A Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo (ACIP), em Porto Belo, Santa Catarina, emitiu nota de repúdio ao reajuste de preços dos insumos anunciado pela indústria e fornecedores. A entidade também informou que está articulando ações conjuntas com outras instituições para conter os aumentos no setor da construção civil.
No dia 30 de março de 2026, foi realizada uma reunião emergencial com a participação dos Sindicatos das Indústrias da Construção Civil (SINDUSCONs) de Balneário Camboriú, Itajaí e Itapema, além de empresários do setor, para discutir os impactos da medida.
Segundo a entidade, há preocupação com a sinalização de aumentos generalizados entre 20% e 30%, considerados elevados e justificados, de forma genérica, por fatores como instabilidades geopolíticas e supostos aumentos nos custos de matérias-primas e combustíveis.
A associação destaca que, recentemente, foram anunciadas medidas de redução no custo do diesel, com impacto estimado em R$ 1,20, o que, na avaliação do setor, deveria contribuir para a diminuição dos custos logísticos, e não justificar aumentos imediatos.
De acordo com a nota, reajustes dessa magnitude, anunciados sem comprovação objetiva e individualizada dos custos, são considerados incompatíveis com os princípios de equilíbrio e boa-fé nas relações comerciais.
Outro ponto levantado é a dificuldade do setor em absorver ou repassar aumentos abruptos, uma vez que contratos firmados são corrigidos por índices como o CUB/SC e o INCC, que possuem atualização gradual e não acompanham variações imediatas impostas por fornecedores.
A entidade também alerta para o cenário de desaceleração do mercado, com retração nas vendas e impactos da política de juros sobre a atividade imobiliária, o que exige cautela e responsabilidade de toda a cadeia produtiva.
Considerado essencial para a economia regional, o setor é responsável pela geração de empregos, circulação de renda e desenvolvimento urbano, fatores que podem ser comprometidos por decisões consideradas unilaterais.
A entidade reforça que o reajuste, nos moldes anunciados, é visto como abusivo, desproporcional e prejudicial à sustentabilidade do setor, e alerta que a medida pode gerar um “apagão” momentâneo na aquisição de insumos, diante da falta de clareza nas justificativas apresentadas.






