TURISMO & SAÚDE MENTAL
A Suécia é frequentemente citada como um exemplo de país que dedica grande atenção à saúde mental e ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Em casos de estresse intenso ou esgotamento profissional, pessoas diagnosticadas com burnout podem receber acompanhamento médico, afastamento do trabalho e um plano de recuperação adequado às suas necessidades. Estudos mostram que viajar, descansar, passar tempo em contato com a natureza e mudar temporariamente de ambiente podem contribuir para reduzir os níveis de estresse e favorecer o bem-estar emocional. Mais do que trabalhar sem parar, cuidar da saúde também significa reconhecer os próprios limites e reservar tempo para recuperar as energias. Nem sempre o problema é falta de força. Às vezes, o que o corpo e a mente realmente precisam é de descanso, equilíbrio e um ambiente que permita recomeçar.

CASTELO SAINT ANDREWS AMPLIA CONEXÕES

O Castelo Saint Andrews, ampliou conexões com o trade e fortaleceu presença em grandes feiras do turismo. Primeiro reforçou sua presença junto ao mercado de turismo ao participar recentemente da FIT – Feria Internacional de Turismo de América Latina, realizada de 26 a 29 de setembro, em Buenos Aires, onde, paralelamente promoveu capacitação para mais de 70 agendes de viagens argentinos, da famosa Casa de Tango El Querandi, com a presença de Guilherme Paulus, CEO do empreendimento. Posteriormente na ABAV Expo, em São Paulo. A participação nas duas feiras integra a estratégia de ampliar conexões com agentes de viagens, operadores, parceiros e demais profissionais do setor, além de abrir novas oportunidades de negócios e fortalecer o posicionamento do Castelo.

Na FIT o foco da participação foi o mercado internacional, principalmente da América Latina, tendo a Argentina como principal demandante em determinados períodos do ano, chegando a representar, em alguns hotéis, mais de 20% da demanda, e no ano chegando a 5%. Na ABAV Expo reforçou a conexão com o mercado brasileiro.

GTA REFORÇA CULTURA DE PROTEÇÃO

A GTA – Global Travel Assistance participou da ABAV Expo, que aconteceu no Expo Center Norte, em São Paulo, como parte de seu calendário estratégico de relacionamento com o trade e de olho nos movimentos do mercado de turismo. Durante o evento, a empresa reforçou sua atuação na expansão da cultura de proteção no país e destaca iniciativas voltadas à inovação e à evolução do seguro viagem. Um dos destaques será a celebração de dois anos de parceria com a IZA Seguradora, primeira plataforma 100% digital aprovada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), que integra a estratégia da GTA para tornar a operação mais ágil e inovadora para os viajantes. A companhia também apresenta avanços da Ana Maciel, inteligência artificial integrada ao WhatsApp e desenvolvida para apoiar os agentes de viagem em diferentes etapas da operação. A ferramenta permite realizar cotações, consultar condições, obter recomendações de planos e esclarecer dúvidas relacionadas a reembolsos, sinistros e comissões.

Mais do que inovar no atendimento, a GTA vem aprimorando a solução a partir das demandas identificadas na rotina dos profissionais. A proposta é utilizar a IA mais rápidas e suporte operacional, sem substituir a proximidade característica da atuação da empresa. “Nosso objetivo não é apenas acompanhar a evolução do mercado, mas ajudar a construir esse movimento. Quanto mais simples e acessível for o seguro, integrado à jornada de venda que envolve toda a viagem, maior será a possibilidade de ampliar a cultura de proteção. E isso passa necessariamente
pelo agente, que continua sendo um elo essencial entre o viajante e o produto”, completa Guelfi.
MAPA DO TURISMO
Novo Horizonte, aqui em nossa Bela e Santa Catarina, passa a integrar o Mapa do Turismo. No total, dez novos municípios passaram esse mapa. No mesmo período, 171 cidades renovaram seus cadastros no sistema do Ministério do Turismo, instrumento utilizado para orientar políticas públicas, investimentos e ações de estruturação do setor. O cadastro tem validade de um ano e integra a estratégia de regionalização do turismo, desenvolvida pelo Ministério do Turismo em parceria com estados, regiões turísticas e municípios. A presença desses municípios no Mapa reforça a importância do turismo para a economia local e para o desenvolvimento regional. Para entrar no sistema, os municípios precisam cumprir critérios estabelecidos pelas Portarias MTur nº 1/2026 e nº 05/2026. Entre as exigências estão a existência de órgão municipal responsável pelo turismo, previsão orçamentária para o setor, funcionamento do Conselho Municipal de Turismo e prestadores de serviços turísticos registrados no Cadastur.

REGIÕES TURÍSTICAS

Com as atualizações de setembro, o Mapa do Turismo Brasileiro reúne atualmente 2.898 municípios distribuídos em 359 regiões turísticas. As cidades são classificadas conforme sua participação na dinâmica turística regional em três categorias: município turístico, município com oferta turística complementar e município de apoio ao turismo. Adesão passa por estados e Ministério O cadastramento e a renovação são realizados pelo SISMAPA (Sistema de Informações do Mapa do Turismo Brasileiro). As solicitações são analisadas inicialmente pelos órgãos estaduais de turismo e, depois, encaminhadas ao Ministério do Turismo para revisão, aprovação e publicação. O Ministério também oferece atendimento técnico, oficinas, capacitações, reuniões e materiais orientativos para auxiliar os gestores municipais no cumprimento das exigências. Confira os novos municípios: Carauari (AM), São Felipe d’Oeste (RO), Bom Jardim (PE), Godofredo Viana (MA), Nazaré do Piauí (PI), Pombal (PB), Santa Rita (PB), Urupês (SP), Bom Progresso (RS), Novo Horizonte (SC). Ao todo, 171 municípios renovaram seus cadastros em setembro, distribuídos pelas cinco regiões brasileiras.

AZUL – NOVAS ROTAS

A Azul, da mesma forma que criou e cancelou em seguida as rotas Florianópolis/Foz do Iguaçu/Florianópolis, acabou de criar duas novas rotas para Foz do Iguaçu. A partir de 5 de dezembro, a companhia passa a operar voos diretos entre a cidade paranaense e Porto Alegre (RS) e Recife (PE). Somadas, as duas novas rotas terão 106 voos, considerando partidas e chegadas, com 14,4 mil assentos disponíveis. A companhia também vai reforçar as frequências regulares que já atendem Foz do Iguaçu. Para a Azul, Foz do Iguaçu ou qualquer outo destino, só tem uma relevância enorme para o turismo brasileiro quando dá lucro para a própria companhia, que não é diferente da GOL e LATAM. Sem duvidas as ligações serão sazonais e a ligação com Recife também amplia as opções de conexão para passageiros de outras regiões.

PORTO ALEGRE

Já a rota entre Porto Alegre e Foz do Iguaçu terá 62 voos, considerando os dois sentidos, com cerca de 8,4 mil assentos. A operação será realizada exclusivamente durante o período de verão. Já a ligação entre Recife e Foz do Iguaçu terá 44 voos, também considerando partidas e chegadas, com 6 mil lugares disponíveis. Recife é um dos hubs da Azul e permite conexões para outros destinos nacionais e internacionais. A partir da capital pernambucana, os passageiros poderão seguir viagem para outras 33 cidades atendidas pela companhia. Além das duas novas ligações, a Azul vai aumentar a oferta de voos regulares para Foz do Iguaçu durante a alta temporada. As frequências com origem em Viracopos (SP), Curitiba (PR), Confins (MG) e Congonhas (SP) serão reforçadas entre dezembro e fevereiro. Com a ampliação, Foz do Iguaçu terá mais opções de acesso aéreo durante o período de férias, quando aumenta a demanda por viagens. A cidade está localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai e tem as Cataratas do Iguaçu como principal atração turística.

COPA DO MUNDO FEMININA

A Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027 deverá gerar aproximadamente R$ 8,8 bilhões para a economia brasileira. Esse valor consta de um estudo realizado pela FGV Projetos a pedido da Embratur, que detalha os impactos econômicos associados à preparação e realização do torneio no país. O estudo também indica um aumento de R$ 3,8 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, equivalente a 0,03% da economia nacional (com base em dados de 2025). As projeções incluem a criação de 73.700 empregos diretos e indiretos, a distribuição de R$ 4,5 bilhões em renda (salários e lucros) e uma arrecadação tributária estimada em R$ 928 milhões para os cofres públicos. Roberto Gevaerd, Diretor de Gestão e Inovação da Embratur, destaca a dimensão do torneio ao compará-lo com o atual ecossistema de eventos do país: “Em 2025, os dez maiores eventos esportivos recorrentes do país geraram um total combinado de R$ 4,56 bilhões. Quando olhamos para a Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, percebemos a verdadeira magnitude desse megaevento. Seu impacto, por si só, chega a R$ 8,8 bilhões. Estamos falando de um único torneio que gerará quase o dobro do valor produzido por todo o calendário nacional de eventos recorrentes de elite.”
IMPACTO ECONÔMICO
O volume financeiro total é dividido em dois componentes. O primeiro, referente ao impacto da audiência, é estimado em R$ 4,7 bilhões. Esse cálculo se baseia em um fluxo esperado de 2 milhões de pessoas (residentes e turistas) durante o mês da competição. Segundo os dados, esse volume é capaz de sustentar 45.700 empregos, gerar R$ 2,4 bilhões em receita e arrecadar R$ 516 milhões em impostos federais, estaduais e municipais. O segundo componente detalha os investimentos necessários para a organização do torneio, que devem gerar um impacto econômico total de R$ 4,1 bilhões. O cálculo baseia-se no orçamento total da competição, fixado pela FIFA em US$ 800 milhões. Desse total, 43% (US$ 344 milhões) são destinados à premiação internacional e estão excluídos do cálculo nacional. Convertendo-se para a moeda local, o valor restante representa uma injeção direta de R$ 2,3 bilhões no mercado local para cobrir custos de logística, transmissão, segurança e saúde, sustentando aproximadamente 28 mil empregos. As projeções de impacto foram calculadas utilizando a metodologia da Matriz de Insumo-Produto (IOM), reconhecida internacionalmente por capturar os efeitos econômicos diretos, indiretos e induzidos.

CONSUMO & DEMANDA

O estudo VISA-Embratur (2025), incorporado à projeção, indica que 48,61% dos turistas internacionais que entram no Brasil são mulheres. Esse segmento demográfico apresenta uma permanência média de 11 dias e um gasto médio de US$ 1.317 por viagem. Os gastos são distribuídos entre atividades de sol e praia (67,70%), compras no varejo e pessoais (52,10%), alimentação (35,60%) e atividades culturais (34,90%). O estudo sugere que esse padrão de gastos amplifica os impactos econômicos indiretos sobre as pequenas e médias empresas comerciais. Além disso, dados complementares da pesquisa Nexus/CBF (2024) indicam que 72% dos brasileiros que nunca assistiram a uma partida de futebol ao vivo são mulheres. Ao mesmo tempo, 73% do público em geral avalia positivamente a Seleção Brasileira Feminina. Com base nessa correlação, o estudo projeta a ativação de uma demanda de consumo atualmente latente, levando a uma descentralização do consumo relacionado ao esporte em diversos mercados regionais.

CNC – NOVA DIREÇÃO
As federações estaduais e as federações nacionais filiadas à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) elegeram, a nova Diretoria e o Conselho Fiscal da entidade para o mandato de 19 de novembro de 2026 a 18 de novembro de 2030. Em chapa única, José Roberto Tadros foi reeleito presidente da CNC, enquanto Nadim Donato, presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, foi eleito um dos vice-presidentes da Confederação. A nova composição da CNC reúne representantes das federações que integram o sistema de representação do comércio de bens, serviços e turismo no país e terá a responsabilidade de conduzir a entidade pelos próximos quatro anos. A eleição também amplia a participação de Minas Gerais na estrutura nacional de representação empresarial, com a presença de Nadim Donato em uma das posições da diretoria da Confederação. Para Nadim Donato, assumir a vice-presidência da CNC representa, além de uma responsabilidade nacional, uma oportunidade de levar para o debate brasileiro as demandas e as particularidades do setor produtivo mineiro. A reeleição de José Roberto Tadros mantém a continuidade da presidência da CNC para o novo ciclo de quatro anos. A nova Diretoria e o Conselho Fiscal assumirão oficialmente seus mandatos em 19 de novembro de 2026, com vigência até 18 de novembro de 2030.

PESSOAS, TECNOLOGIA & NORMAS

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) destacou a necessidade de uma integração mais forte entre pessoas, tecnologia e padrões globais para alcançar os próximos avanços na segurança da aviação. “A aviação é mais segura hoje do que era há uma década. Nesse período, as taxas de acidentes fatais melhoraram de um acidente a cada 3,5 milhões de voos para um a cada 5,6 milhões de voos. Mas, mesmo assim, 394 vidas foram perdidas em acidentes aéreos em 2025. Cada fatalidade fortalece nossa determinação em fazer melhor. O próximo avanço em segurança virá da colaboração entre pessoas, tecnologia e padrões, formando um sistema resiliente e eficiente”, afirmou Mark Searle, Diretor de Segurança da IATA, em seu discurso na abertura da Conferência Mundial de Segurança e Operações da IATA de 2026, em Istambul. Foram identificadas três prioridades para sustentar e fortalecer o desempenho da segurança na aviação, à medida que uma nova geração de profissionais da aviação, criada na era digital, entra no mercado de trabalho.

CONHECIMENTO

Preservar décadas de experiência operacional por meio de mentoria estruturada, treinamento e planejamento de sucessão. Combinar experiência com novas capacidades: Unir o conhecimento operacional de profissionais experientes com as habilidades digitais e a fluência em inteligência artificial (IA) de uma nova geração. Proteger a cultura de segurança: Manter um ambiente no qual as pessoas possam relatar riscos, erros e quase acidentes sem medo, permitindo que o setor aprenda, melhore e previna incidentes futuros. “Passamos décadas construindo algo verdadeiramente raro: uma cultura de segurança positiva na qual as pessoas relatam seus próprios erros e os erros se tornam oportunidades de aprendizado para todos. Essa cultura foi cultivada deliberadamente ao longo de muitos anos e é fundamental que, à medida que uma geração se aposenta, a próxima assuma o legado e construa sobre o que foi feito anteriormente”, disse Searle.

NOVAS TECNOLOGIAS

A adoção de novas tecnologias, incluindo a IA, deve ser avaliada com base em três critérios principais: Será que a tecnologia ajuda os profissionais de segurança a entender o que está acontecendo ao seu redor? Ela contribui para uma melhor tomada de decisões? A operação pode permanecer segura se a tecnologia estiver indisponível ou comprometida? “A tecnologia pode nos fornecer informações cruciais que nos ajudam a identificar riscos mais cedo, a compreendê-los com mais clareza e a agir antes que um incidente se torne um acidente. Mas a tecnologia sozinha nunca é suficiente. O sistema de aviação deve permanecer resiliente quando a tecnologia estiver indisponível, degradada ou fornecer informações enganosas. O aumento da interferência no Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS) é um lembrete de que a tecnologia deve sempre ser apoiada por redundância, procedimentos, treinamento e julgamento humano”, disse Searle.

SEGURANÇA DA AVIAÇÃO
O excelente desempenho em segurança das companhias aéreas registradas na IOSA demonstra o valor de padrões globais comuns, apoiados por uma supervisão eficaz. Apesar desse exemplo positivo, muitos dos maiores desafios de segurança da aviação atualmente decorrem da implementação e supervisão inconsistentes, e não da falta de padrões globais. “A próxima grande mudança em segurança não virá da criação de mais normas. Ela virá da garantia de que as normas que já temos sejam compreendidas, implementadas e supervisionadas de forma consistente, em todos os lugares”, disse Searle. A IATA identificou três ações para fortalecer a eficácia dos padrões globais: Aprimorar a implementação e a supervisão, concentrando os recursos limitados nas áreas de maior risco e garantindo que os padrões sejam aplicados de forma consistente em todo o sistema de aviação. Fortalecer a conformidade dos Estados com as obrigações internacionais, particularmente nas áreas de informações sobre riscos em zonas de conflito e notificação de acidentes. Manter os padrões relevantes, simplificando, modernizando e atualizando os requisitos para refletir as mudanças na tecnologia, nas operações e no ambiente regulatório. “Pessoas, tecnologia e padrões devem se reforçar mutuamente. Isso é verdade tanto para a segurança de pistas quanto para interferências em GNSS, zonas de conflito ou investigações de acidentes. Quando um desses pilares é frágil, a resiliência de todo o sistema é reduzida”, afirmou Searle.

OPERADORAS DE VIAGENS & INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Os operadores de hotéis, resorts, parques temáticos e cruzeiros obtêm sucesso ao fazer com que seus clientes se sintam acolhidos, bem cuidados e realizados. Portanto, é compreensível que muitas vezes sejam cautelosos ao adotar tecnologias que possam tornar a experiência do cliente menos humana. No entanto, quando se trata da adoção da IA, existe um risco real de que as operadoras sofram danos estratégicos se não agirem com rapidez suficiente. A inteligência artificial (IA) rapidamente conquistou um espaço promissor no setor de viagens, pois simplifica a tarefa complexa e muitas vezes árdua de encontrar, avaliar e reservar viagens. Os consumidores são genuinamente gratos pelas sugestões de itinerário geradas por plataformas e ferramentas de IA, bem como pelos resumos de opções de viagem que economizam tempo. É claro que também existe a frustração dos usuários com as limitações atuais das ferramentas de IA, como o risco de obter informações incorretas e a fragmentação das interfaces com o cliente. Mas, embora ainda não tenha surgido um aplicativo revolucionário e a reserva autônoma de ponta a ponta permaneça em estágio inicial, está claro para nós que toda a jornada pré-viagem está mudando rapidamente e que as operadoras de turismo precisam tomar decisões estratégicas igualmente urgentes sobre como responder a essa mudança. Basta observar o crescimento do tráfego para sites de viagens por meio de plataformas de IA como o ChatGPT. Para hotéis e aluguéis de curta duração, a parcela do tráfego do site proveniente de referências de plataformas de IA quadruplicou em um ano, de acordo com a Similarweb, enquanto outras categorias de viagens viram a participação da IA no tráfego da web mais que dobrar.

RESERVAS DE VIAGENS

Esse crescimento de indicações por IA parte de uma base baixa, é claro, mas deve continuar a se beneficiar do lançamento de novas ferramentas de IA, como a funcionalidade de reserva de viagens adicionada recentemente ao modo de IA da busca do Google. Há também bons motivos para acreditar que o uso de IA se consolidará. Nos EUA, por exemplo, dados do Consumer Lab da Bain sugerem que 49% dos consumidores que usaram IA para pesquisar e reservar viagens agora dependem dela na maior parte do tempo ou sempre para tarefas relacionadas a viagens; a média equivalente no Reino Unido, França e Alemanha é de 41%. Com a IA prestes a reconfigurar a jornada do cliente no setor de viagens, as operadoras enfrentam diversas ameaças. Por um lado, a crescente dependência do consumidor em relação à IA pode levar a uma redução nas reservas diretas, tornando as operadoras mais dependentes do tráfego de reservas indiretas, que gera margens menores. Mas também existe o risco geral de comoditização para as operadoras de viagens, visto que os bots frequentemente priorizam o custo em detrimento de outros recursos, ao restringirem autonomamente as opções para os viajantes, além de considerarem outros fatores.

Como os operadores devem reagir? Aguardar para ver como as coisas se desenrolam é uma opção, claro, apesar dos riscos. Os operadores que escolherem esse caminho devem estar dispostos a conviver com as mudanças no processo de reservas determinadas pelo mercado e pelas grandes empresas de tecnologia. Acredita-se que muitos operadores se beneficiariam mais se, em vez disso, tentassem definir o futuro das reservas de viagens desde o início, estabelecendo os termos, tanto quanto possível, de como e onde suas marcas e ativos serão utilizados. Essa tarefa será complicada por focos de fragilidade e volatilidade na economia global, que desaceleraram o crescimento acelerado do setor após a pandemia de Covid-19. É verdade também que marcas menores têm maior probabilidade de estar otimizando para um futuro com inteligência artificial autônoma do que definindo-o. Mas, com as estratégias certas hoje, é possível alcançar um progresso significativo. As mudanças passadas no comércio eletrônico não justificam uma postura de esperar para ver. A digitalização da indústria de viagens percorreu um longo caminho nos últimos 15 anos. Em 2025, estima-se que 70% das reservas foram feitas online, um aumento em relação aos 43% em 2011. No entanto, a divisão entre reservas diretas e reservas por meio de intermediários, como agências de viagens, permaneceu, talvez surpreendentemente, relativamente estável durante esse mesmo período, mesmo em meio a disrupções como o crescimento do comércio móvel e das mídias sociais.

IA NAS VIAGENS

Os que adotam uma postura de cautela podem se sentir tentados a se confortar com essa consistência e esperar que as operadoras saiam da instabilidade da IA com uma combinação igualmente estável de reservas diretas e indiretas (que, obviamente, tendem a ser menos lucrativas, mas são essenciais para altas taxas de ocupação). Isso pode sugerir que a saúde geral de seus negócios não seria muito afetada pela crescente influência da IA nas viagens. Mas isso provavelmente é apenas uma ilusão. A estabilidade superficial da combinação de vendas diretas e indiretas mascara grandes mudanças comportamentais dos consumidores, como a crescente adesão às agências de viagens online. Nos últimos 15 anos, os participantes do mercado de todos os tipos também tiveram que trabalhar arduamente nos bastidores para chegar onde estão hoje (por exemplo, as redes hoteleiras investindo pesadamente em seus softwares de gestão de relacionamento com o cliente para fortalecer as reservas diretas). Agora não é hora de aliviar a pressão. Considere um cenário relativamente benigno em que uma operadora consiga manter seu fluxo de reservas diretas à medida que o comércio por meio de agentes se torna comum. A rentabilidade do canal indireto permaneceria no mesmo nível de antes da IA? Não necessariamente, dada a provável emergência de plataformas de IA como um meio para muitas reservas indiretas.

Resta saber se as plataformas de IA se tornarão parceiras comerciais tão poderosas quanto o Google é hoje, graças à sua preeminência em buscas, mas sua enorme escala e ampla utilidade para os consumidores podem lhes conferir um poder de negociação formidável no setor de viagens. Os agentes de IA também podem pressionar os preços, permitindo que viajantes com orçamento limitado encontrem ofertas de forma mais sistemática. Os operadores também devem considerar um cenário mais desafiador, no qual a IA inclina a balança para reservas indiretas, limitando o acesso dos operadores a dados primários valiosos (cruciais para a personalização baseada em IA) e diluindo os lucros. Por exemplo, o domínio da IA na fase de inspiração da compra de uma viagem pode persuadir mais consumidores a usar a tecnologia como intermediária, não apenas por meio de plataformas de IA, mas também por meio de ferramentas com inteligência artificial introduzidas por agências de viagens online. Nesse contexto, as operadoras podem enfrentar dificuldades se não dominarem a arte da busca assistida por IA e permanecerem presas a táticas obsoletas de SEO, à medida que as reservas diretas diminuem. Esses são apenas alguns dos potenciais catalisadores para uma mudança no cenário; tudo indica que as operadoras precisarão lutar muito apenas para manter o status quo.

Como os operadores de viagens podem responder ao comércio assistido por agentes? No curto prazo, a tarefa mais urgente é repensar e reestruturar o conteúdo online com foco na descoberta por IA, em vez de seguir uma estratégia já ultrapassada centrada no SEO tradicional. As operadoras devem garantir que continuem sendo a marca preferida para os casos de uso e segmentos de clientes que historicamente conquistaram ou desejam conquistar (e têm o direito de conquistar). Elas também precisam acompanhar a tendência gradual de investimentos em marketing em direção a plataformas de IA, desenvolvendo novas funcionalidades ao longo do processo. Para otimizar e enriquecer o conteúdo para buscas com inteligência artificial em propriedades próprias e de terceiros, os operadores precisam entender as sutilezas na forma como os grandes modelos de linguagem “pensam” em cada plataforma de IA, bem como quais fontes de conteúdo eles utilizam para gerar suas respostas. Os operadores também devem garantir que seus preços sejam igualmente fáceis de encontrar e entender para os agentes de IA, possivelmente atualizando sua estratégia de preços para se adequar à maior transparência que esses agentes trarão.
Muitas operadoras precisarão intensificar seus esforços para tornar a reserva direta pelo menos tão atraente para os consumidores quanto a reserva por meio de um intermediário, utilizando IA para personalizar seu marketing, fortalecendo seus programas de fidelidade e introduzindo ferramentas de IA voltadas para o cliente (incluindo agentes) que possam replicar a fluidez e a conveniência que um consumidor experimenta ao usar uma plataforma de IA. Em alguns casos, as maiores operadoras podem ter poder suficiente para restringir pelo menos parte do inventário de parceiros de busca por IA ou encontrar maneiras de criar joint ventures com eles que mitiguem a ameaça de diluição de margem decorrente de reservas indiretas impulsionadas por IA. Apesar da compreensível cautela em relação à diluição do elemento humano na hospitalidade, os operadores também devem investigar como usar a IA e outras tecnologias para desenvolver uma experiência ainda mais personalizada, aproveitando seus valiosos bancos de dados. O objetivo final é proporcionar aos hóspedes uma experiência tão memorável que eles se lembrem da marca do operador quando utilizarem IA novamente para encontrar um quarto de hotel, resort, parque temático ou cruzeiro.
Leia ainda: Exclusividade no turismo de luxo vai muito além de produtos
Siga este jornalista e fotógrafo no Instagran: @turismoonline.net.br
No Youtube também!
Fotos: Divulgação / Jefferson Severino / Assessorias de Imprensa / Arquivos Pessoais – Fontes: Assessorias de Imprensa
Saiba mais:
Turismo da Serra Gaúcha em mais uma edição do Troféu Infinito
Passageiros indiciplinados serão impedidos de voar por até um ano
Foz do Iguaçu: um destino que transforma energia, turismo e inovação em futuro
Geração Z, os Millennials, os Idosos e a tecnologia hoteleira
O WTTC reunirá mais de 200 líderes globais do setor de viagens e turismo
“Maturidade” é sinônimo de boas escolhas na hotelaria
Florianópolis atua para ser destino número um dos turistas chilenos
Seguro Viagem teve as maiores altas de procura em julho
Conectividade aérea, promoção internacional, interiorização e roteiros integrados
Conexões humanas que transformam experiências – Futuro da hospitalidade












