Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que, somente nos primeiros sete meses de 2026, foram registradas 50.424 mortes e 182.253 internações em decorrência da doença na rede pública de saúde. Os números correspondem a uma média de aproximadamente 238 mortes e 860 internações por dia.
Diante desse cenário, iniciativas apresentadas na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) passaram a integrar a legislação estadual, com o objetivo de ampliar a divulgação de informações sobre a doença, estimular atividades educativas e envolver profissionais da saúde e a sociedade nas ações de prevenção.
Legislação catarinense
AVC: conscientização e apoio às vítimas
2016
A Lei nº 16.950/2016, de autoria do ex-deputado José Nei Ascari, instituiu o Dia Estadual de Prevenção, Orientação e Combate ao AVC, celebrado anualmente em 29 de outubro.
2018
A Lei nº 17.642/2018, de autoria do ex-deputado estadual Leonel Pavan, criou uma semana estadual dedicada à doença, realizada anualmente na última semana de outubro.
2025
Mais recentemente, foi sancionada a Lei nº 19.393/2025, de autoria do deputado José Milton Scheffer (PP). A legislação institui uma política estadual de apoio às vítimas, com diretrizes para ampliar o acesso aos serviços de urgência e emergência e ao atendimento especializado, incentivar pesquisas, realizar campanhas educativas e garantir ações de reabilitação com equipes multidisciplinares.
Prevenção começa com o controle dos fatores de risco
O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido pela obstrução de um vaso ou quando há o rompimento de um vaso cerebral. O primeiro caso é denominado AVC isquêmico, responsável pela maioria das ocorrências. Já o AVC hemorrágico é provocado pelo sangramento no cérebro ou em suas proximidades.
Embora a idade e a predisposição genética influenciem o risco, parte significativa dos casos está associada a fatores que podem ser controlados. A avaliação é do cardiologista Arthur Herdy, que atua no Hospital Regional de São José.
Entre os principais fatores de risco estão a hipertensão arterial, o diabetes, o colesterol elevado, o tabagismo, o sedentarismo, a alimentação inadequada, o excesso de peso e o consumo excessivo de álcool.
Segundo o médico, a prevenção envolve a adoção de hábitos saudáveis, que incluem alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e cuidados com a saúde emocional.
“Costumamos recomendar a adoção de uma alimentação mais saudável possível, principalmente evitando sal para controlar a pressão. A atividade física também é fundamental, porque previne e trata muitas doenças. Mas também que se procure evitar o estresse. Orientamos que as pessoas procurem se incomodar menos, se estressar menos, ficar menos preocupadas e nervosas com as situações da vida e tentar viver uma vida mais leve”, orienta.
Como medidas complementares, Herdy recomenda o acompanhamento periódico da saúde, sobretudo para pessoas com fatores de risco. Isso inclui monitorar a pressão arterial, os níveis de glicose e o colesterol, além de seguir as orientações médicas para o tratamento de doenças preexistentes.
Reconhecer os sintomas pode salvar vidas
Além da prevenção, identificar os sinais do AVC e buscar atendimento imediatamente são medidas decisivas para reduzir o risco de morte e sequelas.
“Dores de cabeça, na nuca, e cansaço excessivo podem ser sinais de que a pessoa pode estar tendo uma ruptura de vaso, evidenciando um AVC hemorrágico. Já perdas de fala, embaralhamento na visão ou perda de raciocínio, dormências ou fraqueza em um braço podem indicar uma isquemia. Identificando algum destes sintomas, o indicado é que se busque ajuda o mais rápido possível”, explica o cardiologista.
Entre os sinais de alerta mais importantes estão a perda súbita de força ou sensibilidade, especialmente em um lado do corpo, a dificuldade para falar ou compreender, alterações repentinas na visão, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa.
Esse foi o caso do bancário aposentado Mauro Aquiles Verzola, de 81 anos. Natural de Florianópolis, ele conta que sofreu um AVC aos 58 anos. Os primeiros sintomas surgiram nas primeiras horas da manhã, ao acordar.
“Acordei e, ao tentar levantar, não tive mais como tirar o pé da cama. Senti um peso no corpo e, a partir daí, já desconfiei que pudesse ser um derrame e fui levado ao hospital”, relata.
A suspeita se confirmou. Verzola foi diagnosticado com um AVC isquêmico que posteriormente evoluiu para hemorrágico, causando paralisia no lado direito do corpo. Com base na própria experiência, ele faz um alerta, especialmente às pessoas com histórico de pressão arterial elevada.
“Hoje eu estou em uma cadeira de rodas, então eu queria falar às pessoas que se cuidem. Quem tem pressão alta, tome cuidado. Vá ao médico, se trate, porque a vida se torna muito difícil depois que tem um derrame”, afirma.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o intervalo entre o início dos sintomas e o atendimento influencia as possibilidades de tratamento e recuperação. Por isso, diante de suspeita de AVC, a orientação é buscar atendimento de emergência imediatamente ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.
Não se deve esperar que os sintomas desapareçam nem tentar medicar a pessoa por conta própria. Informar à equipe médica o horário em que os sinais começaram também é importante para a avaliação e a definição do tratamento.
AVC: informações essenciais
Números, fatores de risco e sinais de alerta apresentados na reportagem.
AVC em números
- 50.424 mortes registradas nos primeiros sete meses de 2026.
- 182.253 internações na rede pública de saúde no mesmo período.
- 238 mortes por dia, em média.
- 860 internações por dia, em média.
Fonte: Sistema Único de Saúde (SUS), conforme os dados apresentados na reportagem.






