Ana Paula Lima propõe taxa sobre bets para financiar tratamento de dependência em apostas pelo SUS

Ana Paula Lima propõe taxa sobre bets para financiar tratamento de dependência em apostas pelo SUS

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A deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) protocolou, nesta quarta-feira (22), o Projeto de Lei 4.761/2026, que propõe a criação de uma taxa sobre a arrecadação das empresas de apostas esportivas para financiar ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de pessoas com transtorno do jogo no Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta estabelece uma alíquota inicial de 2% e determina que os recursos sejam destinados exclusivamente ao Fundo Nacional de Saúde.

“Se apostar pode causar dependência, as empresas que lucram com essa atividade também precisam ajudar a pagar o tratamento. Não é justo que as famílias e o SUS assumam sozinhos os prejuízos enquanto as plataformas ficam com os lucros”, afirma Ana Paula Lima.

Enfermeira, a parlamentar destaca que a compulsão por apostas é uma questão de saúde mental que pode provocar endividamento, ansiedade, depressão, conflitos familiares, perda do emprego e risco de suicídio.

Em 3 de março, o Ministério da Saúde iniciou um teleatendimento gratuito e específico para pessoas que enfrentam problemas com jogos e apostas. O serviço é acessível pelo aplicativo Meu SUS Digital e tinha previsão inicial de atender 600 pacientes por mês.

Dados da pasta mostram que o SUS registrou 10.553 atendimentos relacionados ao jogo patológico e à compulsão por apostas entre janeiro de 2018 e maio de 2025, um crescimento de 104% no período.

Pelo projeto, os recursos arrecadados poderão fortalecer esse atendimento, as Unidades Básicas de Saúde, os Centros de Atenção Psicossocial, as campanhas de conscientização e a capacitação dos profissionais.

A iniciativa complementa medidas adotadas recentemente pelo Ministério da Fazenda para restringir a publicidade das bets. As novas regras determinam que os anúncios exibam advertências como “Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” e “Aposta não é investimento”.

Também fica proibido apresentar as apostas como fonte de renda ou solução para dificuldades financeiras.

“Regular a propaganda é fundamental para prevenir novos casos, mas também precisamos garantir atendimento para quem já adoeceu. Nosso projeto responsabiliza o setor pelos impactos que produz e transforma parte da receita das apostas em cuidado, informação e proteção à vida”, conclui Ana Paula Lima.

O PL 4.761/2026 aguarda a definição das comissões da Câmara dos Deputados responsáveis por sua análise.

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