Esquecimento pode ser Alzheimer? Médica explica sinais de alerta

Esquecimento pode ser Alzheimer? Médica explica sinais de alerta

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Uma mulher de 75 anos entra na cozinha e esquece por que foi até lá. Minutos depois, lembra. Para ela, é apenas mais um dia. Para a filha, que presencia a cena pela terceira vez na semana, a dúvida já não sai da cabeça: será Alzheimer?

É uma pergunta que se repete em muitas famílias com pais ou avós na faixa dos 70 e 80 anos e ganha força em torno do Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro. A doença é a principal causa de demência, responsável por 60% a 70% dos casos no mundo. Neurodegenerativa e progressiva, compromete a memória, a linguagem, a orientação e o raciocínio e, com o avanço, também a capacidade de realizar tarefas do dia a dia.

Segundo a médica intensivista Dra. Elizabeth Buss Lunardelli, coordenadora do Programa de Longevidade da DOM Senior Living, a resposta para essa dúvida quase nunca está em um episódio isolado. Os sinais de alerta são esquecimentos frequentes, que se repetem e pioram com o tempo. Repetir a mesma pergunta ou história dentro de uma única conversa, não lembrar o que comeu no dia anterior ou perder, aos poucos, a capacidade de realizar tarefas que antes eram automáticas, como controlar as próprias finanças e pagar as contas em dia, são situações que merecem atenção.

Muitas vezes, é a família, e não o próprio paciente, que primeiro percebe a perda de independência no dia a dia. “Essa perda funcional é um dos indicadores mais fortes de que não se trata apenas do envelhecimento normal, e sim de um quadro que precisa de avaliação médica”, explica Elizabeth. A investigação também serve para descartar outras causas de esquecimento, como problemas de tireoide, deficiência de vitamina B12 ou efeitos colaterais de medicamentos, que podem produzir sintomas semelhantes.

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A avaliação médica considera a história clínica do paciente e pode incluir exames complementares. Mudanças importantes nem sempre aparecem em uma consulta isolada, por isso, a observação de familiares e pessoas próximas contribui para a investigação, especialmente quando as alterações começam a interferir na autonomia ou na rotina.

Diagnosticar a doença ainda na fase inicial muda o que vem depois. Segundo Elizabeth, permite que o paciente e a família organizem o cuidado e o futuro enquanto a pessoa ainda tem capacidade de participar das decisões, do planejamento financeiro e jurídico à escolha da moradia. Também reduz a angústia de não entender o que está acontecendo. Saber a causa das mudanças de comportamento e de memória pode aliviar o estresse emocional de quem cuida e evitar que o próprio paciente precise se esforçar para esconder dificuldades do cotidiano.

“É importante reconhecer, por outro lado, que o processo diagnóstico também pode gerar ansiedade e medo antecipatório na família, o que reforça a necessidade de suporte adequado desde o momento da comunicação do diagnóstico”, pondera a médica.

O cuidado com a saúde cerebral começa muito antes de qualquer sintoma aparecer. No Brasil, estima-se que cerca de 60% dos casos de demência poderiam ser evitados ou adiados com o controle de fatores de risco modificáveis. O Ministério da Saúde lista 14 deles: baixa escolaridade, perda auditiva, colesterol LDL elevado, depressão, traumatismo craniano, inatividade física, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social, poluição do ar e perda visual.

Entre esses fatores, manter os vínculos sociais ativos costuma ser subestimado. Elizabeth explica que a vida social protege o cérebro por diferentes caminhos: favorece o acesso a apoio e recursos, reduz o estresse, estimula hábitos de vida mais saudáveis e promove a estimulação mental por meio da própria convivência. “Manter a vida social ativa é uma medida preventiva relevante e deve fazer parte de uma estratégia mais ampla, que inclua atividade física, estímulo cognitivo, controle da pressão arterial e atenção a outros fatores de risco cardiovascular”, afirma.

Essa abordagem também amplia a discussão sobre o ambiente em que se vive. Modelos de moradia voltados à longevidade começam a incorporar ao cotidiano oportunidades de convivência, atividade física, acompanhamento da saúde, alimentação adequada, aprendizado e estímulo cognitivo, reunindo, em um mesmo contexto, práticas relacionadas a diferentes fatores associados ao envelhecimento saudável.

É a proposta adotada pela DOM Senior Living, que combina apartamentos independentes, espaços e serviços compartilhados e um Programa de Longevidade individualizado. No LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living, em operação na Pedra Branca, em Palhoça, Santa Catarina, os moradores passam por uma avaliação multidisciplinar que orienta o acompanhamento. A estrutura reúne academia, piscina aquecida, restaurante, biblioteca, espaços de convivência e áreas externas, além de suporte à saúde e de uma programação de atividades físicas, culturais e sociais.

“Quando essas possibilidades estão próximas e fazem parte da rotina, há um ambiente que favorece a adesão. A pessoa pode se exercitar, conviver, participar de atividades culturais e cognitivas e acompanhar aspectos da própria saúde sem depender de uma grande organização para cada uma dessas ações. O ambiente em que vivemos pode contribuir para que hábitos importantes para a longevidade sejam mantidos ao longo do tempo”, explica a Dra. Elizabeth.

A atividade física, a estimulação cognitiva e a convivência passam, assim, a fazer parte de uma rotina que pode ser construída muito antes do aparecimento de alterações cognitivas. Somam-se a elas medidas como acompanhar diabetes, colesterol, pressão arterial e peso, cuidar da audição e da visão e manter o cérebro ativo com leitura, aprendizado, jogos e novos interesses.

A informação também ajuda a diferenciar o que é esperado do envelhecimento daquilo que precisa ser investigado. Alterações cognitivas persistentes e progressivas, sobretudo quando comprometem a autonomia e as atividades cotidianas, não devem ser atribuídas simplesmente à idade.

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