre acolhimento, adoção tardia e construção de famílias por meio do afeto em Santa Catarina. A data também chama atenção para os desafios enfrentados por crianças e adolescentes que aguardam por uma família nos serviços de acolhimento.
Entre histórias marcadas pela transformação de vidas está a do empresário Francisco Koch, de São José, pai solo de cinco filhos adotados. Para ele, a adoção se tornou não apenas a realização do sonho da paternidade, mas também o principal propósito de vida.
“Entre todas as possibilidades de eu ser pai, a adoção me parecia, eticamente, a decisão mais correta”, relembra.
O processo começou em 2011 e, em 2012, chegaram Cristiano e Christine, os dois primeiros filhos. Anos depois, a família cresceu novamente com a adoção dos irmãos André, Amayra e Iago.
A decisão de acolher os três irmãos juntos exigiu mudanças profundas na rotina. “Eu não quis separar os três irmãos. Fiz a opção de abdicar de boa parte da minha vida para que eles permanecessem unidos. Valeu muito a pena”, afirma.
Francisco destaca que ser pai solo de cinco filhos exige dedicação e sensibilidade. “Eles são a razão mais forte de eu existir. É por eles que eu batalho e tento ser um bom exemplo”, diz.
Histórias de adoção representam recomeço e transformação
Outra trajetória marcada pela adoção é a da servidora pública Rubia Decol. Após enfrentar um tratamento contra câncer de mama e descobrir que uma gravidez poderia representar riscos à saúde, ela e o marido decidiram seguir o caminho da adoção.
“O desejo de ser mãe nunca deixou de existir”, conta.
O casal iniciou o processo de habilitação em 2016 e aguardou oito anos até receber a ligação informando que havia uma criança disponível para conhecer.
O encontro com Miguel aconteceu em novembro de 2024 e marcou definitivamente a vida da família.
“Foi amor à primeira vista. Ele transformou completamente nossa vida”, relata emocionada.
Miguel chegou à família com cinco meses de idade e recentemente completou dois anos. Para Rubia, a experiência reforça a importância de ampliar o olhar sobre crianças que aguardam por adoção.
“Há muitas crianças que precisam de amor, carinho e de uma família. É triste que o processo ainda seja tão demorado”, afirma.
Santa Catarina possui mais de 2 mil crianças acolhidas
Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, do Conselho Nacional de Justiça, apontam que Santa Catarina possui atualmente 2.027 crianças e adolescentes acolhidos em instituições.
Desse total, 328 estão aptos à adoção e 255 já se encontram em processo de adoção. O estado possui ainda 2.690 pretendentes ativos habilitados.
Em âmbito nacional, o sistema contabiliza 36.494 crianças e adolescentes acolhidos, 6.214 aptos à adoção e 32.039 pretendentes cadastrados.
Para o juiz-corregedor do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Raphael Mendes Barbosa, o processo exige preparo emocional e responsabilidade dos pretendentes.
“A adoção é uma decisão que precisa ser muito amadurecida. Estamos falando de crianças e adolescentes que muitas vezes passaram por situações graves de vulnerabilidade”, destaca.
Adoção tardia ainda é principal desafio
Segundo o magistrado, um dos maiores desafios do sistema continua sendo a adoção tardia. Crianças acima de 8 anos, adolescentes e grupos de irmãos costumam permanecer mais tempo nos serviços de acolhimento.
“A maioria dos pretendentes ainda busca perfis específicos, geralmente bebês. Já crianças maiores e adolescentes enfrentam mais dificuldade para encontrar uma família”, explica.
Outro ponto apontado pelo juiz envolve crianças e adolescentes com problemas de saúde, que também encontram mais obstáculos no processo de adoção.
Estado possui programas de incentivo e acolhimento
Em Santa Catarina, a Lei Estadual nº 17.731/2019 instituiu a Semana de Incentivo à Adoção Tardia, realizada anualmente na primeira semana de setembro. A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre a adoção de crianças acima de 3 anos e adolescentes.
O estado também desenvolve programas de apoio como o Programa de Apadrinhamento Afetivo e o Programa Entrega Legal, desenvolvido pelo TJSC, que oferece acolhimento e orientação para gestantes interessadas em entregar os filhos à adoção de forma assistida e sigilosa.
As iniciativas têm como objetivo fortalecer a proteção de crianças e adolescentes em situação de acolhimento e ampliar as oportunidades de inserção familiar por meio do afeto e da convivência comunitária.






