A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES) apresentou, nesta terça-feira (24), em audiência pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o relatório do terceiro quadrimestre de 2025. O balanço aponta mais de 1,3 milhão de cirurgias realizadas e investimentos superiores a R$ 9,3 bilhões no período.
A prestação de contas, promovida pela Comissão de Saúde, atende à Lei Complementar Federal 141/2012, que determina a divulgação periódica dos investimentos públicos na área.
O presidente da Comissão de Saúde da Alesc, deputado Neodi Saretta (PT), destacou que a audiência cumpre o rito legal e permite avaliar avanços e desafios. Também participaram os deputados Maurício Peixer (PL) e Dr. Vicente Caropreso (PSDB).
Representando o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, a secretária adjunta Cristina Pires Pauluci afirmou que 2025 registra o maior percentual de aplicação orçamentária da história recente do Estado no setor.
Investimentos recordes e dotação orçamentária
Em 2024, a aplicação em saúde representou 15,8% da receita estadual. Em 2025, o índice alcançou 16,22%, superando o mínimo constitucional de 12%.
A dotação orçamentária acumulada soma R$ 9,32 bilhões, sendo R$ 9,25 bilhões do Fundo Estadual de Saúde e R$ 63,6 milhões do Fundo Estadual de Apoio aos Hospitais Filantrópicos, Hemosc, Cepon e hospitais municipais.
Inicialmente, a previsão orçamentária para a saúde era de R$ 6,07 bilhões, dentro do orçamento estadual de R$ 52,66 bilhões aprovado no fim de 2024. Com o aumento da arrecadação, o mínimo obrigatório subiu para R$ 7,45 bilhões, mas a aplicação efetiva superou esse valor. O custo anual da folha de pagamento da Saúde é de R$ 2,5 bilhões.
Entre os destaques está o repasse de R$ 59,6 milhões a hospitais filantrópicos e municipais. No Programa de Valorização dos Hospitais, foram destinados mais de R$ 650 milhões em 2024 e R$ 677 milhões em 2025.
Cirurgias e redução de filas
Santa Catarina ultrapassou 1,302 milhão de cirurgias realizadas. Os investimentos na área cresceram de forma expressiva:
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2023: R$ 213 milhões
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2024: mais de R$ 500 milhões
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2025: mais de R$ 750 milhões
Segundo a SES, o Estado lidera o país em cirurgias eletivas per capita, com aumento de 78% nas internações em comparação a 2022. As cirurgias ortopédicas cresceram mais de 225% e as bariátricas, 500%.
Do total, foram registradas 517 mil cirurgias eletivas com internação, 331 mil procedimentos oftalmológicos ambulatoriais e 454 mil cirurgias de emergência. O Estado também criou habilitações estaduais de alta complexidade em áreas como cardiologia, ortopedia, trombectomia e cirurgia bariátrica.
Ampliação de leitos e concurso público
Desde 2023, foram abertos 291 novos leitos de UTI (adulto, pediátrico e neonatal), totalizando mais de 1.430 leitos ativos — a maior expansão já registrada no Estado.
Após mais de uma década sem concurso, a Secretaria realizou novo processo seletivo, que contabilizou mais de 71 mil inscritos. Cerca de 50 mil candidatos realizaram as provas em janeiro de 2026.
Samu, auditorias e desjudicialização
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência recebeu mais de R$ 600 milhões em investimentos. Foram substituídas mais de 100 ambulâncias, adquiridas 12 motolâncias, 5 mil uniformes, 33 aparelhos de ultrassom, 33 dispositivos de compressão torácica e 25 ventiladores.
Na área de gestão, foram realizadas 21 auditorias, com outras 18 em andamento. Também foi criado um Comitê de Desjudicialização da Saúde, com foco na redução das demandas judiciais e no aprimoramento da gestão do SUS.
Saúde mental, vigilância e queda da dengue
Pela primeira vez, o Estado implantou cofinanciamento estadual para serviços de saúde mental. A Vigilância Sanitária recebeu reforço estrutural e investimentos superiores a R$ 34 milhões nas unidades hospitalares.
Os dados da dengue indicam queda significativa em 2025. Em 2024, foram registradas 341 mortes e mais de 300 mil casos. Já em 2025, o total caiu para 23 mortes e cerca de 26 mil casos — redução de 93% nos óbitos e 92% nos registros.
Questionamentos e críticas
O superintendente estadual do Ministério da Saúde em SC, Sylvio da Costa Júnior, destacou o fortalecimento das relações técnicas. O deputado Maurício Peixer reconheceu o aumento do percentual aplicado, mas solicitou ampliação dos leitos de UTI.
O deputado Dr. Vicente Caropreso questionou a estadualização do Hospital São José, de Joinville. Já o presidente da Comissão, Neodi Saretta, observou que ainda há reclamações sobre a demora em cirurgias de alta complexidade. O presidente do Sindisaúde, Nereu Espezim, criticou a falta de valorização profissional e afirmou que o novo concurso não suprirá a carência estimada de cinco mil cargos efetivos.






