Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialistas reforçam a importância do diagnóstico em adultos como estratégia essencial de saúde e inclusão. A discussão ganha força diante do aumento de casos identificados tardiamente no Brasil.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros — o equivalente a 1,2% da população acima de 2 anos — possuem diagnóstico do transtorno. A recente legislação, Lei nº 15.256/2025, também impulsiona a ampliação das avaliações em adultos e idosos.
Diagnóstico tardio e desafios no reconhecimento
Segundo a neurologista Gabriela Baron, membro da Associação Brusquense de Medicina (ABM), o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que pode se manifestar de formas diferentes ao longo da vida.
Na infância, os sinais costumam incluir dificuldades na comunicação, interação social, contato visual reduzido e comportamentos repetitivos. Já na vida adulta, o diagnóstico se torna mais complexo devido ao chamado “mascaramento”, quando o indivíduo aprende a reproduzir comportamentos socialmente aceitos.
Esse processo pode ocultar sintomas, mas também gerar sofrimento emocional, já que exige esforço constante de adaptação em ambientes sociais, profissionais e familiares.
Sintomas em adultos exigem atenção
Em adultos, o transtorno pode se manifestar por dificuldades em manter relacionamentos, rigidez comportamental, interpretação literal da linguagem, além de sensibilidade a estímulos como sons, luzes e ambientes intensos.
Outro ponto relevante é a presença de interesses específicos e intensos, além da necessidade de previsibilidade, o que pode gerar desconforto diante de mudanças.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico e baseado na análise da história do paciente, sintomas observados e critérios estabelecidos pelo DSM (Manual de Transtornos Mentais). Entrevistas com familiares também podem contribuir, especialmente para identificar sinais desde a infância.
Em alguns casos, a avaliação neuropsicológica é utilizada como ferramenta complementar, com testes que ajudam a mensurar possíveis prejuízos funcionais.
A especialista destaca que o diagnóstico nem sempre ocorre na primeira consulta, sendo necessário acompanhamento ao longo do tempo.
Fatores genéticos e ambientais
O TEA possui forte componente genético, embora não esteja associado a um único gene. Estudos indicam que irmãos de pessoas com o transtorno têm entre 10% e 20% mais chances de também apresentá-lo.
Além disso, fatores ambientais como prematuridade e idade avançada dos pais, especialmente do pai, podem aumentar o risco.
Tratamento e qualidade de vida
Embora não exista cura, o tratamento é fundamental para reduzir impactos e melhorar a qualidade de vida. A abordagem inclui psicoterapia, estratégias de autoconhecimento e, em alguns casos, uso de medicamentos para tratar sintomas associados, como ansiedade e irritabilidade.
A intervenção precoce é considerada decisiva para melhores resultados, mas o acompanhamento em qualquer fase da vida pode trazer benefícios significativos.
Importância da conscientização
O Abril Azul reforça a necessidade de ampliar o debate sobre o autismo, reduzir o preconceito e promover a inclusão. A compreensão sobre o funcionamento do transtorno é essencial para garantir respeito, empatia e melhores condições de convivência.






