A cidade de Itajaí (SC) receberá, no próximo sábado, uma mobilização organizada pelo Movimento Elas como parte da agenda nacional do Movimento 8M, que reúne manifestações em diversas cidades do Brasil em alusão ao Dia Internacional da Mulher. O ato tem como foco o enfrentamento ao feminicídio, à violência doméstica e a outras formas de violência de gênero.
A programação começa às 10h, em frente ao chafariz da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, no Centro de Itajaí, com uma intervenção artística da artista plástica e arte-educadora Silvana Rocha.
Às 10h30, um ato simbólico em frente ao Museu Histórico de Itajaí reunirá o grupo de maracatu Baque Mulher, além de leituras de dispositivos legais e letras de músicas relacionadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.
O cortejo seguirá pelo calçadão da Rua Hercílio Luz até a Praça do Marco Zero, onde estão previstas novas intervenções artísticas, distribuição de zines e falas de representantes do Movimento Elas, do bloco A Vida Presta, do coletivo Mulheres do Litoral, além de lideranças políticas e integrantes de sindicatos da região.

A mobilização terá continuidade às 20h30 no Mercado Público de Itajaí, durante o Samba de Bárbara. No domingo, a agenda do Movimento 8M segue para Balneário Camboriú (SC), com manifestação marcada para as 9h30 na Praça Almirante Tamandaré, na Avenida Atlântica.
Mobilização cobra políticas públicas e igualdade
Tamayra Pauline Henkel, integrante da comissão organizadora do ato em Itajaí, afirma que a mobilização busca reforçar o direito das mulheres de viver sem violência e sem silenciamento.
Segundo ela, além do acesso ao trabalho, à participação social e às políticas públicas, é fundamental garantir segurança e liberdade para as mulheres.
Cléo Comunelo destaca que o ato também busca enfrentar a lógica do patriarcado, considerada uma estrutura histórica que perpetua a desigualdade de gênero e naturaliza práticas que privilegiam homens em detrimento das mulheres.
Recorde de feminicídios no Brasil acende alerta
A mobilização ocorre em meio a um cenário considerado alarmante no Brasil. Em 2025, o país registrou o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado na legislação, em 2015.
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), ligado ao Ministério da Justiça, apontam cerca de 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero no ano passado — uma média de quatro mortes por dia.
Em Santa Catarina, o levantamento do Observatório da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), com base em dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, contabilizou 52 feminicídios em 2025.
Apenas em janeiro de 2026, cinco casos já haviam sido registrados no estado.
Casos também preocupam no litoral norte catarinense
Na região da Foz do Rio Itajaí-Açu, que reúne municípios ligados à Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), casos de violência de gênero também têm sido registrados.
Ao longo de 2025, feminicídios foram confirmados em cidades como Itajaí (SC), Penha (SC) e Navegantes (SC). Já em 2026, novos casos investigados como feminicídio foram registrados nos primeiros meses do ano em Itajaí e Balneário Camboriú.
Especialistas apontam que a maioria dos feminicídios ocorre no ambiente doméstico e frequentemente é precedida por episódios de agressão, ameaças ou descumprimento de medidas protetivas.
O cenário reforça a necessidade de fortalecimento das políticas públicas, ampliação da rede de proteção às mulheres e maior efetividade no cumprimento de decisões judiciais.
Mobilização internacional
O Movimento 8M é uma articulação feminista internacional que reúne mulheres cis e trans, pessoas não binárias, negras, indígenas, trabalhadoras e periféricas.
A pauta nacional deste ano concentra-se no combate ao feminicídio, no enfrentamento da violência de gênero e na defesa de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Para a artista Silvana Rocha, a manifestação pretende transformar o espaço público em um momento de reflexão coletiva sobre a gravidade da violência contra mulheres.
Em um contexto de recordes negativos, o Dia Internacional da Mulher deixa de ser apenas uma data simbólica e se consolida como um momento de cobrança por ações institucionais, articulação entre Judiciário, Ministério Público, forças de segurança e ampliação das políticas de proteção à vida.






